segunda-feira, 23 de junho de 2014

Craques das Copas: 1950 e 1998

Após homenagear o craque austríaco Matthias Sindelar, que em função da anexação da Áustria a Alemanha e de sua recusa em defender os germânicos, não pôde disputar a Copa do Mundo de 1938, e tratar dos craques da Copa de 2002, falo um pouco sobre os grandes destaques da competição de 1950 e 1998.




1950 – ZIZINHO

Ficha técnica

Nome: Thomaz Soares da Silva

Data de nascimento/falecimento: 14 de setembro de 1921/ 08 de fevereiro de 2002

Local de nascimento: São Gonçalo (RJ), Brasil

Carreira: Flamengo (1939-1950), Bangu (1950-1957), São Paulo (1957-1958), Uberaba (1959-1960) e Audax Italiano (1961-1962)

Títulos: Campeonato Carioca (1942, 1943, 1944), pelo Flamengo, Campeonato Paulista (1957), Copa América (1949), pelo Brasil


Maior craque brasileiro na Era Pré-Pelé, Zizinho é também considerado o segundo jogador brasileiro mais completo de toda a história. Ídolo de Pelé, Mestre Ziza – como ficou conhecido – tinha excepcional refino técnico, capacidade de dar os maiores dribles nos menores espaços, malícia e grande valentia. Não havia defensor capaz de intimida-lo. Entretanto, nem sua enorme genialidade foi capaz de evitar o tão lamentado e terrífico Maracanazzo. 

Atuando em casa, após 12 anos de interregno sem a emoção de uma Copa do Mundo – em razão da Segunda Guerra Mundial –, a tarefa de deixar a Taça Jules Rimet no país pela primeira vez era inglória, mas conduziria o escrete brasileiro à glória. Ladeado por grandes jogadores como Ademir de Menezes e Jair da Rosa Pinto, além do arqueiro Barbosa, Zizinho tinha que conduzir o Brasil ao topo.

O que começou arrasador com uma goleada frente ao México (4x0), perdeu um pouco de seu brilho no empate com a Suíça (2x2) e ficou sério na aplicada vitória contra a Iugoslávia (2x0), um dos gols marcados por Zizinho. No quadrangular final, duas goleadas acachapantes (7x1 na Suécia e 6x1 na Espanha) assombraram a todos e deixaram a Seleção Canarinha muito perto de seu primeiro título. Não contava o destino, que o Uruguai, que havia apenas empatado com a Espanha e conquistado vitória magra contra os suecos (3x2), nos venceria.

A dor lancinante da derrota marcou a todos os integrantes do selecionado brasileiro, mas, em especial o goleiro Barbosa – responsabilizado pela derrota contra o Uruguai – e Zizinho, um craque sem Copa. Ainda assim, o atleta, recém-transferido do Flamengo para o Bangu, foi eleito o grande craque da competição.  No Rubro-Negro carioca, é considerado, ao lado de Zico, o maior de todos os tempos.

Ao todo, Mestre Ziza envergou a camisa brasileira em 54 ocasiões, marcando 30 gols. No verbo do inolvidável Nelson Rodrigues, que garantia que ao mero anúncio do nome do craque, já se sabia quem seria o vencedor da partida, “não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho.”


O primeiro ícone de uma extensa e magnífica linhagem de meio-campistas brasileiros, que vai de nomes como Pelé, passa pelos grandes nomes das décadas de 70 e 80 até os tempos hodiernos,  Zizinho não é lembrado como merece, reflexo do longínquo ano de 1950, individualmente fantástico e coletivamente fatídico.

1998 – ZINEDINE ZIDANE

Ficha técnica

Nome: Zinedine Yazid Zidane

Data de nascimento: 23 de junho de 1972

Local de nascimento: Marselha, França

Carreira: Cannes (1989-1992), Bordeaux (1992-1996), Juventus (1996-2001) e Real Madrid (2001-2006)

Títulos: Copa Intertoto (1995), pelo Bordeaux, Serie A (1996-1997, 1997-1998), Supercoppa da Itália (1997), UEFA Super Cup (1996), Campeonato Mundial (1996), Copa Intertoto (1999), pela Juventus, La Liga (2002-2003), Supercopa da Espanha (2001 e 2003), UEFA Champions League (2001-2002), UEFA Super Cup (2002), Campeonato Mundial (2002), pelo Real Madrid, Copa do Mundo (1998) e UEFA Euro (2000), pela França.


Provavelmente o maior craque da história do futebol francês, e certamente o melhor jogador da Copa de 1998, o nome Zinedine Zidane poderia ser sinônimo de classe, elegância. Dono de técnica absolutamente refinada, passes de acuidade gigantesca, capacidade de controle e distribuição de jogo ímpares, o francês, de origens argelinas, foi o cérebro da Seleção Francesa.

Líder técnico de uma equipe que possuía jogadores da qualidade de Lilian Thuram, Didier Deschamps, Emmanuel Petit e Marcelo Desailly, Zidane fez exatamente o que dele se esperava. Como Maradona em 1986, chamou para si a responsabilidade e foi decisivo. Apesar de ter marcado apenas dois gols durante as cinco partidas que disputou, escolheu cuidadosamente a hora de marca-los. Pior para nós, brasileiros, que vimos sua estrela brilhar na finalíssima, ofuscando o Brasil do enfermo Ronaldo.

Brigando para conquistar o título em casa, Zizou pode ter entrado na competição pressionado, o que justificaria sua expulsão na goleada da Les Bleus contra a Arábia Saudita.

Como aconteceria em 2002 com Ronaldo e Oliver Kahn, Zidane não foi eleito o melhor jogador da competição, posto ocupado pelo centroavante brasileiro. Contudo, a justiça veio ao final do ano, quando a FIFA congratulou-o com o prêmio de melhor jogador do mundo do ano.

Ao final de sua carreira, o craque contabilizou 108 partidas pela França, anotando 31 gols, os quais lhe rendem a quarta colocação na artilharia de todos os tempos de sua Seleção. Além disso, é também o quarto atleta que mais vezes envergou o manto francês. Estas marcas poderiam ser ainda maiores, afinal, em 2004, após a eliminação da UEFA Euro, o craque anunciou sua aposentadoria da Seleção. Contudo, foi convencido por Raymond Domenech a retornar em 2006, quando conduziu os franceses à final.


Em entrevista recente, Zidane admitiu que, em seu país, todos queriam fazer a final contra o Brasil. Na ocasião, disse ao SporTV: “Para nós, da França, havia o desejo de jogar contra o Brasil. Todo mundo queria essa final com o Brasil. Foi uma façanha que fizemos aos poucos e que depois percebemos que ficaríamos na história do futebol francês.”  Na mesma entrevista garantiu que os franceses não se consideravam favoritos. Todavia, como veríamos, não apostar em uma equipe comandada pelo indescritível talento de Zidane era loucura.

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