quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Times de que Gostamos: Nottingham Forest 1978-1980

No retorno da seção “Times de que Gostamos” trago à memória dos amantes do futebol o fantástico time do Nottingham Forest do período temporada 1978-1980, quando os Foresters chegaram ao topo da Europa.


Primeira fila: Mills, Robertson, Bowyer, Barrett, Needham, Viv Anderson, Kenny Burns;
Segunda fila: Martin O'Neill, O'Hare, Montogomery, Shilton, Lloyd, Jimmy Gordon (Auxiliar Técnico);
Assentados: Birtles, Woodcock, McGovern, Peter Taylor (Auxiliar Técnico), Brian Cough (Treinador), Francis e Gray.


Time: Nottingham Forest

Período: 1978/1980

Time Base: Shilton; Viv Anderson, Clark (Gray), Burns, Lloyd; McGovern, Archie Gemmil (Trevor Francis), Martin O’Neill (Ian Bowyer), Robertson; Woodcock, Birtles. Téc. Brian Clough

Conquistas: Uma Copa da Liga Inglesa, uma FA Charity Shield, duas UEFA Champions League e uma Supercopa da UEFA.

Com quase um século e meio de história, o Nottingham Forest nunca foi um dos gigantes da Inglaterra. Vindo do subúrbio da pequena cidade de Nottingham, que hoje conta com aproximadamente 300 mil habitantes, o time tem sua história dividida em duas partes completamente distintas, como “duas eras”. A primeira deve ser conhecida como Pré-Clough e a segunda como Pós-Clough.

Ocorre que os maiores feitos do Forest até a chegada do treinador Brian Clough haviam sido as duas conquistas da FA Cup, em 1989 e 1959. Pouco para um time que possui quase uma século e meio de existência (foi fundado em 1865).

Veio, então, o ano de 1975 e o treinador foi contratado, contando em seu currículo com um título inglês e uma chegada às semifinais da UEFA Champions League pelo modesto Derby County. A partir de sua contratação o Nottingham se fez conhecer.

Combinando experiência e juventude e recrutando jogadores nas divisões inferiores da Inglaterra, Clough escreveu na história do futebol dois capítulos, dedicando um ao Nottingham Forest e o outro a si mesmo, um dos grandes treinadores de todos os tempos.

Defendendo a meta dos Foresters, estava um dos jogadores mais emblemáticos da história do futebol inglês, Peter Shilton (foto). Personagem das histórias de Leicester City, Stoke City, Southampton, Derby County, Seleção Inglesa (onde ele é o recordista de aparições, com 125), e, claro, do Nottingham Forest, o goleiro é tido como um dos três maiores de todos os tempos na Terra da Rainha, ao lado de Gordon Banks, seu predecessor e David Seaman, seu sucessor. Dono de impressionantes reflexos, defendeu o Nottingham entre 1977 e 1982.

Pelas laterais atuaram dois jogadores de simbolismo único. O flanco direito era ocupado por Viv Anderson e o esquerdo por Larry Lloyd. O primeiro será sempre lembrado por ter sido o primeiro atleta negro a vestir a camisa da Seleção Inglesa. Um pouco desengonçado, mas, indubitavelmente, eficiente tanto defensiva quanto ofensivamente, Anderson convenceu, o então treinador do selecionado inglês, Ron Greenwood de que no campo o que importa é o futebol, e não a cor. Do outro lado Lloyd é figura lembrada por ter sido um dos experientes contratados por Brian Clough. Já vencedor e tendo sido treinado pelo histórico Bill Shankly no Liverpool, o lateral esquerdo tornou-se uma das referências do Nottingham.

