quarta-feira, 16 de abril de 2014

Times de que Gostamos: Benfica 1960-1962

Após lembrar o recente time do Monaco finalista da UEFA Champions League na temporada 2003-2004, falo um pouco sobre o fantástico time do Benfica da década de 60, com ênfase no triênio 1960-1962.


Em pé: Angelo, Cruz, João, Cavém, Germano e Costa Pereira.
Agachados: Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões.
Time: Benfica

Período: 1960-1962

Time base: Costa Pereira; Mario João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, Eusébio, José Augusto (Santana), Simões e Águas. Téc. Béla Guttmann

Conquistas: Campeonato Português, Taça de Portugal e Bicampeonato da UEFA Champions League.


Um time eternizado por seus feitos. A equipe que bateu o Barcelona, dos craques húngaros Sándor Kócsis e Zoltán Czibor, do “multinacional” László Kubala (defendeu as seleções Tchecoslovaca, Húngara, Espanhola e Catalã) e do brasileiro Evaristo de Macedo, e o Real Madrid, de Di Stéfano e Ferenc Puskas, jamais poderá ser esquecida. O esquadrão, que quebrou a hegemonia Merengue na UEFA Champions League e esboçou a Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa do Mundo de 1966, merece toda a glória possível.

Trabalhada para jogar como os húngaros de 1954, a equipe do Benfica do início da década de 60 assustou pela beleza e ousadia de seu futebol. Treinado por Béla Guttmann – treinador húngaro que “criou” Ferenc Puskas e Jószef Bozsik, no modesto Kispesti AC, e passou, dentre outros clubes pelo Milan, São Paulo e seleção húngara –, o escrete adotou o famoso esquema tático WM. Traduzindo-o para a atualidade seria uma espécie de 3-2-5. Impensável nos dias atuais? Talvez. Mas revolucionário à época.

Com intensa movimentação e a presença, sobretudo, de dois cracaços de bola, os moçambicanos Eusébio e Mário Coluna, o Benfica, à exemplo dos magiares de 54, trouxe ataque massivo e impressionante capacidade de confundir os adversários. Não fosse o Peñarol de Luis Cubilla e o Santos de Pelé, poderia ter sido ainda maior.

A meta Encarnada tinha o goleiro Costa Pereira (foto). Outro jogador nascido em Moçambique – ainda colônia lusa – defendeu o Benfica por treze anos (entre 1954 e 1967), sendo titular em 10 deles. Conquanto tenha se tornado uma figura extremamente representativa no clube, ficou notabilizado por alguns frangos históricos e clamorosos. O mais famoso deles é, provavelmente, o sofrido na final da UEFA Champions League de 1963, contra a Internazionale. Pela seleção portuguesa atuou 22 vezes. É corriqueiramente escolhido o melhor goleiro da história do clube.

A linha de defesa, composta pelo zagueiro direito Mario João, pelo zagueiro central Germano de Figueiredo (foto) e pelo zagueiro esquerdo Ângelo Martins apresentava uma qualidade impressionante – o que era imprescindível, dada a “ousadia” do esquema tático. Mário João começou sua empreitada no Benfica como meia-esquerda, treinado, então, pelo brasileiro Otto Glória. Com a chegada de Guttmann, foi colocado no lado da defesa Encarnada. Polivalente, podia jogar na direita ou na esquerda.

Germano de Figueiredo, um dos portugueses que figuraram  em uma lista de 60 melhores jogadores europeus dos últimos 50 anos, feita pela UEFA em 2004, ficou conhecido por seu primor técnico e classe, chegando a atuar no meio-campo e no ataque em várias ocasiões. Já Ângelo Martins, que é lembrado como “O Sarrafeiro”, era o menos sutil da defesa. Para os Benfiquistas o apelido é retrato de sua dedicação e de seu brio.

Como a defesa não era tão protegida, cabia a Fernando Cruz uma atenção especial ao setor. Mais um jogador conhecido pela polivalência, podia atuar na lateral esquerda ou ainda mais recuado na defesa central. É difícil explicar o que seria no futebol atual. Um volante? Talvez.

Falando em versatilidade, ao lado de Cruz atuou um dos jogadores mais híbridos da história. Domiciano Cavém, era aquele atleta que todo técnico deseja. Atuava no meio-campo, ofensivo ou defensivo, no ataque, ao centro ou pelas pontas, e, ainda, na lateral direita – sempre com qualidade. Em mais de 400 jogos marcou mais de 100 tentos. Conta-se que era supersticioso. Certa vez sonhou que, se mantivesse a barba, venceria a partida seguinte. Até sua morte teria se arrependido de não ter atuado na final da UEFA Champions League, de 1963, com barba.

