quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Times de que Gostamos: Sporting CP 2001-2002

Após lembrar o mítico time do Nottingham Forest do período entre 1978-1980, clube que conquistou a Champions por duas vezes, rememoro o excelente time do Sporting Lisboa da temporada 2001-2002, o último a conquistar o Campeonato Português e a Taça de Portugal no mesmo ano.


Em pé: Jardel, Quiroga, Beto, André Cruz, Pedro Barbosa, Nélson;
Agachados: Paulo Bento, Hugo Viana, João Pinto, Rodrigo Tello e Diogo.

Time: Sporting CP

Período: 2001-2002

Time Base: Nélson (Tiago); Beto (César Prates), Phil Babb, André Cruz, Rui Jorge; Paulo Bento, Rui Bento; Pedro Barbosa, Hugo Viana (Ricardo Quaresma), João Pinto; Jardel. Téc. Lazslo Bölöni.

Conquistas: Campeonato Português, Taça de Portugal e Supertaça Cândido de Oliveira (Supertaça).


Time que conquistou inúmeras glórias em sua história, o Sporting Clube de Portugal viveu na temporada 2001-2002 sua última campanha de grandes vitórias. Na ocasião, o clube lisboeta conquistou o Campeonato Português, a Taça de Portugal e a Supertaça lusa. Contando em seu elenco com um misto de experiência e juventude – vinda das revelações Hugo Viana e Ricardo Quaresma – o rugido dos leões se fez escutar por todo o território lusitano.

No Campeonato Português, o Sporting teve o melhor ataque, com 74 gols marcados, e a segunda melhor defesa, com 25 sofridos, foi o time que mais venceu, 22 vezes, e também o que menos perdeu, três vezes. Além disso, teve o artilheiro absoluto do torneio, Mário Jardel, ou simplesmente Jardel. O centroavante brasileiro, ídolo do Porto, marcou 42 gols em 30 jogos, marca impressionante que fez dele, ainda, o vencedor da “Bota de Ouro” da UEFA como o maior goleador da Europa na temporada.

No gol sportinguista havia uma disputa pela posição. Após a saída do histórico Peter Schmeichel, o clube viveu uma época sem certezas no gol. Até a chegada do goleiro Ricardo, Nélson Pereira (foto) e Tiago Ferreira revezaram-se. Sem nenhuma grande característica destacável, mas também sem nenhuma deficiência alarmante, a equipe viveu a temporada revezando os arqueiros. Ambos passaram muitos anos no clube, mas sempre na reserva. Nélson chegou em 1997 e deixou o clube em 2006, já Tiago defendeu o clube entre 1995 e 2012.

A dupla de zaga foi composta pelo inglês, que defendeu a seleção irlandesa, Phil Babb e pelo brasileiro André Cruz (foto). Babb chegou ao clube após se destacar no Liverpool, clube que defendeu entre 1994 e 2000, e é lembrado por ter sido um defensor rápido, bom nos desarmes e com bom tempo de bola. Contudo gostava de ir ao ataque, deixando, por vezes, a defesa desguarnecida. Já André Cruz, zagueiro brasileiro que disputou a Copa do Mundo de 1998, era técnico, tinha bom posicionamento e era excelente na cobrança de faltas: sua canhota era especial.

Pelas laterais atuaram Beto (zagueiro improvisado) (foto), pela direita, e Rui Jorge, pela esquerda. Naturalmente, Beto jogava mais resguardado, sendo praticamente um zagueiro pelo lado direito. A opção ofensiva para a lateral direita leonina era o brasileiro César Prates, que atacava muito, mas não defendia com muita qualidade. Outro ponto forte de César eram as cobranças de faltas. Pela esquerda, jogou Rui Jorge, lateral histórico no país. Tendo passado muitos anos no Porto e no Sporting, firmou-se como um dos principais laterais da seleção portuguesa, que defendeu em 45 jogos, entre 1994 e 2004. Não tinha nenhuma qualidade excepcional, mas cumpria seu papel com muita eficiência.

A dupla de volantes foi composta por Paulo Bento (foto) e Rui Bento. Marcadores aplicados, Paulo e Rui (que não são parentes) formaram uma dupla bem complementar. Enquanto Rui limitava-se às tarefas defensivas, atuando também como zagueiro, Paulo defendia e também ajudava na criação das jogadas, percorrendo toda a faixa do meio campo, incansavelmente. Fortes nos desarmes, Paulo e Rui garantiam a consistência defensiva da equipe e também serviam de alicerce para a equipe.

Na criação das jogadas, atuaram três meio-campistas com boa chegada ao ataque: Pedro Barbosa, João Pinto (foto) e Hugo Viana.  O primeiro entrou para a história do Sporting. Atuando por 10 anos em Alvalade, Pedro Barbosa será sempre lembrado por suas arrancadas, que demonstravam sua grande velocidade, habilidade e técnica. Jogou 259 jogos pela equipe e anotou 39 gols. 

