sábado, 19 de outubro de 2013

Times de que Gostamos: River Plate 1996-1997

Depois de relembrar os feitos do Borussia Dortmund da temporada 1996-1997, trago a memória do grande River Plate de 1996-1997, última equipe do craque uruguaio Enzo Francescoli.


Em pé: Díaz, Altamirano, Astrada, Celso Ayala, Rivarola , Burgos
Agachados: Sorín, Almeyda, Francescoli, Ortega e Crespo.
Time: River Plate

Período: 1996-1997

Time base: Burgos; H. Díaz, Celso Ayala, Rivarola, Altamirano (Sorín); Almeyda, Cedrés (Gallardo), Escudero e Ortega; Francescoli e Crespo (Marcelo Salas). Téc. Ramón Díaz.

Conquistas: Copa Libertadores de 1996, Supercopa da Libertadores 1997, Torneio Apertura 1996/1997 e Torneio Clausura 1997.

Uma grande safra de jovens e uma grande referência. Essa frase define o que foi o grande River Plate da temporada 1996-1997. 

Sob o comando técnico de Enzo Francescoli, jovens como Hernán Crespo, Ariel Ortega, Matías Almeyda, Juan Pablo Sorín e Marcelo Gallardo levaram os Millonarios ao topo da América e por pouco não alcançaram o topo do mundo. Poucas vezes na história, experiência e juventude casaram tão bem, como em Buenos Aires nos anos 1996-1997.

No gol do River estava o folclórico e controverso goleiro Germán Burgos (foto). Apelidado de mono (macaco), era um goleiro bem grande para a época, com 1,88m. Responsável por guardar a meta do River Plate entre os anos de 1994-1999, ficou marcado por defender uma penalidade no jogo de ida da final da Libertadores de 1996. Além disso, o excêntrico goleiro defendeu a seleção argentina entre 1995-2003.

A linha defensiva como um todo era experiente. Nas laterais jogavam, pela direita, Hernán Díaz (foto) e, pela esquerda, Ricardo Altamirano. Díaz foi um grande lateral na história argentina. Formado no Rosário Central, defendeu o River Plate por mais de 10 anos e se tornou o segundo jogador argentino com mais aparições na Copa Libertadores, com 73 jogos disputados. Tinha um grande capacidade física, o que ajudava-o imensamente a atacar e defender com muita efetividade. Pelo outro lado, Altamirano era menos privilegiado tecnicamente que Hernán Díaz, mas era um defensor eficiente. Aos poucos, o lateral esquerdo foi perdendo a posição para o então jovem Juan Pablo Sorín, que viria a ser um dos maiores, senão o maior, lateral esquerdo argentino de todos os tempos.

A dupla de zaga era privilegiada. Formada por dois zagueiros baixos, Celso Ayala (foto) e Guillermo Rivarola, a defesa era segura e tinha muita técnica. Ayala formou ao lado de Gamarra uma das melhores duplas de zaga da história do futebol mundial. Pela Seleção Paraguaia, em 1998, consagrou-se, compondo a defesa menos vazada da Copa do Mundo da França. Seu companheiro, Rivarola, tinha um pouco menos técnica, mas compensava com muita raça. Ambos, Celso e Guillermo, tinham excelente tempo de bola.

O meio-campo Millonario começava com um dos grandes volantes argentinos da história recente, Matías Almeyda (foto). Técnico, raçudo e com estilo de jogo aguerrido, o volante caiu rapidamente nas graças da torcida. Quando foi vendido, tornou-se o jogador argentino mais caro da história. Ao seu lado, jogava Marcelo Escudero. Menos dotado tecnicamente, era igualmente dedicado e também escreveu seu nome na história do River Plate, defendendo-o entre 1996-2002.

A frente dos volantes atuavam dois jogadores ofensivos: Gabriel Cédres e Ariel Ortega (foto). Este último foi um jogador de técnica apuradíssima. Cabia a ele a tarefa de organizar o meio-campo argentino. Seus desconcertantes dribles foram a chave de incontáveis vitórias do River Plate e sua carreira foi, infelizmente, prejudicada por problemas com alcoolismo. 

