segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Newell’s Old Boys x Rosario Central: o clássico Rosarino

Depois de contar algumas das histórias que cercam a rivalidade entre Braga e Vitória de Guimarães, trato hoje da rivalidade mais antiga do futebol argentino. Trata-se do encontro dos grandes clubes da cidade de Rosário na Província de Santa Fé, Newell’s Old Boys x Rosario Central.




Vem da cidade de Rosário (foto) a rivalidade futebolística mais antiga da Argentina. Mas nem só de futebol vive (e viveu) a urbe. Vários são os momentos históricos importantes da cidade. Banhada pelo rio Paraná, ela já foi, por exemplo, declarada pelo congresso a capital da Argentina, por três vezes. Tendo sido todas vetadas. Outra ocasião importante no passado local foi a luta fervorosa pela redemocratização do país na década de 80. Mas falemos de futebol.

Em 1889 após algumas reuniões, cerca de setenta trabalhadores da Ferrocarril Central Argentino (empresa ferroviária - foto) se juntaram num bar, com um objetivo: fundar um clube de futebol. Após a apresentação do projeto, pelo inglês Thomas Mutton, ficou formalmente criado o Central Argentine Railway Athletic Club. Foi só em 1903 que o clube passou a se chamar Club Atlético Rosario Central. No início o clube tinha uma particularidade importante, só poderiam se associar ao clube, trabalhadores da empresa ferroviária.

A seu tempo, em 1903 foi fundado o Newell’s Old Boys. E a história de sua criação é muito interessante, pois ela está intimamente ligada com a chegada do futebol à Argentina. Em 1884 pouco tempo após a criação da Buenos Aires High School, foi criado em Rosário o Colegio Comercial Anglo Argentino. Esses dois colégios foram os primeiros lugares onde se praticou o futebol no país. O colégio de Rosário foi fundado por um cidadão inglês de nome Isaac Newell (foto). 19 anos depois, seu filho, Claudio Lorenzo Newell, com o auxílio de alunos e ex-alunos de seu pai fundou o Club Atlético Newell’s Old Boys. O nome da equipe é uma homenagem a Isaac Newell. As cores do uniforme foram inspiradas na bandeira da Inglaterra e do Império Alemão (nacionalidade da esposa de Newell).

Desde a primeira vez em que se enfrentaram pela extinta Liga Rosarina de Fútbol, ficou declarada a guerra para ver qual equipe seria a melhor de Rosário, qual teria mais sucesso, mais torcedores e qual melhor representaria a cidade. 

Nos anos 20 aconteceu um feito que marcou as equipes para sempre. Por iniciativa do Patronato de Leprosos, localizado no Hospital Carrasco, foi tentada a realização de uma partida beneficente entre Rosario e Newell’s, cuja renda seria revertida em favor dos doentes. Prontamente a direção do Newell’s Old Boys aceitou o pedido, por sua vez os representantes do Rosario Central declinaram-no. Desde então os torcedores do Newell’s passaram a chamar os rivais de canallas (canalhas). Como resposta a torcida do Rosario passou a chamar seu adversário de leprosos (leprosos). Esse evento foi um das principais razões para o enraizamento da rivalidade rosarina.


A primeira vez em que canallas e leprosos se encontraram foi em 1905, e teve vitória rubro-negra, por 1x0 gol de Faustino González (foto). No total – considerando a era do futebol amador – aconteceram 316 embates. Curiosamente a maioria dos jogos terminaram empatados (111). O Rosario tem o maior número de vitórias 105, contra 100 do Newell’s. A maior vitória no encontro foi do Newell’s em 1907, 10x0. Já o Rosário aplicou 9x0 em 1917.

O maior artilheiro do clássico é Manuel González ex-atacante rubro-negro. O segundo maior é o ex-atacante do Rosario Harry Heyes. Já o maior número de aparições fica a cargo de Jorge González ex-Rosario.

Há equilibro em taças também, o Newell’s conquistou seis vezes o campeonato argentino, contra quatro do Rosario. Apesar disso os canallas conquistaram um título internacional: a Copa Conmebol de 1995 (foto). O mais próximo que os leprosos já chegaram de conquistar algo na esfera internacional foi a Libertadores da qual foi vice-campeão em 1988 e 1992. Resta dizer que o Rosario foi o primeiro time de fora de Buenos Aires a conquistar o campeonato nacional.


Dois personagens tem necessariamente que ser lembrados. Um de cada lado. Do lado do Rosario há que se falar em Mario Kempes (foto à esquerda), jogador histórico da Argentina. Ele atuou pouco tempo pelo clube, apenas dois anos, mas fez número de gols suficientes para ser o maior artilheiro da história do clube. Já o representante do Newell’s é o famoso “El Loco” Bielsa (foto à direita).

Depois de ter sido zagueiro do clube na década de 70, no início dos anos 90 ele retornou ao clube treinando as categorias de base e posteriormente o time profissional. Seu trabalho duro reestruturou de forma impressionante as canteras do clube. Posteriormente levou os profissionais a dois títulos nacionais e ao vice da Libertadores. Como resultado ele foi homenageado tendo seu nome escolhido como o nome do estádio do clube.

Ponto em comum entre os clubes é a ótima qualidade das categorias de base. Saíram do Newell’s para o mundo jogadores como Jorge Valdano, Gabriel Heinze, Mauricio Pochettino, Gabriel Batistuta (foto à esquerda), Maxi Rodríguez, Walter Samuel e Ever Banega. Já as “divisões inferiores” do Rosario produziram, dentre outros vários, Menotti, Hernán Díaz, Chamot, Kily González (foto à direita), “Pato” Abbondanzieri, Angel Dí Maria e “Cata” Díaz.

A rivalidade é tão grande que certa vez, antes de encerrar sua carreira, Kily González disse: “Não existe dinheiro no mundo que me faça colocar uma camisa do Newell's”.

Brasileiros foram pouquíssimos na história dos clubes, mas o Newell’s chegou a ter dois jogadores importantes para o futebol brasileiro: o zagueiro Ricardo Rocha (foto) e o centroavante Jardel. Já o Rosário teve apenas dois brasileiros, destaque para o zagueiro Andrei, com passagens por Flamengo, Fluminense, Palmeiras e até pelo Atlético de Madrid.

O momento atual é todo dos leprosos. Após ser semifinalista da Copa Libertadores, o clube lidera o Campeonato Argentino. Já o Rosário ocupa a 10ª posição. Apesar disso, no último clássico a vitória foi dos canallas, por 2x1.

Abaixo as atuais escalações das equipes:



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