segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Elas vêm aí: Bélgica e Brasil

Com as situações de Alemanha, Argélia, Argentina e Austrália dissecadas, deixo a letra “A” do alfabeto, trazendo o panorama das seleções belga e brasileira às vésperas da Copa do Mundo.



BÉLGICA

Time esperado: Courtois (Mignolet); Alderweireld, Kompany, Vermaelen (van Buyten), Vertonghen; Axel Witsel, Fellaini, Dembele; Mirallas (De Bruyne), Lukaku (Benteke), Hazard. Téc. Marc Wilmots

Grupo: H. Com Argélia, Rússia e Coreia do Sul.

Expectativa: Chegada às quartas de finais.

Histórico: 11 participações em Copas, a última em 2002.

Em 2002, Wilmots foi o
grande destaque.
Depois de 12 anos (ou duas Copas de intervalo), a Bélgica está de volta à Copa do Mundo. Sob o comando do treinador Marc Wilmots – grande estrela e capitão da equipe em 2002, e com uma leva de jovens jogadores de grande qualidade, tem boas possibilidades na competição.

A equipe que se classificou em primeiro no Grupo A das eliminatórias de forma invicta (num grupo que contava com Croácia e Sérvia) terá, enfim, a chance de alçar um voo alto numa Copa. Recheada de jogadores vencedores e talentosos, terá pela frente um grupo parelho mas deverá passar com certa tranquilidade – seu maior obstáculo será, provavelmente, a Rússia.

O gol dos Rote Teufel virá extremamente bem protegido. O titular da posição é o arqueiro do Atlético de Madrid, emprestado pelo Chelsea, Thibaut Courtois, que vive excelente momento em sua carreira com o seu clube se intrometendo na contenda particular entre Real Madrid e Barcelona no Campeonato Espanhol. Contudo, não está completamente descartada a opção pelo goleiro do Liverpool Simon Mignolet, que jogou o último amistoso da equipe e vive igualmente um bom momento em sua carreira.

As laterais da equipe serão provavelmente o ponto menos forte da equipe. Se a safra belga atual produziu ótimos goleiros, zagueiros, meias e atacantes, tal sorte não se descobriu nas laterais, por onde atuam improvisados os zagueiros Toby Alderweireld, pela direita, e Jan Vertonghen, pela esquerda. O primeiro é mais deficiente na função, tendo menos mobilidade e ímpeto ofensivo, sendo literalmente um zagueiro pelo lado. Já o segundo está mais habituado à função, que desempenha também no Tottenham, tendo menos problemas com o posto. Ainda assim, os dois são zagueiros e não laterais de ofício. Se Wilmots mudar de opinião e decidir utilizar jogadores da posição, terá, disponíveis, o lateral direito Guillaume Gillet, e os laterais esquerdos Sébastien Pocognoli e Jelle Van Damme.

Última escalação da Bélgica
No centro da defesa não faltam opções de qualidade. Os titulares – e líderes da equipe –  habituais são Vincent Kompany e Thomas Vermaelen. O primeiro, que defende o Manchester City, vive fase esplendorosa na carreira. Completamente adaptado à zaga, o volante de origem, é o capitão e exemplo de dedicação. Já Vermaelen perdeu a vaga de titular do Arsenal, mas é um zagueiro experimentado e confiável. Na ausência destes poderão ser usados os laterais citados ou, ainda, o experiente Daniel Van Buyten, remanescente da geração de 2002, e o defensor do Zenit Nicolas Lombaerts.

Pelo centro do meio-campo, a titularidade caberá à Axel Witsel, Mousa Dembele e Marouane Fellaini. Jogadores móveis e donos de ótimo passe, são exemplos do “volante moderno”, box-to-box, atletas que circulam desde a sua área até a adversária. Não são propriamente afeitos à contenção, mas juntos tem atuado com muita coesão. Uma eventual ausência de um deles deverá ser ocupada por Steven Defour do Porto, mas outras opções são Timmy Simons, veteraníssimo de 37 anos, e Radja Nainggolan.

Aberto pelo flanco esquerdo Eden Hazard é o grande líder técnico da equipe. Apesar disso, não consegue apresentar o mesmo desempenho do Chelsea na seleção. Já pela direita o titular é Kevin De Bruyne, recém-transferido ao Wolfsburg. Não obstante, poderão aparecer na equipe titular os atacantes Kevin Mirallas, Dries Mertens e Nacer Chadli.

Já a vaga de centroavante está vaga – com o perdão do trocadilho. Romelu Lukaku e Christian Benteke têm se revezado no comando do ataque belga. Quem estiver vivendo o melhor momento às vésperas da competição será o titular. No momento a vantagem é do primeiro, que se firmou com um dos grandes destaques do Everton na temporada.


Com uma geração de talento nunca antes vista, a Bélgica tentará surpreender. Potencial técnico para isso ela tem. Resta saber se a equipe, que tem poucos resultados relevantes em sua história, terá a estrutura psicológica necessária para os grandes jogos, ou se sucumbirá à falta de tradição. A dizer pelo sucesso dos atletas em seus clubes isso não será problema.



BRASIL

Time esperado: Júlio César; Dani Alves (Maicon), Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar; Hulk (Ramires/Bernard), Fred, Neymar. Téc. Luiz Felipe Scolari

Grupo: A. Com Croácia, México e Camarões.

Expectativa: Brigará pelo título

Histórico: Pentacampeã (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). 6ª colocada no último mundial.


