sexta-feira, 27 de junho de 2014

Craques das Copas: 1954 e 1994

Depois de tratar da genialidade de Zizinho e Zinedine Zidane, craques, respectivamente, das Copas do Mundo de 1950 e 1998, falo um pouquinho sobre os fantásticos Ferenc Puskas e Romário.




1954 – FERENC PUSKAS

Ficha técnica

Nome: Ferenc Purczeld Biró                   

Data de Nascimento/falecimento: 02 de abril de 1927/ 17 de novembro de 2006

Local de nascimento: Kispest, Hungria

Carreira: Budapest Honvéd (1943-1956) e Real Madrid (1958-1966)

Títulos: Campeonato Húngaro (1949, 1950, 1952, 1954 e 1955), pelo Honvéd, Campeonato Espanhol (1960-1961, 1961-1962, 1962-1963, 1963-1964 e 1964-1965), Copa da Espanha (1961-1962), UEFA Champions League (1958-1959, 1959-1960 e 1965-1966), Mundial (1960), pelo Real Madrid, Jogos Olímpicos (1952), pela Hungria

Obcecado pelos treinamentos, apesar de ter jogado grande parte de sua carreira acima do peso, genial com a perna esquerda, ilimitadamente habilidoso e um completo gênio tático, Ferenc Puskas foi o líder da fantástica Hungria da década de 50, que protagonizou o pecado da derrota para os alemães na final da Copa do Mundo de 1954 e, tal como a Holanda de 1974 e o Brasil de 1982, seria lembrada para sempre pela revolução e grande qualidade demonstrada.

Além de sua grandiosidade individual, Puskas conseguia, ladeado por jogadores da estirpe de Joszef Bozsik, Zoltan Czibor e Sandor Kocsis, reger o coletivo com uma perfeição raras vezes vista. Na Copa do Mundo de 1954, disputou três partidas, as acachapantes goleadas contra Coreia do Sul (9x0) e Alemanha (8x3) e a fatídica final, novamente contra os alemães (2x3), nas quais anotou quatro gols. Sua marca artilheira é tão impressionante que ele é, até hoje, o maior artilheiro de uma seleção na história. Em 84 partidas disputadas, balançou as redes 83 vezes, marca que poderia ser ainda maior.

Em 1956, quando seu clube, o Honved, disputava uma partida na Bélgica, aconteceu um levante, na Hungria, contra o regime socialista, o qual foi duramente reprimido, e alguns jogadores do clube, dentre os quais Puskas, não retornaram ao país, sendo banidos da Seleção. Mais tarde, o craque defenderia a Seleção Espanhola na Copa do Mundo de 1962, atuando em três partidas sem, contudo, marcar.

Principal jogador de uma equipe histórica, Puskas também ficou conhecido por sua competitividade. Não levava desaforo para casa, não gostava e não sabia perder. Quando apanhava – e o craque apanhava muito – revidava. Sua personalidade forte e seu grande ego trouxeram-lhe alguns problemas durante sua carreira. Entretanto, sua ida para o Real Madrid, que tinha em Alfredo Di Stéfano seu líder, o engrandeceu. Apesar de sempre ter dado muito pelo coletivo no campo, fora dele gozava e gostava de sua destacada posição. Na Espanha, aprendeu a valorizar o coletivo fora dos gramados também, aumentando, ainda mais, o seu respeito.

Sua importância é tão grande que em 2009 a FIFA instituiu o Prêmio Puskas, concedido anualmente ao autor do gol mais bonito do ano.

Evidentemente, o húngaro foi eleito o grande craque da competição.

