quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Galo de Briga – 5 razões para o sucesso alvinegro no Campeonato Brasileiro de 2012

O Brasil se vê impressionado. Não é para menos, a campanha do Atlético Mineiro no campeonato deste ano é intocável. Vice-liderança com um jogo a menos e mais de 70% de aproveitamento consolidam o Galo como forte candidato ao título, após 41 anos. Vejamos alguns fatores que contribuíram decisivamente para tal campanha.


Continuidade

O ano de 2011 não terminou da maneira que os atleticanos esperavam. O jogo contra o Cruzeiro poderia definir a queda do rival para a segunda divisão. Os ânimos estavam exaltados. Eis que após brilhante recuperação na metade final do campeonato o clube sofreu uma acachapante derrota por 6x1 para o rival. Culpados foram exaustivamente procurados. Normalmente o primeiro apontado é o técnico. Remando contra a maré o presidente Alexandre Kalil apostou na manutenção de Cuca. O início do ano foi complicadíssimo com a vinda de poucos reforços e até então discutíveis (Danilinho, Escudero, Leandro Donizete e Rafael Marques) e com a torcida protestando e cobrando incisivamente. Invicto no campeonato mineiro continuou sob pressão. Na semana da final do campeonato muitos rumores davam conta da saída do técnico do clube. Mas foi campeão e ficou. Querido pelos jogadores, conquistou o respeito da torcida. E quando jogadores e torcida estão juntos... Ponto para o presidente que numa administração de muitos erros parece ter acertado a mão.

Composição de elenco

Aos poucos o técnico Cuca foi modelando um elenco e não um time. Suas primeiras declarações já davam conta disso. O clube teria cerca de 15 titulares. Ou seja, mais de um time em condições plenas de ser escalado e desempenhar um bom papel em campo. Num campeonato de 38 rodadas isso é vital. Contusões, suspensões e convocações são inevitáveis e um clube com grandes aspirações não pode deixar o bom futebol por conta desse tipo de problema. Atletas de boa qualidade vêm compondo o banco de reservas alvinegro (Guilherme, Escudero, Neto Berola, Filipe Soutto, Rafael Marques, etc.). E isso faz a diferença, há reposição.


Experiência e Juventude combinadas

Se a grande promessa do Galo é o meia/ponta Bernard, a referência é Ronaldinho Gaúcho. Se no lado direito da defesa temos o jovem Marcos Rocha, no centro temos os vividos Réver e Leonardo Silva. Essa combinação vem dando certo. Não raro vemos os jogadores experientes passando conselhos e ordens aos mais jovens, transmitindo serenidade e lhes mostrando os “atalhos do campo”. Esse câmbio de experiência permite a evolução dos jovens e ao mesmo tempo dá o suporte físico para os experientes. O time titular conta com os jovens Bernard, 20, Marcos Rocha, 24, Jô e Danilinho, 25. Em contraponto Pierre, Leandro Donizete, Leonardo Silva, Ronaldinho e Jr. César já passaram dos 30.

Limites na farra

Cidade do Galo - CT do Atlético
O principal questionamento feito quando o Atlético acertou as contratações de Ronaldinho Gaúcho e Jô foi se tais atletas viriam para jogarem o que sabem ou para aproveitarem dos prazeres de Belo Horizonte. Ciente disso, a comissão técnica do Galo deu um jeito de impedir que os excessos extra-campo chegassem às partidas. O clube concentra-se com dois dias de antecedência para cada jogo. Dessa forma ao menos nas últimas 48 horas pré-jogo os atletas ficam submetidos a uma rotina regrada, preparando-se para renderem o melhor no jogo.

O fator casa

Em todo esse jejum de títulos que o clube vive a torcida não arredou o pé do lado do time. Nos bons e maus momentos o torcedor alvinegro esteve sempre junto do time. Seja no Mineirão ou no Independência. Inúmeros foram os públicos superiores a 55.000 pagantes no ano de 2009, última campanha razoável do clube no brasileiro. Apesar disso o clube foi privado desse apoio em 2010 e 2011. Com as reformas de Mineirão e Independência o Atlético se mudou para Sete Lagoas. E isso causou um decréscimo na influência do torcedor no jogo. Esse ano com a reabertura do Estádio Independência o torcedor belo-horizontino retomou seu posto e o estádio tem vivido abarrotado, um verdadeiro caldeirão. O calor da torcida tem empurrado o clube nos jogos em casa.

Um comentário :

  1. Analise interessante. Permita-me, porem, alguns comentarios:
    1. continuidade: eh costumeiro se dizer que continuidade eh algo positivo. Concordo -- desde se for para continuar com algo positivo. No caso do Galo no final de 2011, a base era boa, entao isso fazia sentido. Mas em varios anos anteriores, onde nao houve continuidade, nao era para haver mesmo, porque o plantel e o tecnico eram muito fracos (para os nossos padroes).
    2. Kalil: essa, para mim, eh a razao primordial para o sucesso. Pela primeira vez, desde os anos 1980, temos um presidente que "pensa grande". Desde que chegou, ha quase 4 anos, o Kalil tem feito apostas grandes. Algumas vezes nao funciona (Luxa), outras sim (R49). Mas esses sao apenas exemplos mais obvios. Ha muitos outros -- Diego Souza, entao melhor jogador do ultimo campeonato, Andre, Guilherme, Rever, Dudu Cearense etc. etc. Nos primeiros anos, nao funcionou porque nao havia qualquer base, e quando se trazem muitos jogadores ao mesmo tempo, eh dificil faze-los jogar coletivamente bem em pouco tempo. Apos 3 anos e varias tentativas, finalmente formamos uma base relativamente solida, onde eram necessarias algumas adicoes.
    Podemos ser campeoes ou nao este ano, mas voltamos ao primeiro plano de maneira solida (e nao contando com sorte e um certo efeito surpresa, que eh fugaz, como em 2009) por cause desses quase 4 anos de Kalil. Ano que vem temos Libertadores, e mantendo-se a base certamente teremos um 2013 no minimo respeitavel. Minha preocupacao agora eh so com 2015, quando nao tivermos mais Kalil...
    Emanuel

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