A dupla de zaga foi inicialmente formada pelo experiente Frank Clark e por Kenny Burns (foto). O primeiro foi um defensor muito técnico e capaz de desempenhar qualquer papel na linha de defesa. Mas, apesar de suas boas credenciais, Clark já chegou ao Nottingham aos 32 anos – após 13 no Newcastle, e, depois da conquista do primeiro título europeu, em 1979, decidiu encerrar a carreira. Quem assumiu seu posto foi o escocês Frank Gray, que ocupou bem a posição de seu antecessor, mas, em 1981 decidiu retornar ao Leeds United, clube que defendeu em mais de 300 partidas. Companheiro dos dois, Burns é lembrado por sua eficiência defensiva, mas também por ter marcado gols importantes como o decisivo tento contra o Barcelona na Supercopa da UEFA de 1979

Postado, imediatamente, à frente da defesa jogou o maior líder da equipe no campo: McGovern (foto). O volante escocês chegou ao clube também por indicação de Clough que o havia treinado no Derby County. Raçudo, o trinco  disputou mais de 250 partidas pela equipe e coube a ele mais um elogio ao treinador Brian Clough: “Ele certamente não aceitava a mediocridade. Alguns jogadores apareciam pensando que acertar três bons passes em cinco era suficientemente bom. Ele diria a esses jogadores que eles seriam sortudos se, acertando quatro passes em cinco, ainda continuassem na equipe. Ele sempre estava em busca da perfeição.”

Com menos atribuições defensivas atuaram três meio-campistas. Mais centralizados jogavam Archie Gemmil e Martin O’Neill (foto). Um pouco mais aberto pelos flancos atuou Robertson. Os dois primeiros tinham características mais voltadas para a organização do jogo, já o último era mais incisivo e, frequentemente, unia-se à linha de atacantes da equipe. Outros dois jogadores que muito atuaram pelo meio campo dos Foresters foram Trevor Francis, que suplantou Gemmil (e levou à sua saída do clube) e Ian Bowyer, que, somadas as duas passagens que teve pelo clube, disputou mais de 400 partidas pela equipe.

Mais à frente, a dupla de atacantes foi formada por Garry Birtles (foto) e Tony Woodcock. Centroavantes de características semelhantes, cabia aos dois a função de balançar as redes adversárias. Birtles tinha mais presença de área e Woodcock mais habilidade, mas, na frente da baliza rival, ambos eram implacáveis.

Além dos titulares a equipe dispunha de outros jogadores úteis como o defensor Needham, e os atacantes John O’Hare e Gary Mills, mas, nunca é demais ressaltar, a importância do treinador Brian Clough (foto). Trabalhando incansavelmente e sempre em busca da perfeição, ele transformou jogadores de segunda divisão e pouco sucesso em campeões e levou um clube, até então, sem grandes feitos ao topo do futebol inglês e europeu. 

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da FA Charity Shield de 1978: Nottingham Forest 5x0 Ipswich Town

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: P. Reeves

Público 68.000

Gols: Martin O’Neill (duas vezes), Withe, Lloyd e Robertson (Nottingham Forest)

Nottingham Forest: Shilton; Viv Anderson, Barrett, Burns, Lloyd; McGovern, Archie Gemmil, Martin O’Neill, Robertson; Peter White (Needham) e Woodcock. Téc. Brian Clough

Ipswich Town: Cooper; Burley, Parker, Osman, Mills; Talbot, Wark, Woods; Gates, Paul Mariner, Whymark (Turner). Téc. Bobby Robson

Final da Copa da Liga Inglesa de 1979: Nottingham Forest 3x2 Southampton

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: P. Reeves

Público 96.952

Gols: ’16 David Peach e ’88 Holmes (Southampton); ’51 e ’79 Birtles, ’83 Woodcock (Nottingham Forest)

Nottingham Forest: Shilton; Barrett, Clark, Needham, Lloyd; McGovern, Archie Gemmil, Martin O’Neill, Robertson; Birtles e Woodcock. Téc. Brian Clough

Southampton: Gennoe; Golac, Nicholl, Waldron, Peach; Holmes, Williams, Alan Ball; Curran, Boyer e Hayes (Sealy). Téc. Lawrie McMenemy

Final da UEFA Champions League de 1979: Nottingham Forest 1x0 Malmö FF

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Erich Linemayr

Público 57.000

Gol: ’45 Francis (Nottinhgam Forest)

