quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Roman Abramovich entre os negócios e a paixão



A meteórica ascenção do Chelsea, está diretamente ligada a sua venda ao bilionário russo, cujo dinheiro tem origem completamente duvidosa, Roman Abramovich. O clube londrino foi elevado ao patamar de superpotência do futebol, disputando grandes competições sempre lutando por títulos e conseguindo fazer grandes contratações. Mas, não terá a essência do futebol sido traída por esse negócio? O esporte é o que é pelo público, e é evidente que muitos torcedores serão eternamente gratos pelos altos vôos alçados pelo clube nos últimos 10 anos, mas, alguns eventos recentes relacionados a este clube, põe para mim em cheque a função do futebol.


O dia 18 de abril de 2012, nunca sairá da memória de todos os adeptos do Chelsea do planeta. As 38.039 pessoas presentes no Stanford Bridge nunca se esquecerão do gol de Drogba que deu a rasa vitória por 1 a 0 contra o Barcelona. Mais que isso. Os torcedores nunca vão se esquecer do personagem Drogba. Aliás, a lenda do clube Drogba. Apesar disso, o regente da orquestra Chelsea, Roman Abramovich, julgou não ser possível, inviável financeiramente, estender o contrato do astro por dois anos, e permitiu sua saída para o futebol chinês.
 
Os feitos do atacante marfinense não foram dignos dos esforços de um clube que desembolsou nada menos que £32mi por Hazard e £25mi por Oscar além dos £7mi por Azpilicueta e os £9mi por Victor Moses? Drogba saiu no auge de sua forma aos 34 anos, nunca antes fora tão decisivo. Sem um histórico de lesões graves ele não aguentaria manter um bom nível até os 36? Manter o caríssimo e muito menos produtivo Fernando Torres certamente foi melhor para o clube (ironia).

As especulações neste momento dão conta das iminentes saídas de Lampard, já no meio da temporada, Ashley Cole e John Terry do clube. E afirmo com segurança que o problema não é técnico. O Chelsea é muito mais que um clube de futebol para Abramovich, é um NEGÓCIO. E é sob essa ideia capitalista e industrial, que a mão de obra mais velha, teóricamente menos produtiva e mais cara, deve ser trocada por mãos jovens, mais baratas (pelo menos salarialmente falando) e, reitero, teóricamente mais produtivas. A reformulação em prol do progresso.

A questão central aqui passa por terrenos muito mais profundos do que aparenta. Em primeiro lugar os “dispensáveis” do Chelsea são seres humanos e não matéria prima. Em segundo lugar os torcedores que são o motor do futebol, também são seres humanos, e são portanto emotivos e movidos por paixão. Por fim, o dinheiro, nu e cru, é meio no esporte e não fim. Não para o bilionário russo de que trato - e é evidente que pode ser que este julgamento esteja completamente errado - .

O "jovem" Terry
Os torcedores que desde muito tempo veneram suas lendas, John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba (com faixas e cânticos), não estão encarando com bons olhos esse escurraçamento de seus favoritos. Assim como não engoliram a tumultuada saída de Roberto Di Mateo , o técnico que conquistou a Europa (tão cobiçada pelo poderoso chefão), e a chegada do desafeto Rafa Benítez.

Drogba não, mas Lampard e Terry são remanescentes no time titular das épocas pré-bilionárias. Cresceram com o clube. Viveram o clube. Mais que isso, ainda hoje fazem a diferença no campo. Não declinaram acentuamente no que tange a sua técnica. É a sede por manter o dinheiro em movimento que os está expulsando do clube. É o negócio que está sobrepondo a paixão.

Não sabemos o destino dessas negociações, e ao final, pode até ser que o clube mantenha os jogadores, como, sinceramente, eu desejo. Mas, caso os jogadores sejam “liberados” quem será o próximo? Minha atenção se volta necessáriamente para o goleiro Petr Cech que além de ter batido na casa dos 30 anos já tem a sombra de Courtois goleiro emprestado ao Atlético de Madrid.

A proposta aqui, não é criticar o magnata russo. É gerar uma reflexão mais ampla. O futebol está se transformando de fato um negócio puro e simples? Os torcedores são agora marionetes do mundo dos negócios ou ainda são o alimento dos clubes? Os ídolos, são motor ou matéria movível? Temas para uma reflexão.

2 comentários :

  1. Mas tem outra questão, estes que teoricamente são nossos ídolos também não perderam esse status devido a fome de dinheiro??? Não creio que sejam somente marionetes, acredito que tem participação e vontade própria deles também.

    No mais, concordo com o ponto de vista.

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    1. Nesse caso não penso que a fome de dinheiro caiba como argumento. Qualquer um que eleve o patamar do clube, com um grande título, desejaria uma valorização, isso para o caso Drogba. No caso Lampard isso caberia menos ainda, já que segundo notícias da imprensa o jogador estaria disposto a receber 1/3 do seu salário para permanecer no clube.

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