quarta-feira, 21 de maio de 2014

Times de que Gostamos: Napoli 1988-1990

No último post da série, o grande San Lorenzo do início do século XXI foi o objeto de análise. Nesta semana, trato do excepcional time do Napoli das temporadas 1988-1989 e 1989-1990, que contou com uma maravilhosa dupla, Diego Maradona e Careca.


Em pé: Giuliani, Francini, Ferrara, Crippa, Maradona.
Agachados: De Napoli, Carannante, Fusi, Careca, Neri e Renica.







Time: Napoli

Período: 1988-1990

Time base: Giuliani; Ferrara, Renica, Corradini (Baroni), Francini; Alemão, Fusi (Crippa), De Napoli e Diego Maradona; Careca e Carnevale. Téc. Ottavio Bianchi/Alberto Bigon

Conquistas: Copa da UEFA e Campeonato Italiano.


Um time bem composto, um gênio e um matador. Assim se define o grande time do Napoli do final da década de 80. Os Ciucciarelli brilharam em uma época em que o campeonato italiano era o expoente máximo do futebol bem jogado. O Milan tinha Maldini, Baresi e Van Basten, a Inter os alemães Brehme, Matthäus e Klinsmann, a Juventus o dinamarquês Michael Laudrup e, ainda havia, a Sampdoria de Toninho Cerezo, Pagliuca, Roberto Mancini e Gianluca Vialli.

Apesar de o Campeonato contar com tantos times de excelente qualidade, nenhum deles, exceto o Napoli, tinha um gênio, um “semideus” de chuteiras. Diego Armando Maradona, El Pibe de Oro, abrilhantava o Campeonato Italiano. Sorte dos napolitanos, que passaram a figurar entre os grandes do país e desfrutaram um dos melhores, senão o melhor, momento de sua história.

A qualidade do time também rompeu as fronteiras da Bota, e a equipe conquistou a Copa da UEFA, batendo, durante seu percurso, equipes como o Bordeaux, Juventus, Bayern de Munique e o finalista Stuttgart, do atacante Jürgen Klinsmann.

Defendendo a meta napolitana, o goleiro Giuliano Giuliani (foto) não tinha a qualidade de outros goleiros italianos de seu tempo. Todavia, também não comprometia. Vindo do Verona, esteve no clube justamente nas temporadas 1988-1989 e 1989-1990, participando das grandes vitórias do clube. Pela Seleção Italiana, disputou os Jogos Olímpicos de 1988. Morreu em 1996, aos 38 anos, em decorrência de complicações causadas pela AIDS.

As laterais da equipe tinham dois jogadores de características defensivas. Pelo lado direito, jogava Ciro Ferrara (foto), ídolo do clube e, posteriormente, da Juventus, que tinha bom vigor físico e implacável capacidade de marcação (com o tempo firmou-se na zaga). O atleta foi um típico defensor italiano. Pelo outro lado, atuou Giovanni Francini, também afeito ao trabalho defensivo. Os dois atletas estão entre os que mais vestiram a camisa do Napoli. Ferrara é o quatro colocado, com 322 jogos disputados. Por sua vez, Francini ocupa  a vigésima posição, com 250 partidas.


Durante a temporada 1988-1989, a defesa foi formada por Alessandro Renica (foto) e Giancarlo Corradini. Defensores muito fortes, formavam com os laterais uma defesa quase intransponível. O primeiro atuou na equipe entre 1985 e 1991, enquanto o segundo chegou do Torino em 1988, permanecendo na equipe até 1994, ocasião em que encerrou a carreira. Corradini consolidou, ainda, a 24ª posição na lista dos jogadores que mais vestiram a camisa napolitana, com 230 partidas. Na temporada seguinte, com a chegada de Marco Baroni, Renica perdeu a condição de titular, passando a ser um reserva importante.

À frente da defesa, os Azzurri tinham três meio-campistas de grande qualidade. Na contenção, o brasileiro Alemão (foto abaixo, à esquerda), ex-Botafogo, e o italiano Luca Fusi montavam uma impressionante guarda. A dupla tinha uma dura responsabilidade: garantir total liberdade para os jogadores  ofensivos da equipe, sobretudo, Maradona. A conquista de títulos consigna a qualidade da dupla de volantes. Alemão também ficou marcado por marcar um dos gols da final da Copa da UEFA.

Um pouco mais avançado, havia o meia Fernando De Napoli. Fazendo a transição do jogo napolitano, buscando a bola com os volantes e conduzindo a equipe ao ataque, o jogador foi importantíssimo. No total, disputou 242 jogos pelo time e representou a Squadra Azzurra na Copa do mundo de 1990.