Cafu levantou a taça
do penta em 2002
Anfitrião e dono da seleção de futebol mais bem-sucedida de todos os tempos, o Brasil recorreu ao passado para tentar trazer o hexacampeonato para casa. Desde a volta de Luiz Felipe Scolari, treinador do penta, e de Carlos Alberto Parreira, treinador do tetra, nas funções de treinador e diretor técnico, respectivamente, o Brasil , ganhou corpo, voltou a apresentar um bom futebol e a figurar entre os grandes favoritos ao título neste ano.

Contestado por grande parte da crítica brasileira, principalmente por não vir tendo uma sequência de jogo, Júlio César é o goleiro da confiança do treinador brasileiro e sua presença (a não ser que se lesione) já foi confirmada por Felipão. A opção que, certamente, estará na Copa é Jefferson do Botafogo e reserva imediato na Copa das Confederações. Já a terceira vaga está em aberto, Victor do Atlético Mineiro e Diego Cavalieri do Fluminense disputam a vaga. 

Apesar do bom retorno do lateral direito Maicon nos últimos amistosos, a titularidade da posição parece assegurada nos pés de Daniel Alves, opção escolhida durante a maior parte dos jogos desde a Copa de 2010. Já a esquerda é de Marcelo, que mostra-se mais controlado e tecnicamente é excelente. Seu reserva será, provavelmente, o lateral Maxwell do PSG, que, a exemplo de Maicon, se destacou quando esteve em campo nos amistosos, passando à frente de Filipe Luís. 

Última escalação do Brasil
Os  zagueiros brasileiros titulares estão definidos. Thiago Silva, o capitão, e David Luiz são titulares indiscutíveis desde o fim da última Copa do Mundo e o início da preparação para esta. Firmes, técnicos e entrosados, são um dos principais pontos fortes do selecionado canarinho. Quem também está confirmado na seleção é o zagueiro Dante. A quarta vaga ainda está em aberto, Marquinhos, Dedé, Réver, Henrique e Miranda estão no páreo por ela.

Fixo na contenção, Luiz Gustavo é o titular e protetor da defesa brasileira. Desde que Felipão retornou, a opção por um “volante-volante” voltou a ser regra, e, após vencer uma disputa inicial contra o Fernando, então no Grêmio, e hoje no Shakhtar Donetsk, Luiz é peça chave do esquema verde-amarelo. Outro ponto que pesa a seu favor é a versatilidade. Pelo Brasil também atuou na lateral-esquerda e por seus clubes já fez a função de zagueiro. Seu companheiro de meio-campo é Paulinho, jogador que tem liberdade para sair jogando e aparecer como elemento surpresa no ataque. Na ausência deles os nomes fortes para desempenharem suas funções são Lucas Leiva e Ramires, respectivamente.

Na criação das jogadas há uma linha de três meias-atacantes. Oscar é o armador da equipe, dono do melhor passe e da maior visão de jogo. Neymar, que atua pela esquerda, é a estrela da seleção, jogador mais habilidoso, decisivo e imprevisível da equipe. Já o lado direito deve ser ocupado por Hulk, jogador mais utilizado pelo treinador. Apesar de enfrentar muita resistência do público brasileiro, o atacante, que  também tem a responsabilidade de marcar o lateral adversário, se firmou. Na sua ausência, deverão jogar Ramires, se o treinador fizer uma escolha defensiva ou Bernard, se a opção for um lançar a equipe ao ataque.

O centroavante, em circunstâncias normais, será Fred, matador de ofício, bom com a bola nos pés e dono de ótima média de gols pela seleção. Se não for possível utilizar o atacante do Fluminense, a opção natural será do Atlético Mineiro, contudo, a convocação de Robinho sinalizou uma possibilidade de o Brasil atuar com um “falso nove”.

Com a autoestima em dia, demonstrando um futebol condizente com sua história, e tendo a seu favor o fator-casa o Brasil é candidatíssimo ao título e pode trazer para casa seu sexto troféu.


2 comentários :

  1. Esse time da Belgica dará trabalho. Mas a zaga é um grande problema. Van Buyten, Vertonghen e Alderweireld estão sendo pouco aproveitados em seus clubes. Esses laterais eu não conheço(não acompanho o futebol belga).

    Uma formação boa para mim seria com três zagueiros, deixando o Dembele como um meia armador. Lukaku se lesionou nessa ultima partida pelo Everton. Se ficar fora da Copa vai ser uma grande perda.

    Courtois; Vermalen, Komapany, Vertonghen; Fellaini, Witsel, Nainggolan; Mirallas, Dembele, Hazard; Lukaku;(Como pode ver, eu gosto de 3-6-1).

    Já o Brasil, por causa do entrosamento que eles tem no Chelsea, penso que o Willian brigará por uma vaga nesse time. E o Ramires acabará ficando com a vaga do Paulinho.

    Para mim o gol vai o grande problema. É um grande risco levar um goleiro que nem está jogando. Ainda mais para ser titular. E no ataque o Diego Costa fará muita falta. Acho que nem o Fred quanto o Jo o substituirão o altura.

    Um cara que eu levaria para seleção seria o P. Coutinho. Está jogando demais no Liverpool. Pena que o Felipão levará o Robinho, que nem chutar para o gol sabe.

    Para mim, o Brasil só leva o caneco se a torcida empurrar! VAI BRASIL!

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  2. Seria interessante ver essa variação tática na Bélgica, talvez resolvesse o problema das laterais! Concordo que o Diego Costa é uma perda e que o Coutinho merecia uma chance no Brasil, sendo realista não creio que o Paulinho perca a vaga (embora prefira o Ramires) e acharia um avanço a troca do Hulk pelo William, que também não acho que vá acontecer...

    Se o Brasil fizer o que contra a Espanha dificilmente será batido.

    Grande abraço.

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