segunda-feira, 30 de junho de 2014

Craques das Copas: 1958 e 1990

No último post, falei dos geniosos e geniais Ferenc Puskas e Romário, craques das Copas do Mundo de 1954 e 1994, respectivamente. Neste, os nomes em foco são os de Didi e Lothar Matthäus, destaques máximos das competições de 58 e 90.





1958 – DIDI

Ficha técnica

Nome: Valdir Pereira

Data de nascimento/falecimento: 8 de outubro de 1929/ 12 de maio de 2001

Local de nascimento: Campos dos Goytacazes (RJ), Brasil

Carreira: Americano (1946), Lençoense (1946-1947), Madureira (1947-1949), Fluminense (1949-1956), Botafogo (1956-1959), Real Madrid (1959-1960), Botafogo (1960-1962), Sporting Cristal (1963), Botafogo (1964), São Paulo (1964), Botafogo (1964-1965), Veracruz (1965-1966) e São Paulo (1966) 

Títulos: Campeonato Carioca (1951) e Copa Rio (1952), pelo Fluminense, Campeonato Carioca (1957, 1961 e 1962), Torneio Rio-São Paulo (1962), pelo Botafogo, Copa do Mundo (1958 e 1962), pelo Brasil

Inventor da Folha-Seca, batida na bola semelhante à Trivela (chute com a parte externa do pé), Didi, o Príncipe Etíope – alcunha angariada graças a sua elegância em campo e refino técnico –, foi mais um talentosíssimo meio-campista brasileiro, o principal nome de uma Seleção que já possuía o jovem Pelé e o imberbe Garrincha, além de outros grandes nomes. Com o craque brasileiro, a bola rolava com grande fluência. Passes precisos e lançamentos sob medida marcavam seu jogo, que ainda apresentava dribles curtos de rara beleza, e eficiência, além de um chute extremamente preciso.

Cria das ruas fluminenses, o gênio brasileiro, por pouco, não foi obrigado a parar de praticar o futebol. Ainda aos 14 anos, machucou-se em uma pelada, e a lesão, de moderada complexidade, tornou-se uma infecção, a qual quase levou-o à amputação de sua perna. Dramas à parte, Didi se profissionalizou, e tornou-se ídolo de duas torcidas rivais, a do Fluminense e a do Botafogo, clubes em que é considerado, ainda hoje, um dos maiores jogadores de suas ricas histórias.

Em 1958, vivendo, provavelmente, o ápice máximo de sua carreira, Didi, que disputou ao todo 74 partidas pela Seleção Brasileira, marcando 21 gols, entrou em campo em todas as partidas do escrete canarinho, desde a estreia contra a Áustria (3x0), na fase de grupos (que contou, ainda, com URSS – 2x0 – e Inglaterra – 0x0), até a partida final contra os anfitriões suecos (5x2), passando pelo País de Gales (1x0) e pela França (5x2), no caminho para a primeira conquista mundial brasileira. Nos seis encontros, marcou apenas contra os franceses, nas semifinais.

Vitorioso e genial, o craque da Copa de 1958 – eleito, inclusive, pela FIFA – só teve uma grande frustração em sua extensa e bela carreira. Campeão Mundial, em 1959, foi contratado pelo gigantesco Real Madrid, onde atuaria cercado por jogadores da classe de Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskas, atletas fantásticos. Entretanto, conta-se que Di Stéfano, estrela maior da equipe, boicotava o talentoso médio brasileiro, que, rapidamente, retornou ao Botafogo.

A desilusão vivida em Madrid não impediu, contudo, que o craque canarinho continuasse a fazer história, como aconteceria em 1962, ocasião em que o Brasil foi bicampeão mundial, no Chile. Além de ser marcado pelo seu grande futebol, também ficou eternizado na história por ter marcado o gol inaugural do Maracanã.

Em 2001, o maior jogador da Copa de 1958, perdeu a batalha contra um câncer hepático e faleceu, deixando um rico legado de estilo de jogo, lances únicos e influência sobre as gerações que sucederam-no.


1990 – MATTHÄUS


Nome: Lothar Herbert Matthäus

Data de nascimento: 21 de março de 1961

Local de nascimento: Erlangen, Alemanha

Carreira: Borussia Mönchengladbach (1979-1984), Bayern de Munique (1984-1988), Internazionale (1988-1992), Bayern de Munique (1992-2000) e MetroStars (2000)

Títulos: Campeonato Alemão (1984-1985, 1985-1986, 1986-1987, 1993-1994, 1996-1997, 1998-1999, 1999-2000), Copa da Alemanha (1985-1986, 1997-1998, 1999-2000), Supercopa da Alemanha (1987), Copa da UEFA (1996), pelo Bayern de Munique, Campeonato Italiano (1988-1989), Supercopa da Itália (1989), Copa da UEFA (1990-1991), pela Internazionale, Campeão da Conferência Leste da MLS (2000), pelo MetroStars, UEFA Euro (1980), Copa do Mundo (1990), pela Alemanha

Grande vencedor e líder, Lothar Matthäus é o jogador que mais vezes envergou a camisa Die Mannschaft, com 150 partidas, distribuídas em longos 20 anos e cinco Copas do Mundo. Jogador completo, era dono de extrema técnica, podendo jogar em uma grande diversidade de posições. Meio-campista ofensivo de origem, com o tempo foi se adaptando a outras funções e terminou a carreira atuando como um excepcional líbero.

Em entrevista concedida ao site Trivela, o ex-atleta disse que sua transformação se deu em função da idade. Com o tempo, ajustou-se às funções onde, fisicamente, seria melhor aproveitado. E ninguém melhor do que Franz Beckenbauer poderia tê-lo ajudado na mudança. Treinador do craque na Copa de 1990, em que Matthäus capitaneou a Alemanha ao seu terceiro título mundial, também foi, pouco tempo depois, seu técnico no Bayern de Munique.

Em 1990, na Itália, Matthäus jogou todas as partidas da Alemanha, e marcou importantes quatro gols. Suas vítimas foram a Iugoslávia, contra quem marcou dois gols, os Emirados Árabes, e a Tchecoeslováquia, que sofreu o mais importante deles, o qual valeu a classificação às semifinais da competição. Somadas as cinco Copas do Mundo em que envergou o manto germânico, o craque jogou impressionantes 25 partidas, com 15 vitórias, quatro empates, seis derrotas, contabilizando dois vice-campeonatos e um título mundial.

No torneio, o alemão não foi eleito o melhor jogador da competição, ficando atrás do italiano Salvatore Schillaci, entretanto, ao final do ano, em eleição tradicional feita pela revista France Football, o jogador foi eleito o melhor do ano, recebendo o Ballon D’or. No ano seguinte, em 1991, com a instituição do prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA, Lothar foi eleito, novamente, o melhor jogador do mundo no ano.

Sua impressionante trajetória é marcada também pela superação. Se em 1990 vivia seu esplendor técnico, depois de colecionar títulos pelo Bayern de Munique e pela Internazionale, pouco depois passou a sofrer e conviver com lesões e problemas físicos. Em 1992, após sofrer com a ruptura dos ligamentos de seu joelho, muitos diziam que estava acabado.  Estavam inteiramente enganados, como o craque provaria disputando mais duas Copas do Mundo, uma UEFA Euro e uma Copa das Confederações.

Entre a sua estreia  internacional contra a Holanda, em 1980, e sua última partida, contra Portugal, em 2000, marcou 23 gols. Jogador moderno, foi o sucessor do grande Paul Breitner e foi sucedido por Michael Ballack, na campanha do vice-campeonato mundial de 2002.

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