O segundo – João Pinto – ficou marcado como um dos grandes jogadores da geração de ouro de Portugal (junto de outras craques como Rui Costa e Luis Figo) e também pelo forte temperamento. Jogando na meia ou no ataque, inteligente, ágil e driblador, é lembrado com carinho pela torcida dos leões . Por último, Hugo Viana foi o meia mais cerebral da equipe. Com ótima visão de jogo e bom passe, fez uma bela temporada e foi vendido ao Newcastle.

No centro do ataque sportinguista atuou o “poste” brasileiro Jardel. Gênio do cabeceio, “Super Mário” será sempre lembrado pela fantástica marca de 42 gols em 30 jogos pelo clube. Não era um jogador talentoso, tampouco finalizava bem com os pés, mas, quando o assunto era bola aérea, era realmente diferenciado. Sua estatura, tempo de bola e qualidade no movimento fizeram dele um dos maiores artilheiros do futebol mundial na década de 90 e no começo deste século.

Além dos 11 titulares, a equipe contava com um 12º jogador: Ricardo Quaresma (foto). Imberbe, o driblador espantou o país com sua qualidade técnica. Suas finalizações e cruzamentos de trivela e de letra encantaram o mundo. Prontamente, o Barcelona contratou-o. Além dele, o clube contou com outros jogadores de boa qualidade técnica no banco, sobretudo o defensor Facundo Quiroga, que podia atuar em qualquer posição da defesa e os atacantes Marius Niculae, autor de gols importantes na campanha do Sporting, e Sá Pinto.

O treinador foi Laszlo Bölöni, antigo meio-campista romeno, que trouxe em seu currículo uma longa passagem pelo Nancy-FRA e também pela seleção de seu país.


Ficha técnica de alguns jogos importantes da equipe nesse período:

1ª rodada do Campeonato Português: Sporting CP 1x0 FC Porto

Estádio José Alvalade, Lisboa

Árbitro: Lucílio Baptista

Público: 40.000

Gol: ’69 Marius Nicuale (Sporting)

Sporting CP: Nélson; César Prates, Rui Bento, André Cruz, Rui Jorge; Paulo Bento, Diogo, Pavel Hórvath (Hugo), João Pinto; Marius Nicuale e Sá Pinto (Quaresma). Téc. Laszlo Bölöni

FC Porto: Ovchinnikov; Hugo Ibarra, Jorge Costa, Jorge Andrade, Mário Silva; Costinha, Paredes (Clayton), Capucho, Söderström; Pena (Paulinho Santos) e Hélder Postiga (Paulo Costa). Téc. Octávio Machado

33ª rodada do Campeonato Português: Vitória de Setúbal 2x2 Sporting CP (jogo do título)

Estádio Bonfim, Setúbal

Árbitro:  Vítor Pereira

Público 16.000

Gols: ’31, ’49 Jardel (Sporting CP); ’39 Sandro, ’41 Hugo Henrique (V. Setúbal)

Sporting CP: Nélson; Beto, Phil Babb, André Cruz, Rui Jorge; Paulo Bento, Rui Bento (Nalitzis); Pedro Barbosa (Rodrigo Tello), João Pinto, Ricardo Quaresma (César Prates); Jardel. Téc. Laszlo Bölöni

Vitória de Setúbal: Cândido; Paulo Ferreira, Hugo Costa, Hugo Alcântara, Rui André; Hélio, Sandro (Ico), Jorginho, Jean Paulista (Meyong); Marco Ferreira (Rogério), Hugo Henrique. Téc. Luís Campos 
                 
Final da Taça de Portugal: Sporting CP 1x0 Leixões

Estádio Nacional do Jamor, Oeiras

Árbitro: Olegário Benquerença

Público 37.500

Gol: ’40 Jardel (Sporting CP)

Sporting CP: Nélson; Quiroga, Beto, André Cruz, Rui Jorge; Paulo Bento (César Prates), Rui Bento; Pedro Barbosa (Ricardo Quaresma), João Pinto; Jardel e Nalitzis (Hugo Viana). Téc. Laszlo Bölöni

Leixões: Ferreira; Sérgio Abreu, Barros (Cerqueira), Nuno Silva, José António; Odé (Tozé), Abílio, Besirovic, Pedras (Bruno China); Detinho, Antchouet. Téc. Carlos Carvalhal

Final da Supertaça de Portugal: Sporting 5x1 Leixões

Estádio Bonfim, Setúbal

Árbitro: João Ferreira

Público 16.000

Gols: ’32, ’83 Ricardo Fernandes, ’47 Marius Niculae, ’54 Kutuzov, ’87 Carlos Martins (Sporting CP); ’90 Antchouet (Leixões)

Sporting CP: Tiago; Beto, Hugo, Contreras, Rui Jorge (César Prates); Paulo Bento, Ricardo Fernandes, Toñito, Ricardo Quaresma (Carlos Martins); Kutuzov e Niculae (Danny). Téc. Laszlo Bölöni

Leixões: Rui Marcos; Sérgio Abreu, Zamorano (Pedras), Néné, Nuno Silva (Marco Aleixo), Zé António; Bruno China, Abílio, Guerra (Besirovic); Israel, Antchouet. Téc. Carlos Carvalhal

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