Já Cédres, meia-atacante uruguaio, não tinha tantos recursos, mas era um jogador de indubitável eficiência, tendo atuado com sucesso, pelo River Plate, Peñarol e pela Seleção Uruguaia.

No ataque, o River tinha uma dupla infernal: o velho e o moço; Enzo Francescoli e Hernán Crespo (foto). O primeiro, uruguaio, era conhecido como “O Príncipe” e possuía indiscutível habilidade, grande visão de jogo, e bom faro de gol. Sua categoria era de tal forma grandiosa que ele é sempre lembrado por ter sido a inspiração para o craque Zinedine Zidane, que inclusive deu a um de seus filhos o primeiro nome do Uruguaio, Enzo. 

Ao seu lado, o clube dispunha do talento de um jovem cheio de apetite. Entretanto, não um apetite saciável com comida, e sim com gols. Hernán Crespo, implacável marcador, afirmou-se como um dos grandes centroavantes argentinos de todos os tempos. Na Copa Libertadores de 1996, foi vital, marcando os dois gols do título, na finalíssima no Monumental de Nuñez.

Além desses grandes titulares, o banco de reservas do River tinha grandes opções como Santiago Solari, que viria a representar o Real Madrid, o excelente Marcelo Gallardo (foto), muitas vezes titular, o centroavante Julio Cruz e posteriormente o chileno Marcelo Salas, que era absolutamente letal e chegou para substituir Crespo quando este foi vendido ao Parma. Além deles, comandando as ações estava o renomado e vitorioso Ramón Díaz.



Ficha Técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Copa Libertadores da América: River Plate 2 x 0 América de Cali

Estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires

Árbitro Júlio Matto

Gols: Crespo ‘6 e ’59 (River Plate)

River Plate: Burgos; Hernán Díaz, Celso Ayala, Rivarola, Altamirano; Almeyda, Escudero (Gomez), Cedrés, Ortega (Sorín); Francescoli e Crespo (Gallardo). Téc. Ramón Díaz.

América de Cali: Córdoba; Asprilla, Bermúdez, Dinas, Maziri; Cabrera, Berti, Escobar, Oviedo; Zambrano, Antony de Ávila. Téc. Diego Edison Umaña.

Final do Mundial Interclubes: Juventus 1 x 0 River Plate

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro Márcio Rezende de Freitas

Público: 48.305

Gol: Del Piero ’81 (Juventus)

Juventus: Peruzzi; Porrini, Ciro Ferrara, Paolo Montero, Moreno Torricelli; Deschamps, Di Livio, Jugovic, Zidane (Tacchinardi); Del Piero e Boksic. Téc. Marcello Lippi.

River Plate: Bonano; Hernán Díaz, Celso Ayala, Eduardo Berizzo, Sorín; Astrada, Berti (Gancedo), Monserrat, Ortega; Francescoli e Julio Cruz (Marcelo Salas). Téc. Ramón Díaz.

Final da Supercopa da Libertadores: River Plate 2 x 1 São Paulo

Estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires

Árbitro Ubaldo Aquino

Público: 59.181

Gols: Marcelo Salas ’46 e ’58 (River Plate); Dodô ’53 (São Paulo)

River Plate: Burgos; Hernán Díaz, Celso Ayala, Eduardo Berizzo, Sorín (Escudero); Astrada, Monserrat, Gallardo (Solari), Placente; Francescoli (Gancedo) e Marcelo Salas. Téc. Ramón Díaz.

São Paulo: Roger; Zé Carlos, Edmílson, Álvaro, Serginho; Sidney, Alexandre (Fábio Mello), Fabiano (Cláudio), Marcelinho Paraíba; Aristizábal (Reinaldo) e Dodô. Téc. Darío Pereyra.

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