segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mudar para que?


O sucesso dos três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro põe em cheque a velha máxima do futebol brasileiro de que se tudo está errado a culpa é do treinador.


         O Fluminense está sob o comando de Abel Braga desde junho de 2011. Os resultados podem ser vistos por qualquer um. Terceiro colocado no Brasileiro de 2011, Campeão Carioca 2012, eliminado na Copa Libertadores da América numa circunstância em que poderia perfeitamente ter se classificado (jogo contra o Boca Juniors) e líder do atual campeonato. O Atlético Mineiro segue semelhante linha. Cuca que assumiu o Galo em agosto de 2011 passou por momentos de alta turbulência. Mas foi mantido. Não apresentou vitória nas primeiras seis partidas e ainda sofreu uma pesada derrota para o rival Cruzeiro no jogo final em 2011. Mas salvou o clube de uma difícil realidade que era a zona de rebaixamento. Foi mantido e o Atlético conquistou o campeonato mineiro invicto e faz ótima campanha no brasileiro. Já o Grêmio trocou de técnico. Mas no início do ano, sem atropelar nada. E o resultado é visível. Semifinalista da Copa do Brasil e atual terceiro colocado no brasileiro já ameaçando os dois primeiros. Vanderlei Luxemburgo assumiu a equipe em fevereiro deste ano e sofreu momentos difíceis como a perda do Campeonato Gaúcho e a saída da Copa do Brasil, mesmo tendo chegado às semifinais. Apesar disso contou com o suporte da direção gremista e hoje o clube está onde está.

Exceções feitas ao Botafogo, que a meu ver oscila devido à falta de uma seqüência por contusões e a saída de jogadores importantes no ataque, ao Corinthians que privilegiou a disputa da Copa Libertadores em detrimento do Brasileiro e ao Santos que também o fez e ainda sofreu penosamente com a ausência de Neymar diversas vezes convocado, todos os outros clubes sucumbiram às oscilações, que são naturais, e mudaram de treinador e ,em regra, não apresentaram diferentes resultados.

O São Paulo trocou Leão por Ney Franco, o Vasco (caso claro de queda de rendimento devido à saída de jogadores chave) mandou Cristóvão Borges para a rua e trouxe Marcelo Oliveira, o Internacional abandonou Dorival Jr. e apostou no iniciante Fernandão, o Cruzeiro trouxe Celso Roth para a vaga de Vagner Mancini. Isso com os que figuram lá em cima. Lá embaixo, Atlético Goianiense já teve Hélio dos Anjos, Jairo Araújo (auxiliar), Adílson Batista e Arthur Neto e não obteve resultado algum. O Palmeiras manteve por muito tempo Felipão, mas não agüentou e trouxe Gílson Kleina de boa campanha na Ponte Preta. Figueirense e Sport também já trocaram técnicos. O primeiro foi treinado por Branco, Argel, Hélio dos Anjos e agora é por Márcio Goiano. Já os pernambucanos tiveram como a mais recente troca a saída de Vagner Mancini substituído por Waldemar Lemos. Claro que, por exemplo, no caso do Bahia se pode afirmar que a troca do técnico Caio Jr. por Jorginho foi benéfica, mas diante do exposto isso foi uma gota no oceano.

É necessário em nosso país, prioritariamente, que se finde essa idéia de que a culpa é sempre de quem comanda da beira do gramado. Todo clube é muito mais que um treinador. É a unidade que conta. Por que será que quando ganha até o presidente apresenta-se como fator da vitória e quando perde quem sofre as conseqüências do revés é o treinador? Há momentos em que a troca é oportuna, mas até para saber esse momento precisamos evoluir. Essa roleta russa que é a vida de um treinador no Brasil só prejudica os próprios clubes brasileiros. Sacralizados ficam os treinadores experientes impedindo o crescimento de novos técnicos, já que no primeiro momento turbulento acusa-se a inexperiência dos mesmos e estes perdem o emprego.

Ryan Giggs e Alex Ferguson - Anos 90
O ícone Alex Ferguson, por exemplo, iniciou sua trajetória no Manchester United em 1986 e o primeiro título nacional só veio na temporada 92/93. Provavelmente foi questionado, mas foi mantido. E os resultados provam o acerto do clube de Manchester. O torcedor tem que parar de culpar o treinador e os dirigentes e jogadores tem que deixar de esconder suas falhas atrás dos treinadores. Por isso, suplico o fim do jogo de azar “vida de treinador de futebol”. 

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