quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Times de que Gostamos: Budapest Hónved 50's

O time que trago essa semana é uma das equipes mais épicas da história do futebol. E era também a base da Seleção que mais mereceu, e não conquistou, uma Copa do Mundo na história das Copas, comparável apenas à Holanda de 1974. Falo do Budapeste Honvéd, do craque Puskas.


Em pé: Budai II, Lóránt, Városi, Bányai, Babolcsay e Boszik. 
Agachados: Kocsis, Puskas, Rákóczi, Budai I e Grosics. 

Time: Budapeste Honvéd

Período: Década de 1950

Time Base: Grosics; Rákóczi, Lorant, Kovács; Bányai, Bozsik; Budai, Puskas, Balbocsay, Czibor; Kocsis. Téc. Ferenc Puskas I e Jeno Kalmar.

Conquistas: Cinco Campeonatos Húngaros.

Protagonista de dois fatos extremamente estranhos para um amante mais jovem do futebol, o Budapeste Honvéd tem histórias para contar. É impensável, em tempos atuais, imaginar uma grande equipe vinda da Hungria; e, mais estranho do que isso, uma equipe que jogava variando entre um esquema 3-2-5 e 4-2-4.

Nos anos 1950, o Budapest Honvéd alcançou um nível de brilhantismo de tal forma impressionante que a maioria de seus jogadores fez muito sucesso em outras equipes de grandes centros.

Além disso, essa equipe contou com aquele que é considerado um dos maiores gênios da história do futebol, Ferenc Puskas. Dentre as pessoas que se lembram de acompanhar o brilhantismo de seu futebol, suas memórias contam a história de um atleta absurdamente fantástico, comparável a lendas como Pelé, Diego Maradona e Alfredo Di Stéfano.

A equipe, que até a década de 50 era um clube pequeno, foi escolhida pelo governo comunista para ser o time que afirmaria sua força. Até então, o clube chamava-se Kispersti e possuía dois atletas talentosíssimos que, sozinhos, garantiam-lhe apenas modestas colocações no campeonato local: Bozsik e Puskas. Só isso. Entretanto, a partir do “patrocínio” do governo, a equipe contratou uma legião de grandes craques. 

No gol, atuou um goleiro lendário: Grosics (foto) o “Pantera Negra”; 86 jogos pela seleção, 125 pelo Honvéd. Defendeu a meta do clube entre 1950 e 57; conquistou o ouro olímpico em 1952 e disputou as Copas de 1954, 58 e 62; e, além disso, foi eleito o melhor goleiro da Copa de 1954.

A retaguarda, setor de dificílima definição no caso do Budapest, alternava entre três, quatro, ou cinco integrantes. Não havia uma defesa consolidada. Eram defensores de fato apenas os jogadores Kovács e Rákóczi. A eles uniam-se (ou não) Lorrant, Bányai e Bozsik (foto). Como dito, o esquema tático da equipe variava entre 3-2-5, 4-2-4 e até mesmo um bizarro, e de difícil compreensão, 5-0-5. Bozsik é o atleta que mais atuou pela equipe rubro-negra em toda história, tendo o estádio da equipe sido batizado em sua homenagem. 

No ataque, atuou uma constelação de craques. Budai, Balbocsay, Czibor e Kocsis. Budai era um ponta direita eficiente. Talentoso mesmo era o ponta-esquerda Czibor: além de ter marcado época no futebol húngaro, teve grande destaque também no Barcelona, clube em que marcou 63 gols em 93 jogos, média invejável para um ponta.

Mais à frente, postava-se um matador no melhor sentido da palavra: Kocsis. O jogador conseguiu uma impressionante média de mais de um gol por partida no Budapeste Honvéd. Foram 153 gols em 145 jogos. Depois, a exemplo de Czibor, fez carreira em Barcelona, onde marcou 140 gols em 194 partidas.

A despeito disso, você, caro leitor, deve estar sentindo falta de alguém. Puskas! (foto). A escolha de deixá-lo por último foi proposital. Ferenc Purczeld Biró é um jogador que merece um capítulo próprio. Maior jogador da história da equipe e do futebol húngaro, e um dos melhores de todos os tempos do mundo, Puskas jogou 12 anos no Budapeste Honvéd e marcou 352 gols pelo clube em 341 jogos. Depois, rumou para o Real Madrid onde atuou por mais oito anos. Na Seleção foram 84 gols em 85 jogos. É um mito e era a principal referência da equipe.

Apesar de todo esse sucesso, com a Revolução Húngara em 1956, o esquadrão se desfez. No momento desse evento, o clube jogava as oitavas de final da Copa dos Campeões, atual UEFA Champions League contra o Atlético de Bilbao. Com a notícia da revolução, a decisão foi disputada na Bélgica e alguns craques como Puskas, Kocsis e Czibor optaram pelo exílio.

Foi o fim de uma bela e curta história de uma equipe épica.

Ficha técnica do jogo mais marcante da equipe: 

Budapeste Honvéd 3 x 3 Atlético de Bilbao

Heysel Stadium, Bruxelas-BEL 

Público: 30.000

Árbitro: Albert Alsteen (BEL)

Gols: Budai 6’ e 82’, Puskas 86’ (Budapeste Honvéd) e Merodio 1’ e 72’, Arieta 67’ (Atlético de Bilbao)

Budapeste Honvéd: Lajos Faragó; László Rákóczi, Nándor Bányai, Zoltán Dudás; József Bozsik, Antal Kotász; László Budai, Sándor Kocsis, Ferenc Machos, Ferenc Puskas, Zoltán Czibor. Téc: Jenö Kalmár

Atlético de Bilbao: Carmelo Cedrún Ochandategui; José María Orué Aranguren, Jesús Garay Vicino, Nicanor Trapero Gonzalo "CANITO"; Mauricio Ugartemendía Lauririca "MAURI", José María Magureci Ibarguchi; José Luis Arteche Muguire, Félix Marcaida Aurrecoechea, Ignacio Arieta Araunbeña Piedra, Armando Merodio Pesquera, Agustín Gaínza Vicandi. Téc: Fernando Daučik

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