Livre para fazer acontecer, Maradona (foto, à direita) era o grande craque do Napoli, o maior de todos os tempos. Com uma canhota que dispensa comentários, o argentino protagonizou lances de rara beleza, dribles de impressionante precisão, assistências assombrosas e, especialmente, marcou gols, muitos gols. Capitão da equipe, Maradona é o 13º jogador que mais vezes envergou o manto celeste do Napoli, sendo, também, o maior artilheiro da história do clube, com 115 gols.

Adiante, a equipe tinha as presenças de um dos melhores centroavantes da história do futebol brasileiro e de um bom atacante italiano. Careca (foto, em foco) e Carnevale formaram uma grande dupla de ataque. O ex-atacante de Guarani e São Paulo era a estrela do ataque, o matador, sendo vital para o sucesso da equipe. Nos 221 jogos que disputou pelo clube, marcou 95 gols, marca que lhe garante a sexta posição no ranking dos maiores artilheiros do Napoli. Já o italiano foi um excelente coadjuvante, marcando muitos e importantes gols. Em 154 jogos, anotou 47 tentos.

Na temporada 1988-1989, quando conquistou a Copa da UEFA, o Napoli foi treinado por Ottavio Bianchi, ex-jogador do próprio clube e responsável pela montagem do time. Alberto Bigon, seu sucessor, conseguiu dar continuidade no trabalho, mantendo o clube numa senda de títulos. No banco de reservas havia, ainda, a presença de alguns bons nomes, mormente, o lateral Antonio Carannante, o meia Massimo Crippa (foto), substituto imediato de qualquer dos meio-campistas, e Massimo Mauro, contratado em 1989. Este período marcou, ainda, a ascensão de Gianfranco Zola, grande ídolo do Chelsea.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Semifinal da Copa da UEFA 1988-1989: Napoli 2x0 Bayern de Munique (Jogo de Ida)

Estádio San Paolo, Nápoles

Árbitro: Michel Vautrot

Público 77.593

Gols: ’41 Careca e ’60 Carnevale (Napoli)

Napoli: Giuliani; Ferrara, Renica, Corradini, Francini; Alemão, Fusi, De Napoli, Maradona (Carannante); Careca e Carnevale. Téc. Ottavio Bianchi

Bayern: Aumann; Johnsen (Grahammer), Augenthaler, Thon; Reuter, Dorfner, Flick, Nachtweih, Kögl; Ekström (Eck), Wohlfarth. Téc. Jupp Heynckes

Final da Copa da UEFA 1988-1989: Napoli 2x1 Stuttgart (Jogo de Ida)

Estádio San Paolo, Nápoles

Árbitro: Gerasimos Germanakos

Público 83.000

Gols: ’68 Maradona e ’87 Careca (Napoli); ’17 Gaudino (Stuttgart)

Napoli: Giuliani; Ferrara, Renica, Corradini (Crippa), Francini; Alemão, Fusi, De Napoli, Maradona; Careca e Carnevale. Téc. Ottavio Bianchi

Stuttgart: Immel; Schmäler, Allgöwer, Buchwald, Schafer, Schröder; Katanec, Hartmann, Sigurvinsson; Gaudino e Fritz Walter (Zietsch). Téc. Arie Haan

7ª rodada do Campeonato Italiano 1989-1990: Napoli 3x0 Milan

Estádio San Paolo, Nápoles

Árbitro: Pierluigi Pairetto

Público 62.283

Gols: ’19 e ’45 Carnevale e ’84 Maradona (Napoli)

Napoli: Giuliani; Ferrara, Baroni (Zola), Fusi, Francini; Alemão, Crippa, De Napoli, Maradona; Careca e 
Carnevale (Mauro). Téc. Alberto Bigon

Milan: Galli; Tassotti, Costacurta, Baresi, F. Galli; Rijkaard (M. Simone), Ancelotti, Stroppa (Lantignotti), Colombo, Evani; Borgonovo. Téc. Arrigo Sacchi

9ª rodada do Campeonato Italiano 1989-1990: Napoli 2x0 Inter de Milão

Estádio San Paolo, Nápoles

Árbitro: Carlo Longhi

Público 78.630

Gols: ’75 Careca e ’84 Maradona (Napoli)

Napoli: Giuliani; Ferrara, Baroni, Corradini (Mauro); Alemão (Bigliardi), Fusi, Crippa, De Napoli, Maradona; Careca e Carnevale. Téc. Alberto Bigon

Inter de Milão: Zenga (Malgioglio); Verdelli, Ferri, Bergomi, Brehme; Mandorlini, Berti, Matthäus, Matteoli; Morello e Klinsmann. Téc. Giovanni Trapattoni       

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