sexta-feira, 20 de junho de 2014

Craques das Copas: 1938 e 2002

Após falar dos craques das Copas do Mundo de 1934 e 2006, os italianos Giuseppe Meazza e Fabio Cannavaro, faço uma homenagem a um grande talento dos anos 30, o austríaco Matthias Sindelar, candidatíssimo a craque da Copa de 1938, que, em função da ascensão do nazismo, deixou de disputar a competição. Além disso, falo dos grandes destaques da Copa de 2002.





1938 – MATTHIAS SINDELAR (AUT)

Ficha técnica

Nome: Matthias Sindelar

Data de nascimento/falecimento: 10 de fevereiro de 1903/ 23 de janeiro de 1939

Local de nascimento: Viena, Áustria

Carreira: Austria Wien (1924-1939)

Títulos: Campeonato Austríaco (1926), Copa da Áustria ( 1925, 1926, 1933, 1935 e 1936), Mitropa Cup (1933 e 1936), pelo Austria Wien.


A menção ao craque da Copa do Mundo 1938 caberia, perfeitamente, ao brasileiro Leônidas da Silva ou ao italiano Silvio Piola, contudo, o fato de ter acontecido a ascensão do nazismo, e a consequente anexação da Áustria a Alemanha,  não permitiu que uma das grandes estrelas do futebol da época disputasse sua segunda Copa do Mundo. Eleito o segundo melhor jogador da Copa do Mundo de 1934, Matthias Sindelar foi o grande craque do Wunderteam (tido como um dos times que inspiraram o Toaalvoetbal, consagrado pela Holanda na década de 70), o maior esquadrão de craques da história da Áustria.

Quarta colocada em 34, eliminada na semifinal pela campeã Itália (1x0), a Seleção Austríaca iria à Copa do Mundo de 1938 disposta a corrigir o deslize cometido nos quatro anos anteriores. Entretanto, com a anexação a Alemanha, os jogadores austríacos foram forçados a atuar pela seleção germânica e alguns, como foi o caso de Sindelar, se recusaram.

Conhecido por sua notória habilidade, pela qualidade de seus dribles, elegância e criatividade, recebeu dois apelidos. Pela qualidade de seu futebol, passou a ser chamado de o “Mozart do futebol”. Por outro lado, em decorrência de sua fraca composição física e grande capacidade de se desvencilhar de seus marcadores, também ficou conhecido como Der Papierene – o homem de papel.

Sindelar estreou pela Seleção de seu país em 1926, aos 23 anos e, já nesta partida, deixou sua marca. Em 43 aparições (impressionantes 25 vitórias, 11 empates e sete derrotas), marcou 27 gols. Ainda hoje, quase oitenta anos após sua última partida pelo escrete austríaco, ocupa posição respeitável na artilharia geral da Áustria. Seus 27 gols lhe renderam a sexta posição entre os grandes marcadores de sempre.

Matthias Sindelar, cujas origens são tchecas, ganhou status de mito em função de, além de ter sido um jogador formidável, ter sido um símbolo da resistência ao regime nazista. Em 1938, naquela que viria a ser sua última partida defendendo sua pátria, liderou sua Seleção contra os alemães. Ao final do encontro, o placar registrava 2x0 para os austríacos, um dos tentos anotado por Sindelar. Diz a "fábula" que conta este fato, que o craque comemorou efusivamente os gols de sua Seleção, provocando as autoridades nazistas, as quais sempre se recusou a sequer cumprimentar.

Um ano depois desta partida, quando já optara pela aposentadoria – para diminuir as pressões para defender a Seleção Alemã –, em 1939, Sindelar foi encontrado morto. As causas de seu triste e precoce fim jamais foram esclarecidas, muito embora a versão oficial do fato tenha registrado um envenenamento por monóxido de carbono como a causa da morte.

Pelo exposto, a série Craques das Copas presta uma homenagem a Matthias Sindelar, que, mais uma vítima do regime nazista e candidato a craque em 1938, não pôde disputar a competição. Para o historiador Wolfgang Maderthaner, Sindelar está para os austríacos no mesmo patamar que Pelé para nós brasileiros, de tal forma que ganhou, posteriormente, o apelido de “Pelé do Danúbio”.