Mais à frente, havia um apoteótico quinteto difícil de explicar. Mario Coluna (foto à direita), “o monstro sagrado” seria o regente da ópera Encarnada. Capitão português em 1966, foi o motor do Benfica. O jogo elegante e os passes precisos marcaram o atleta que, além de tudo, é ainda lembrado por sua força no vestiário, exercendo notável liderança.

Pelos lados do ataque jogaram José Augusto, pela direita, e António Simões, pela esquerda. O primeiro jogava muito aberto, tendo como características principais o bom cruzamento e a forte bola aérea. Do outro lado, Simões – que foi apelido de “Rato Mickey” – notabilizou-ser por ser um grande driblador e o principal assistente do time.

"Sobraram" dois: Eusébio (foto à esquerda) e José Águas (foto à direita). O gênio e o artilheiro. Os dois maiores artilheiros da história das Águias. Águas, artilheiro por essência, fazia gols de todos os tipos. Pelo Benfica foram 377 em 379 jogos. Já Eusébio, maior jogador português de todos os tempos, era a verdadeira magia. O “Pantera Negra” é lenda. Era rápido, driblador, forte e artilheiro. Entretanto, tudo isso junto não descreve com precisão o maior de todos os lusos.  Em 440 jogos marcou 473 gols. Eusébio, que faleceu neste ano, é mito.

No banco de reservas, além do inovador e interessantíssimo treinador Béla Guttmann (foto) haviam alguns jogadores muito importantes. Para a defesa, José Neto, para o meio-campo, Joaquim Santana e para o ataque, José Torres (estes dois últimos ganhariam a titularidade nos anos seguintes), um verdadeiro poste de 1,91m que, ao fim de sua passagem no Benfica, confirmou-se um dos maiores artilheiros da história do clube com 226 gols em 259 jogos.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da UEFA Champions League de 1960-1961: Benfica 3x2 Barcelona

Estádio Wandkorf, Berna

Árbitro: Gottfried Dienst

Público 26.732

Gols: ’31 Águas, ’32 Rammalets (contra), ’55 Coluna (Benfica); ’21 Kocsis e ’75 Czibor (Barcelona)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Neto; Santana, Coluna, Eusébio, Cavém,  José Augusto, Águas. Téc. Béla Guttmann

Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana, Grácia; Verges, Garay; Luis Suárez, Kocsis, Kubala, Czibor e Evaristo. Téc. Enrique Orizaola

Replay do Mundial de Clubes de 1961: Peñarol 2x1 Benfica

Estádio Centenario, Montevidéu

Árbitro: José Praddaude

Público 60.241

Gols: ’35 Eusébio (Benfica); ‘5 e ’40 José Sasía (Peñarol)

Peñarol: Luis Maidana; W. Martínez, Cano, Gonçalves, Walter Aguerre; E. González, Cubilla; Ernesto Ledesma, Juan Joya, Alberto Spencer, José Sasía. Téc. Roberto Scarone

Benfica: Costa Pereira; Ângelo, José Neto, Humberto Fernandes; Cruz, Cavém; Coluna, Simões, José Augusto, Eusébio, Águas. Téc. Béla Guttmann

Quartas de finais da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 6x0 Nuremberg

Estádio da Luz, Lisboa

Árbitro: Gino Rigato

Público 55.000

Gols: ‘3 Águas, ‘4 e ’55 Eusébio, ’21 Coluna, ’63 e ’78 José Augusto (Benfica)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Coluna; Cavém, Simões, José Augusto, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann.

Nuremberg: Strick; Wenauer, Hilpert, Derbfuss; Wild, Reisch, Müller; Zenger, Strehl, Morlock, Flachenecker. Téc. Herbert Widmayer

Final da UEFA Champions League de 1961-1962: Benfica 5x3 Real Madrid

Estádio Olímpico, Amsterdã

Árbitro: Leo Horn

Público: 61.257

Gols: ’25 Águas, ’33 Cavém, ’50 Coluna, ’63 e ’69 Eusébio (Benfica); ’18, ’23, ’40 Puskas (Real Madrid)

Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano, Ângelo; Cruz, Cavém; Coluna, José Augusto, Simões, Eusébio e Águas. Téc. Béla Guttmann

Real Madrid: Araquistáin; Casado, Santamaría, Miera; Felo, Pachín; Di Stéfano, Del Sol, Tejada, Gento, Puskas. Téc. Miguel Muñoz  

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