quarta-feira, 2 de julho de 2014

Times de que Gostamos: Internazionale 2009-2010

Na última semana, tratei do grande time do Dynamo Kyiv, do craque ucraniano Oleg Blokhin. Nesta, falo do excepcional time da Internazionale de Milão, da temporada 2009-2010, treinado pelo grande José Mourinho.


Em pé: Chivu, Júlio César, Thiago Motta, Maicon, Lúcio, Samuel;
Agachados: Zanetti, Cambiasso, Diego Milito, Eto'o e Sneijder.


Time: Internazionale

Período: 2009-2010

Time base: Júlio César; Maicon, Samuel, Lúcio e Chivu (Javier Zanetti); Cambiasso, Thiago Motta (Stankovic), Sneijder; Pandev, Eto’o, Diego Milito. Téc.: José Mourinho/Rafa Benítez

Conquistas: Campeonato Italiano, Copa da Itália, UEFA Champions League, Supercopa da Itália e Mundial de Clubes

Após herdar dois títulos nacionais da Juventus – punida por manipulação de resultados –, a Internazionale, ou simplesmente Inter, viveu bons anos de soberania no futebol italiano. Já tetracampeã nacional, a equipe, que perdera Luis Figo, que se aposentara, e o sueco Zlatan Ibrahimovic, vendido ao Barcelona em negociação que rendeu vários milhões ao clube, além da contratação de Samuel Eto’o, queria mais. Comandada pelo “papa-títulos”  José Mourinho, o clube, já soberano no país, queria dominar o continente.

Famoso por suas inovações táticas e por conseguir extrair o melhor de seus atletas, o técnico português “inventou” um novo Samuel Eto’o, não mais preso à área, mas caindo pelas pontas, e fez com que jogadores como Diego Milito, Wesley Sneijder  e Maicon alcançassem seu auge técnico. Além disso, conquanto na maioria das partidas a Inter jogasse no 4-3-3, Mou também soube moldar a equipe no 4-4-2, que ficou famoso por “estacionar o ônibus” à frente da sua meta contra o Barcelona.

Forte em todos os setores, a Inter da temporada 2009-2010 conquistou todos os títulos possíveis. Apesar disso, já na temporada seguinte, sob o comando do contestado Rafa Benítez, a equipe começou a sofrer um forte declínio. Mas, antes disso, ainda conquistou a Supercopa da Itália e o Mundial de Clubes, contra o fraco Mazembe que surpreendera o Internacional, então treinado por Celso Roth.

Na melhor forma e fase de sua carreira, o goleiro brasileiro Júlio César (foto) era certeza de segurança e tranquilidade no gol Nerazzurri. Na temporada, disputou 54 partidas, conseguindo o impressionante número de 25 encontros sem conceder gols. Em média, o goleiro sofreu 0,83 gols por jogo, marca extremamente baixa. Além disso, segundo o site ESPN FC, fez 155 defesas nestes jogos. Ao todo, em 299 jogos pelo clube, entre 2005 e 2012, conseguiu deixar a meta limpa 127 vezes. Não há dúvidas de que o momento do brasileiro era fantástico. Grandes reflexos, bom posicionamento e grande elasticidade o tornavam, naquele momento, um dos melhores arqueiros do mundo.

Pelo flanco direito da defesa, Maicon (foto) era todo força e capacidade física. Não parecia ter apenas dois pulmões. Com grande condicionamento, atacava e defendia, ia e voltava o tempo inteiro. Nessa temporada, teve seu melhor desempenho da carreira. Em 52 partidas, marcou sete gols e fez 12 assistências, marca excepcional. Do lado contrário, normalmente, o titular foi o romeno Cristian Chivu, atleta de características defensivas, que raramente apoiava o ataque, mas que garantia a proteção da faixa canhota e dava mais liberdade para os avanços de Maicon.