Nottingham Forest: Shilton; Viv Anderson, Clark, Burns, Lloyd; McGovern, Ian Bowyer, Trevor Francis, John Robertson; Birtles e Woodstock. Téc. Brian Clough

Malmö FF: Möller; Kent Jonsson, Roland Andersson, Magnus Andersson, Erlandsson; Tapper (Malmberg), Ljungberg, Prytz, Kinnvall; Tommy Hanson (Tommy Andersson) e Tore Cervin. Téc. Bob Houghton

Final da Supercopa da UEFA de 1979: Barcelona 1x1 Nottingham (2x1 para os ingleses no agregado)

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Walter Eschweiler

Público 80.000

Gols: ’25 Roberto Dinamite (Barcelona); ’42 Burns (Nottingham Forest)

Barcelona: Artola; Serrat (Esteban Vigo), Migueli, Olmo; Estella, Júlian Rubio, Asensi, Tente Sánchez; Carrasco, Roberto Dinamite, Simonsen. Téc. Rifé

Nottingham Forest: Shilton; Viv Anderson, Frank Gray, Burns, Lloyd; McGovern, Bowles, Trevor Francis (Martin O’Neill), Robertson; Charlie George, Birtles. Téc. Brian Clough

Final da UEFA Champions League de 1980: Nottingham Forest 1x0 Hamburgo

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: António Garrido

Público 50.000

Gol: ’20 Robertson (Nottingham Forest)

Nottingham Forest: Shilton; Viv Anderson, Gray (Gunn), Burns, Lloyd; McGovern, Gary Mills (O’Hare), Martin O’Neill, Ian Bowyer, Robertson; Birtles. Téc. Brian Clough

Hamburgo: Kargus; Nogly, Jakobs, Buljan, Kaltz; Hieronymus (Hrubesch), Memering, Felix Magath, Kevin Keegan; Reimann, Milewski. Téc. Branko Zebec 

3 comentários :

  1. Esse time era realmente muito bom... parecia de ferro... Os caras eram muito consistentes... Shilton era uma lenda - e deve ser lembrado que disputava a posição na seleção com outra lenda Ray Clemence, do Liverpool (não fosse assim teria feito ainda mais partidas pelo escrete inglês) ... O Anderson era muito bom ... o Martin O'Neil foi da histórica seleção irlandesa que foi à copa (time muito bom defensivamente)... o Francis foi o jogador mais caro do mundo e, durante um tempo, jogou por dois times, fazendo os campeonatos americano e inglês - faltou a ele, talvez, ser mais constante e deslanchar em um clube - em 82 todo mundo achava que ele e Keegan fariam grande nome na copa, mas nada... o Woodcock era ótimo, rápido e habilidoso - jogou depois no time muito bom do Colônia, onde perfilava no ataque ao lado de Littibarski, Allofs e Fischer, e foi treinado pelo lendário Michels ...

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  2. Aê meu amigo Wladmir,uma coisa que eu não entendo, é como que a FIFA não faz uma copa do mundo novamente na Inglaterra,poxa o que não falta na Inglaterra é estadio.Quase que dava pra fazer uma Copa do mundo só em Londres.Olha só quantos estadios tem em londres.
    Wembley-onde só jogam as finais de campeonato e a seleção Inglesa.
    Emirates Stadium-Arsenal
    Stamford Bridge-Chelsea
    Boleyn Ground-West Ham
    White Hart Lane-Totemham
    Craven Cottage-Fulham
    Loftus Road-QPR
    Estadio olimpico de Londres-Sem dono,ou sendo utilizado pelo Westham.
    Só em londres ja tem 8 Estadios,4 com grande capacidade, e os outros so iriam precisar de ampliação,é pra fechar as sedes, vc tem os dois estádios de manchester,e mais o do liverpool,e escolheria mais um entre o do Sunderland,Stoke city,Aston villa,Espero muito que a Copa de 2026 seja na terra da rainha.

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    1. É verdade meu caro. Já está na hora de uma nova Copa da Terra da Rainha... Melhor que o Catar 2022...

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