sábado, 22 de fevereiro de 2014

Juventus, copropriedades e sucesso

Celebro o post nº 150 deste blog, apresentando um pouco de uma das práticas mais incompreendidas e interessantes do futebol italiano, lembrando seu bem-sucedido uso pela Juventus.


O futebol italiano, já faz algum tempo, difundiu a prática da compra de jogadores no sistema de copropriedade. Da existência de tal uso muitos sabem, mas, em muitas ocasiões, seu funcionamento não é corretamente entendido. O que é a copropriedade?

Por vezes, um clube contrata um jogador – jovem na maioria das vezes – e, ou por não ter necessidade imediata de contar com os préstimos do atleta ou, simplesmente, por não ter tanta certeza dos frutos que o jogador poderá render, decide vender 50% do “passe” do atleta por um custo baixo à outro clube interessado. Feita a venda, o jogador passa a atuar, como se estivesse apenas emprestado, pelo clube que comprou a metade de seus direitos.

Reprodução: juventiknows.com - Esquema de copropriedade
Importante ressaltar que, para que se realize essa prática, é necessário que o jogador envolvido no negócio possua, no mínimo, dois anos de contrato vigente com o clube que está disponibilizando para o mercado os 50% de seu atleta.

“Emprestado”, o jogador fica por um ano no clube e, ao final, acontecem novas tratativas para definir seu destino. As opções são: renovar a copropriedade por mais uma temporada ou um dos clubes comprar os 50% do outro.

E se ambos desejaram comprar a parte que lhes falta? Simples, o negócio se realiza “às escondidas”. Como? Ambos os clubes, sem o conhecimento da outra parte, apresentam em envelopes fechados suas propostas de compra e, quem oferecer o maior montante, assegura a integralidade do “passe” do jogador em questão (vale ressaltar, que, normalmente, se os clubes fizerem propostas iguais, o atleta fica no time onde jogou por último).

Importante ressaltar, ainda, que o jogador poderá ser emprestado à um terceiro.

Essa prática privilegiou, ao longo da história, os grandes clubes italianos – sobretudo a Juventus. Mestres do negócio, os Bianconeros souberam lidar, como poucos, com o risco que envolve a questão. Um caso famoso da atuação da Juve ocorreu na década de 70, quando a equipe de Turim dividia a propriedade do passe de Paolo Rossi (foto) (carrasco brasileiro na Copa do Mundo de 1982) com o Vicenza. Na hora de decidir quem ficaria com a integralidade dos direitos do jogador, os dois clubes estavam interessados e, matreiramente, a Juventus deu a entender que faria uma proposta indecorosa pelo atacante. Não foi o que aconteceu.

A Juve ofereceu cerca de 600 mil liras e os Lanerossi 2.600 mil. Resultado, a transferência tornou-se a mais cara da história do futebol italiano, faliu o Vicenza e na temporada seguinte a Juventus contratou o atacante. Essa negociata, que não teve nenhuma irregularidade, só foi possível em razão do sigilo do negócio.

Contudo, atualmente a Lega Calcio (liga que comanda o futebol italiano) admite que não tem conseguido fiscalizar a prática com a devida atenção, e, tanto a liga quanto os clubes têm manifestado a intenção de por fim a essa prática histórica, o que, segundo informação do periódico italiano La Gazzetta dello Sport, pode mesmo acontecer.

Independentemente do que ocorrer, não se pode deixar de ressaltar os sucessos obtidos e obteníveis pela Juventus nos longos anos de vigência do sistema de copropriedade. Nos tempos mais recentes, a Juventus conseguiu, em uma só tacada, a integralidade da propriedade de Fabrizio Micolli, Enzo Maresca e Giorgio Chiellini (foto), aproveitando-se das dificuldades financeiras vividas pela Viola. Os três  jogadores foram contratados por 6,7 milhões de euros. Outros exemplos foram as transferências de Emanuele Giaccherini, junto ao Cesena, Mauricio Isla e Kwadwo Asamoah, junto à Udinese e, ainda, a contratação de Sebastian Giovinco, caso mais interessante.

O “formiga atômica” apareceu como uma das grandes esperanças da base da Juventus, mas teve grandes dificuldades em se firmar na equipe quando ascendeu aos profissionais. Assim, após empréstimo ao Empoli, Giovinco partiu em copropriedade para o Parma que comprou 50% de seus direitos por 3 milhões de euros. Ao final da copropriedade, o jovem havia se tornado um dos grandes jogadores do campeonato italiano e, por 11 milhões de euros, o alvinegro readquiriu os outros 50%. Bom para o Parma que lucrou 8 milhões e também para a Juventus que viu uma de suas apostas evoluir exponencialmente.

Está mais que provado o bom manejo desta situação pela equipe de Turim. E já há jogadores com potencial para seguirem os passos de Giovinco. Os atacantes Ciro Immobile (vice-artilheiro do campeonato italiano, pelo Torino, com 13 gols), Domenico Berardi (terceiro na artilharia da competição, pelo Sassuolo, com 12 gols) e Manolo Gabbiadini, destaque do ataque da Sampdoria, são copropriedades da Juventus. Por serem jovens e demonstrarem futebol de ótimo nível, são possibilidades concretas de compra para os Bianconeros.




Mesmo que se finde a prática da copropriedade, estes três ainda poderão mudar-se, em definitivo, para Turim. E, convenhamos, falando do histórico da Juve, mesmo que a copropriedade seja extinta, o clube não pode reclamar, pois, se utilizando da copropriedade, a equipe já alcançou, muitas vezes, grande sucesso

Um comentário :

  1. Muito interessante seu blog, tratando de assuntos interessantes como a co-propriedade e relembrando times que fizeram história como o villarreal 2005/2006 :D

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