segunda-feira, 26 de maio de 2014

A aposta palmeirense que pode quebrar paradigmas

Sempre que um time brasileiro troca de treinador, as mesmas opções são ventilados pela imprensa. Nomes consagrados sempre voltam a ser cogitados. Uma vez ou outra, há a lembrança de alguma nova possibilidade que conseguiu algum sucesso e está em ascensão. Esse é o quadro do futebol brasileiro, tão óbvio quanto falido.




Na contramão, o Palmeiras, que está claramente aquém das pretensões de seu torcedor para o ano de seu centenário, inovou. Apostando num conceito diferente, contratou Ricardo Gareca, argentino ex-Vélez Sarsfield. Uma escolha que pode levar à quebra de paradigmas no Brasil.

Muito tem se falado da falência do futebol brasileiro, que apresenta um jogo pouco atraente, com muitos erros de passes, baixa qualidade técnica e enorme quantidade de faltas. Esquemas táticos óbvios e times excessivamente voltados para a marcação afastam, cada dia mais, o torcedor dos estádios.

Quando o Palmeiras demitiu Gilson Kleina e apostou, inicialmente, num contato com Vanderlei Luxemburgo, que já tivera duas passagens pelo alviverde mas não faz nenhum trabalho sólido há muitos anos, o futebol brasileiro viu-se, novamente, numa situação corriqueira. Entretanto, devido à sua nova política financeira, o clube não fechou com Luxemburgo, e, apostou, por fim, em Ricardo Gareca.

Otamendi, Tobio e Bella refletem o bom trabalho de base
Para quem não sabe de quem se trata, Gareca foi o comandante do Vélez Sarsfield no interregno entre 2009 e 2013, período em que conquistou três vezes o Campeonato Argentino e deu chances a vários jogadores jovens, como os zagueiros Fernando Tobio, Nicolás Otamendi, o lateral direito Gino Peruzzi e os meias Lucas Romero, Agustín Allione, Héctor Canteros, Iván Bella e Ricky Álvarez.

Além disso, durante sua passagem por El Fortín, o clube virou sinônimo de futebol bem jogado, com força, muita técnica e coração. O trabalho só não foi melhor devido às campanhas na Copa Libertadores da América, que foram abaixo das expectativas.

Importante ressaltar, ainda, o orçamento  que o treinador teve disponível nesse período. Em toda a sua passagem, a contratação que mais onerou os cofres do José Amalfitani foi a do meio campista Augusto Fernández (pré-convocado para a atual Copa), que custou 2,42 milhões de libras e foi contratado após as vendas de Otamendi, Jonathan Cristaldo e Marco Torsiglieri, que somadas geraram quase 15 milhões de libras de lucro. Se serve como comparação, o meia Wesley chegou ao Palmeiras, em 2012, por cerca de 6 milhões de euros.

Resta, muito evidente, a grande capacidade do treinador em gerir um clube financeiramente débil, apostando e dando moral para a garotada das canteras e se reforçando com um ou outro jogador experiente (o que não necessariamente precisará fazer no verdão).

No Palmeiras, ainda que não haja uma situação confortável, em termos financeiros, a condição é bem melhor do que aquela que detinha nos tempos do Vélez. Além disso, a condição de treinamento, a estrutura, é bem superior.
Hoje no City, Pellegrini é exemplo da qualidade sul-americana

Outro ponto interessante de ser levado em consideração, é a necessidade que o próprio treinador tem de apresentar um trabalho de qualidade fora da argentina, pois isto poderia render-lhe a afirmação em nível mundial, como aconteceu, por exemplo, com o chileno Manuel Pellegrini, bem sucedido na Argentina.

O idioma, tema sempre tratado quando especula-se a contratação de um treinador estrangeiro, pode ser um entrave para o sucesso do treinador, mas está longe de ser uma condição determinante, até porque, com boa vontade, é totalmente possível o entendimento entre o argentino e seus comandados, mesmo porque, o time já possui falantes do castelhano, casos de Jorge Valdivia, Mauricio Victorino, Sebastián Eguren e William Mendieta, capazes de fazer a interação.

Como qualquer aposta, a contratação de Gareca representa um risco, mas, se bem sucedida, a opção do Porco pode representar um bem enorme para todo o país. Precisamos nos reinventar e talvez – reconheçamos – isso passe pelo aprendizado com outras escolas. 

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