quarta-feira, 5 de março de 2014

Times de que Gostamos: Bayern de Munique 1973-1976

Depois de lembrar o excelente e vitorioso time do Galatasaray do período entre 1999-2000, quando a equipe contou, dentre outros, com Gheorghe Hagi e Taffarel, trago um pouco do que muitos consideram ser o melhor Bayern de Munique de todos os tempos, o tricampeão europeu.


Em pé: Beckenbauer, Kapellmann, Torstensson, Schwarzenbeck, Dürnberger, Roth, Gerd Müller, Breitner, Hoeness e Udo Laterk (Treinador). Agachados: Zobel, Hadewicz, Jensen, Robl, Maier e Hansen. 

Time: Bayern de Munique

Período: 1973-1976

Time base: Sepp Maier; Johnny Hansen, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Paul Breitner (Udo Horsmann); Franz Roth, Jupp Kapellmann, Bernd Dürnberger; Karl-Heinz Rummenigge, Gerd Müller e Uli Hoeness. Téc. Udo Latek e Dettmar Cramer

Conquistas: Tricampeão da UEFA Champions League, Campeão alemão e do Intercontinental.

Se hoje quem dá as cartas no futebol alemão e europeu é o Bayern de Munique de Manuel Neuer, Arjen Robben, Frank Ribery, Bastian Schweinsteiger e Philipp Lahm, no passado, cerca de 40 anos atrás, o futebol germânico e do velho continente submeteu-se ao poder do incrível Bayern de Munique de Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Karl-Heinz Rummenigge e Gerd Müller.

Apesar do grande número de esquadrões que os bávaros já tiveram em sua história, o time que reinou nos anos 70 é, ainda hoje, tido como o melhor de sempre. Evoluído taticamente, bom com a bola nos pés e consistente como poucos na história do futebol mundial, o time, que foi “criado” pelo treinador Udo Latek e “lapidado” por Dettmar Cramer, foi sublime.

Tricampeão da Europa, campeão alemão e do Mundial Interclubes, esse time foi um dos grandes responsáveis pela afirmação do Bayern no rol dos gigantes do futebol mundial.

Considerando um país que contou com goleiros do calibre de Oliver Kahn, Jens Lehmann, Bodo Illgner, Harald Schumacher e hoje conta com Manuel Neuer, a tarefa de definir o melhor golquíper da história da Alemanha torna-se no mínimo inglória. No entanto, muitos não hesitam ao afirmar: Sepp Maier (foto) foi o maior de todos. Titular dos bávaros entre 1965 e 1979, foi formado no clube e esteve em quatro Copas do Mundo, levando o caneco em 1974. Sua marca eram seus absurdos reflexos, os quais lhe renderam o apelido de “Gato”. Com a aposentadoria dedicou-se à função de treinador de goleiros, a qual desempenhou entre 1988 e 2008, na seleção alemã e no Bayern.

As laterais da equipe foram preenchidas, inicialmente, por Johnny Hansen – pela direita – e Paul Breitner (foto) – pela esquerda. Hansen, dinamarquês, chegou ao clube em 1970, vindo do Nürnberg, e permaneceu até 1976. Dono de características defensivas, foi um excelente defensor, eleito, inclusive, o melhor jogador de seu país em 1967. Só deixou os bávaros para retornar ao clube que o formou. Já Breitner, atleta mitificado, fez valer sua fama. É um dos poucos defensores da história a marcar mais de 100 gols na carreira e a anotar gols em mais de uma final de Copa do Mundo. Lateral esquerdo de vocação ofensiva deixou o Bayern logo em 1974, indo para o Real Madrid, e retornou em 1978.

Para o lugar de Breitner o clube contou com Udo Horsmann, atleta que não dispunha nem de longe nem de perto da qualidade técnica de seu antecessor mas cumpriu muito bem o seu papel defensivo. Atuou no clube entre 1975 e 1983.

A zaga foi formada por Hans-George Schwarzenbeck e pelo Kaiser Franz Beckenbauer (foto). O primeiro foi um jogador vitoriosíssimo. Além de ter dedicado 15 anos de sua carreira ao Bayern – seu único clube – também foi peça importante nos títulos da Eurocopa de 1972 e da Copa do Mundo em 1974 com a Alemanha. Já Beckenbauer dispensa maiores apresentações. Extraordinariamente técnico, o “defensor” (se é que se pode denomina-lo assim) revolucionou o futebol mundial. Seja como líbero, zagueiro, volante ou, até mesmo, meia, aliou categoria, segurança e senso tático ímpares. Está na  prateleira dos maiores de todos os tempos, indubitavelmente.

O meio-campo foi formado pela tríade Franz Roth (foto), Jupp Kapellmann e Bernd Dürnberger. Roth, o cão de guarda do time, ficou conhecido como “o Touro”. Com muita garra e um estilo de jogo muito “físico” foi peça vital no esquema do Bayern, clube que defendeu por 12 anos. O volante ficou marcado, ainda, por ter marcado gols importantes como nas finais da UEFA Champions League de 1975 e 1976.