2002 – RONALDO E RIVALDO (BRA)

Ficha técnica

Nome: Ronaldo Luís Nazário de Lima

Data de nascimento: 22 de setembro de 1976

Local de nascimento: Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Carreira: Cruzeiro (1993-1994), PSV Eindhoven (1994-1996), Barcelona (1996-1997), Internazionale (1997-2002), Real Madrid (2002-2007), Milan (2007-2008) e Corinthians (2009-2011)

Títulos: Copa do Brasil (1993), Campeonato Mineiro (1994), pelo Cruzeiro, Copa da Holanda (1996), pelo PSV, Supercopa da Espanha (1996), Copa da Espanha (1997), Recopa Europeia (1997), pelo Barcelona, Copa da UEFA (1998), pela Internazionale, Mundial de Clubes (2002), Campeonato Espanhol (2003 e 2007), Supercopa da Espanha (2003), pelo Real Madrid, Campeonato Paulista (2009), Copa do Brasil (2009), pelo Corinthians, Copa do Mundo (1994 e 2002), Copa América (1997 e 1999) e Copa das Confederações (1997), pelo Brasil

Ficha técnica

Nome: Rivaldo Vítor Borba Ferreira

Data de nascimento: 19 de abril de 1972

Local de nascimento: Paulista (PE), Brasil

Carreira: Santa Cruz (1990-1992), Mogi Mirim (1992-1994), Corinthians (1993-1994), Palmeiras (1994-1996), Deportivo La Coruña (1996-1997), Barcelona (1997-2002), Milan (2002-2004), Cruzeiro (2004), Olympiacos (2004-2007), AEK Athens (2007-2008), Bunyodkor (2008-2010), São Paulo (2011), Kabuscorp (2012), São Caetano (2013), Mogi Mirim (2014)

Títulos: Campeonato Pernambucano (1990), pelo Santa Cruz, Campeonato Brasileiro (1994), Campeonato Paulista (1995), pelo Palmeiras, Campeonato Espanhol (1997-1998 e 1998-1999), Copa del Rey (1998), Supercopa Europeia (1997), pelo Barcelona, UEFA Champions League (2003), Copa da Itália (2003), Supercopa Europeia (2003), pelo Milan, Campeonato Mineiro (2004), pelo Cruzeiro, Campeonato Grego (2005, 2006, 2007), Copa da Grécia (2005 e 2006), pelo Olympiacos, Campeonato do Uzbequistão (2008 e 2009), Copa do Uzbequistão (2008), pelo Bunyodkor, Copa das Confederações (1997), Copa América (1999) e Copa do Mundo (2002), pelo Brasil


Gênios indissociáveis em 2002, Ronaldo e Rivaldo foram os grandes craques da Copa daquele ano. Se o fantástico goleiro alemão, Oliver Kahn, foi eleito o melhor jogador da competição, seus fatais deslizes na final, combinados com a absurda qualidade de Ronaldo e Rivaldo, trazem a consideração da dupla brasileira como os destaques do torneio.

Além da evidente qualidade técnica de que dispunham, e por mais que tivessem suas desavenças (reveladas pelo próprio treinador canarinho, Luiz Felipe Scolari), juntos os craques pareciam um só, tal o seu entrosamento. A final da Copa deixou completamente evidente este fato. O primeiro gol brasileiro saiu dos pés de Ronaldo, após rebote concedido por Kahn em chute de Rivaldo. Já o segundo gol, também anotado por Ronaldo, só foi possível graças ao magistral corta-luz de Rivaldo.


Curiosamente, os dois grandes destaques da Seleção Brasileira – que ainda contava com a ascendente estrela de Ronaldinho Gaúcho – chegaram ao Japão e a Coreia do Sul com problemas físicos. Ronaldo, como é de conhecimento público, recuperava-se das lesões nos joelhos e também tinha problemas musculares, que também atingiam Rivaldo.

Na completude do torneio, a dupla marcou treze gols (oito de Ronaldo e cinco de Rivaldo), frutos da genialidade dos jogadores. Enquanto Rivaldo assombrava o mundo com sua capacidade de leitura de jogo, qualidade de passe e finalizações extremamente precisas, Ronaldo mostrava um faro de gol incomum, arrancadas belíssimas e dribles desconcertantes. Assim, camisa 10 e camisa 9, se completavam. O ataque brasileiro foi o mais positivo da Copa, com 18 gols, e, na primeira fase – onde todas as nações disputam o mesmo número de jogos – também o foi, com 11 tentos, junto com a Alemanha (que marcou oito tentos apenas contra a Arábia Saudita).

Se o prêmio de melhor da Copa do Mundo coube à Oliver Kahn, o de melhor do ano, concedido pela FIFA, chegou às mãos de Ronaldo. Rivaldo, que deixou o Barcelona e se transferiu para o Milan após a Copa do Mundo, ocupou a quinta posição, atrás de Kahn, Zinedine Zidane e de seu compatriota Roberto Carlos.

Ao final de suas participações na Seleção Brasileira, os gênios apresentavam uma respeitável média de gols. Em 74 partidas, Rivaldo marcou 34 gols. Ronaldo, por sua vez, balançou as redes 67 vezes em 104 jogos. O primeiro é o 12º maior artilheiro da história brasileira e o outro o segundo, atrás, apenas, de Pelé.

Naturalmente, os dois integraram a Seleção da Copa do Mundo de 2002.

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