A zaga interista, formada pela dupla argentino-brasileira Walter Samuel (foto, à esq.) e Lúcio (foto, à dir.) viveu dias de grande segurança. Fortes fisicamente, bons no jogo aéreo e úteis na saída de bola, os beques, que tinham bom entrosamento, eram também valiosos no ataque, sempre anotando seus gol em bolas vindas da cobrança de faltas e escanteios. Juntos, balançaram as redes adversárias em seis ocasiões na temporada.







Na proteção da defesa, atuou outra dupla argentino-brasileira. Esteban Cambiasso (foto, à dir.) – 13º jogador que mais defendeu a equipe na história, com 404 aparições – e Thiago Motta, este naturalizado italiano, davam grande consistência à equipe. Craques dos desarmes e sempre muito bem posicionados, devido à sua ótima qualidade de passes e aproximação ao ataque, eram também os responsáveis por iniciar as jogadas da equipe.

Além dos dois, o multifuncional Javier Zanetti (foto, à esq.) e o meia-central sérvio Dejan Stankovic também eram opções usuais na equipe. O primeiro, eterno capitão da equipe, é o jogador que mais vestiu a camisa da Inter na história, contabilizando 845 jogos, entre 1996 e 2014. Bom em todos os fundamentos, compunha com qualidade o meio-campo. Já Stankovic, excelente passador e dono de visão de jogo privilegiada, era boa escolha para aumentar o controle do jogo da equipe.


À frente, controlando as ações ofensivas da equipe, distribuindo o jogo e cobrando faltas e escanteios, o holandês Wesley Sneijder (foto) viveu a melhor fase de sua carreira. Sabidamente técnico e habilidoso, mas, até então, muito inconstante, se encontrou no clube de Milão, pelo qual anotou oito gols e proveu 12 assistências na temporada. O camisa 10 soube gerir o jogo da equipe de forma fantástica. Sua grande forma era o reflexo da boa relação que construiu com o treinador José Mourinho. Até hoje, sempre que se encontram, os dois não hesitam em fazer elogios mútuos.


No ataque, um trio de atletas de características distintas se encaixou com grande perfeição. Pelo lado esquerdo, o macedônio Goran Pandev não tinha grande velocidade, mas era extremamente técnico, sendo menos incisivo que seus companheiros, porém mais útil para a composição da equipe. Na faixa destra do ataque, Samuel Eto’o  (foto, à esq.) mostrava porque o Barcelona errara ao envolve-lo na transferência de Ibrahimovic. Velocíssimo, habilidoso e ainda dono de grande faro de gol, foi vital para o clube, marcando 16 gols. Já no centro do ataque, atuou o decisivo Diego Milito (foto, à dir.). Matador por essência, artilheiro por profissão, marcou impressionantes 30 tentos na temporada, jogando sempre com grande intensidade e aproveitando até o menor ressalto da bola para marcar.

No banco de reservas, além do gênio tático José Mourinho (foto, à esq.), grande responsável pelo encaixe e sucesso da equipe, havia jogadores extremamente úteis. Para a zaga, havia a experiência do rápido zagueiro Iván Córdoba e do violento Marco Materazzi. O meio-campo tinha o classudo e experiente Patrick Vieira e o energético Sulley Muntari. Já no ataque despontava a estrela do controverso Mario Balotelli (foto, à dir.), isso tudo sem ressaltar a presença do interminável goleiro Francesco Toldo. A Inter 2009-2010 tinha uma grande equipe titular, ótimos reservas e um técnico único, especial.


Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Segunda rodada do Campeonato Italiano: Milan 0x4 Inter

Estádio Giuseppe Meazza, Milão

Árbitro: Nicola Rizzoli

Público 78.467

Gols: ’29 Thiago Motta, ’36 Diego Milito, ’45 Maicon e ’67 Stankovic (Inter)

Milan: Storari; Zambrotta, Thiago Silva, Nesta, Jankulovski; Gattuso, Flamini (Seedorf), Pirlo; Ronaldinho (Huntelaar), Pato, Borrielo (Ambrosini). Téc.: Leonardo

Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu; Thiago Motta (Muntari), Javier Zanetti, Stankovic, Sneijder (Vieira); Eto’o e Diego Milito (Balotelli). Téc.: José Mourinho

Semifinal da UEFA Champions League (Jogo de Ida): Inter 3x1 Barcelona

Estádio Giuseppe Meazza, Milão

Árbitro: Olegário Benquerença

Público 80.018

Gols: ’30 Sneidjer, ’48 Maicon, ’61 Milito (Inter); ’19 Pedro (Barcelona)

Inter: Júlio César; Maicon (Chivu), Lúcio, Samuel, Zanetti; Thiago Motta, Cambiasso, Sneijder; Pandev (Stankovic), Diego Milito (Balotelli) e Eto’o. Téc.: José Mourinho

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Puyol, Maxwell; Busquets, Keita, Xavi; Pedro, Ibrahimovic (Abidal), Messi. Téc.: Pep Guardiola

Final da Copa da Itália: Inter 1x0 Roma

Estádio Olímpico, Roma

Árbitro: Nicola Rizzoli

Público 50.000

Gol: ’40 Milito (Inter)

Inter: Júlio César; Maicon, Córdoba (Samuel), Materazzi, Chivu; Thiago Motta, Zanetti, Cambiasso, Sneijder (Balotelli/Muntari); Samuel Eto’o e Diego Milito. Téc.: José Mourinho

Roma: Júlio Sérgio; Burdisso (Marco Motta), Juan, Mexès, Riise; De Rossi, Pizarro (Totti), Perrotta, Taddei; Vucinic e Luca Toni (Ménez). Téc.: Claudio Ranieri

Final da UEFA Champions League: Bayern de Munique 0x2 Inter

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: Howard Webb

Público 74.954

Gols: ’35 e ’70 Milito (Inter)

Bayern: Butt; Lahm, Van Buyten, Demichelis, Badstuber; van Bommel, Altintop (Klose), Schweinsteiger; Thomas Müller, Ivica Olic (Mario Gómez) e Arjen Robben. Téc.: Louis van Gaal

Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu (Stankovic); Cambiasso, Zanetti, Sneijder; Pandev (Muntari), Diego Milito (Materazzi) e Eto’o. Téc.: José Mourinho

Final da Supercopa da Itália: Inter 3x1 Roma

Estádio Giuseppe Meazza, Milão

Árbitro: Mauro Bergonzi

Público 65.860

Gols: ’41 Pandev, ’70 e ’81 Eto’o (Inter); ’21 Riise (Roma)

Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu; Cambiasso, Zanetti (Stankovic), Sneijder (Materazzi); Pandev (Mariga), Milito, Eto’o. Téc.: Rafa Benítez

Roma: Lobont; Cassetti, Juan, Mexès, Riise; De Rossi, Perrotta, Pizarro (Taddei); Ménez (Okaka), Vucinic (Adriano), Totti. Téc.: Claudio Ranieri

Final do Mundial de Clubes: Mazembe 0x3 Inter

Estádio Sheikh Zayed, Abu Dhabi

Árbitro: Yuichi Nishimura

Público 42.174

Gols: ’13 Pandev, ’17 Eto’o e ’85 Biabiany (Inter)

Mazembe: Kidiaba; Kimuaki, Kaususula, Nkulukuta, Mbenza; Mihayo, Ekanga, Singuluma, Kabangu, Kaluyituka (Ndonga); Kasongo (Kanda). Téc.: Lamine N’Diaye

Inter: Júlio César; Maicon, Lúcio, Córdoba, Chivu (Stankovic); Thiago Motta (Mariga), Zanetti, Cambiasso; Pandev, Diego Milito (Biabiany), Eto’o. Téc.: Rafa Benítez

4 comentários :

  1. Timaço!! Saudades do bom futebol da Inter.

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  2. Excelente time, e texto aqui apresentado.

    mas faltou o nome do Eto’o na primeira foto do time (formado)

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