Kapellmann, também afeito às tarefas defensivas foi o principal parceiro de Roth, defendendo o clube entre 1973 e 1979. Versátil, também podia jogar na zaga ou ainda na lateral. Já Dürnberger desempenhou um papel mais relacionado à armação que propriamente à contenção. Um dos mais jovens da equipe, é mais um que defendeu apenas os bávaros, entre 1972 e 1985.

Na frente, o outro trio da equipe foi formado, na maior parte das vezes, por Karl-Heinz Rummenigge, Gerd Müller (foto) e Uli Hoeness. Mais jovem dentre os titulares da equipe, Rummenigge firmou-se como um dos maiores jogadores da história do Bayern e do futebol alemão. Contratado em 1974, aos 18 anos, foi peça muito importante da equipe – embora só tenha sido protagonista no final da década. Habilidoso, fez mais de 160 gols pelo clube e disputou quase 100 partidas pela seleção.

Gerd Müller, por sua vez, não ficou conhecido por seu talento e habilidade e sim por sua letalidade. Artilheiro por natureza e matador por opção, Müller marcou mais de 400 gols em 15 anos de clube. Pela seleção alemã tem média de gols superior a um por jogo e foi, até ser ultrapassado por Ronaldo, em 2006, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Por fim, Uli Hoeness, foi outra peça de habilidade no ataque bávaro, importante tanto na criação das jogadas quanto na finalização das mesmas, fez muito sucesso entre 1970 e 1979. É o atual presidente do clube.

Além dessa constelação de craques, os treinadores Udo Latek e Dettmar Cramer contaram com jogadores de muito talento no banco e que frequentemente atuavam entre os titulares. Dentre eles é preciso ressaltar o defensor sueco Björn Andersson, o meio-campista alemão Rainer Zobel e o também sueco atacante Conny Torstensson (foto), opção muito utilizada em qualquer posição do ataque bávaro.


Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

17ª rodada do Campeonato Alemão: Bayern de Munique 4x3 Borussia Monchengladbach

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Walter Engel

Público 70.000

Gols: ‘4 Roth, ’20 Müller, ’23 Zobel, ’64 Hoeness (Bayern); ‘6 Wimmer, ’18 Jensen e ’88 Bonhof (Borussia)

Bayern: Sepp Maier; Hansen, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner; Roth, Zobel, Dürnberger; Hoeness, Hadewicz e Gerd Müller. Téc. Udo Lattek

Borussia: Kleff; Vogts, Sieloff, Wimmer; Köppel, Kulik, Danner, Bonhof; Rupp, Jensen e Jupp Heynckes. Téc. Hennes Weisweiler        

Final da UEFA Champions League 1974: Bayern 4x0 Atlético de Madrid

Estádio Heysel, Bruxelas

Árbitro: Alfred Delcourt

Público 23.325

Gols: ’28 e ’82 Hoeness, 56 e 69 Müller (Bayern)

Bayern: Maier; Hansen, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Breitner; Roth, Zobel, Kapellmann; Hoeness, Torstensson e Müller. Téc. Udo Latek

Atlético: Reina; Delgado Melo, Adelardo Rodríguez (Benegas), Heredia, Capón; Luis Aragonés, Eusebio, Salcedo; Gárate, Fernández (Ufarte) e Becerra. Téc. Juan Carlos Lorenzo

Final da UEFA Champions League 1975: Bayern 2x0 Leeds United

Estádio Parc des Princes, Paris

Árbitro: Michel Kitabdjian

Público 48.374

Gols: ’72 Roth e ’78 Müller (Bayern)

Bayern: Maier; Andersson (Weiss), Schwarzenbeck, Beckenbauer, Kapellmann; Roth, Zobel, Dürnberger; Hoeness (Wunder), Torstensson e Gerd Müller. Téc. Dettmar Cramer

Leeds: David Stewart; Reaney, Hunter, Frank Gray, Paul Madeley;  Yorath (Eddie Gray), Giles, Bremner; Lorimer, Jordan e Clarke. Téc. Jimmy Armfield

Final da UEFA Champions League 1976: Bayern 1x0 Saint-Etiénne

Estádio Hampden Park, Glasgow

Árbitro: Károly Palotai

Público 54.864

Gol: ’57 Roth (Bayern)

Bayern: Maier; Hansen, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Horsmann; Roth, Kapellmann, Dürnberger; Rummenigge, Hoeness e Gerd Müller. Téc. Dettmar Cramer

St. Etiénne: Curkovic; Repellini, Osvaldo Piazza, Christian López, Gérard Janvion; Santini, Larqué, Bathernay; Sarramagna (Rocheteau), Patrick Revelli e Hervé Revelli. Téc. Robert Herbin

Final do Mundial Interclubes 1976: Bayern 2x0 Cruzeiro

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Luis Pestarino

Público 22.000

Gols: ’80 Müller e ’82 Kapellmann (Bayern)

Bayern: Maier; Andersson, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Horsmann; Dürnberger, Kapellmann, Hoeness; Rummenigge, Torstensson e Gerd Müller. Téc. Dettmar Cramer

Cruzeiro: Raul; Nelinho, Moraes, Ozires, Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Eduardo; Palinha, Joãozinho (Dirceu Lopes) e Jairzinho. Téc. Zezé Moreira        

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