1994 – ROMÁRIO

Ficha técnica

Nome: Romário de Souza Faria

Data de Nascimento: 29 de janeiro de 1966

Local de nascimento: Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Carreira: Vasco da Gama (1985-1988), PSV (1988-1993), Barcelona (1993-1995), Flamengo (1995-1996), Valencia (1996-1998), Flamengo (1998-1999), Vasco da Gama (2000-2002), Fluminense (2002-2004), Al-Sadd (2003), Vasco da Gama (2005-2006), Miami (2006), Adelaide United (2006), Vasco da Gama (2007) e América-RJ (2009)

Títulos: Campeonato Carioca (1987 e 1988), Campeonato Brasileiro (2000), Copa Mercosul (2000), pelo Vasco da Gama, Campeonato Holandês (1989, 1991 e 1992), Copa da Holanda (1989 e 1990), Supercopa da Holanda (1992), pelo PSV, Campeonato Espanhol (1993-1994), Supercopa da Espanha (1994), pelo Barcelona, Campeonato Carioca (1996 e 1999), Copa Mercosul (1999), Copa Ouro (1996), pelo Flamengo, Campeonato do Catar (2003-2004), Copa do Catar (2003), Copa do Emir (2003), pelo Al-Sadd, Campeonato Carioca da Segunda Divisão (2009), pelo América-RJ, Sul-americano sub-20 (1985), Copa América (1989 e 1997), Copa do Mundo (1994), Copa das Confederações (1997), pelo Brasil

Grande destaque de uma seleção extremamente criticada – possivelmente a campeã mundial mais contestada da história das Copas – Romário marcou seu nome na história do futebol, em 1994. Altamente técnico, decisivo e letal, o centroavante brasileiro protagonizou grandes arrancadas, assistências e finalizações com extrema perícia e sutileza. Sempre com seu estilo descontraído e autoestima inabalável, Romário conduziu o Brasil ao título de forma incrível

Cria e ídolo do Vasco da Gama, onde é amado inabalavelmente – nem as passagens pelos rivais Flamengo e Fluminense modificaram o status do Baixinho – Romário, depois de reinar no PSV Eindhoven, era, ao lado de Hristo Stoichkov, a grande estrela do Barcelona, e vivia, possivelmente, seu ápice técnico em 1994. Nunca um atacante com tão baixa estatura foi tão gigantesco na grande área adversária. Seu 1,69m escondia a fantástica qualidade de posicionamento na grande área e facilidade para se livrar de seus marcadores.

Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, o Peixe disputou todas as partidas da Seleção Brasileira, anotando gols contra a Rússia (1), Camarões (1), Suécia (1), Holanda (1) e, novamente Suécia (1). Mas sua importância não foi restrita aos gols. Junto com Dunga, o capitão, o camisa 11 brasileiro era uma grande referência da equipe. Em 70 partidas pelo Brasil, Romário anotou 55 gols, que o colocam como o quarto maior artilheiro da história da Seleção Canarinha, atrás apenas de Pelé, Zico e Ronaldo. Em média de gols, ocupa a terceira colocação, atrás de Pelé e Ademir Menezes.

Não se pode deixar de mencionar a presença de Bebeto, que foi seu fiel escudeiro, seu grande parceiro no ataque. Entretanto, poucas vezes viu-se uma equipe ser carregada por um único jogador como o Brasil foi por Romário. E se a campanha brasileira não foi brilhante como em outras Copas, foi, ao menos, cirúrgica, precisa. No fim das contas, o Brasil mereceu o título, afinal Romário merecia.

O ponto máximo do reconhecimento de sua brilhante fase em 1994 foi o prêmio de melhor jogador do mundo, oferecido pela FIFA. Além disso, o atacante, que já havia ficado em segundo lugar em tal premiação no ano anterior, foi o vice-artilheiro da competição, com cinco gols, um atrás de Oleg Salenko e Stoichkov, os grandes artilheiros. Não havia, ainda, como não premiá-lo com a láurea de melhor jogador da Copa.

Com o final da competição, integrou o ataque da Seleção da Copa com os craques Roberto Baggio – que felizmente, para nós brasileiros, isolou seu penal decisivo – e Stoichkov, seu companheiro de Barça. O que Romário é como pessoa, suas falas e modo de agir, agradam alguns e desagradam outros, contudo, o que ele foi como jogador é inegavelmente grandioso, especialmente em 1994.

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