quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Times de que Gostamos: Athletic Bilbao 1982-1984

Depois de lembrar o fantástico time do Real Madrid, das temporadas 2001-2002 e 2002-2003, que juntou as estrelas de jogadores da estirpe de Zinédine Zidane, Luís Figo e Ronaldo, trato do jovem e vitorioso time do Athletic Bilbao do período entre 1982 e 1984.


Em pé: Zubizarreta, Goikoetxea, De Andrés, Núñez, Urquiaga, Liceranzu.
Agachados: Dani, Patxi Salinas, Endika, Urtubi, Argote.


Time: Athletic Bilbao

Período: 1982-1984

Time base: Zubizarreta; Urquiaga, Goikoetxea, Liceranzu, José María Núñez; Miguel  De Andrés, Luis De la Fuente, Ismael Urtubi, José Ramón Gallego; Dani e Manu Sarabia (Argote). Téc.: Javier Clemente

Conquistas: Bicampeonato Espanhol, Copa del Rey e Supercopa da Espanha.


No Futebol Espanhol, apenas três equipes jamais desceram à Segunda Divisão. Como é de se imaginar, dois destes clubes são facilmente reconhecíveis. Maiores potências do esporte hispânico, Barcelona e Real Madrid jamais foram rebaixados. Contudo, há, ainda, outro time nesse rol, e ele vem do País Basco.

Quarto maior vencedor do Campeonato Espanhol, atrás de Real Madrid, Barça e Atlético de Madrid, o Athletic Bilbao viveu anos gloriosos na década de 80. Depois de assistir o seu rival regional, a Real Sociedad, ser bicampeão nacional, os Leões de San Mamés, comandados por jogadores da importância de Andoni Zubizarreta e Andoni Goikoetxea, também foram bicampeões espanhóis, levantando, ainda, a Copa Del Rey.

Concorrendo com o Real Madrid, de Uli Stielike, e o Barcelona, de Diego Maradona, os bascos se superiorizaram, mostrando, mais uma vez, a força de seu povo, personificada nos jogadores, que, como é regra no clube, têm origens bascas. Curiosamente, depois da saída do treinador Javier Clemente, o Bilbao não mais conquistou nenhum título, tendo sido treinado por figuras da qualidade de Howard Kendall, Jupp Heynckes e Marcelo Bielsa.

Terceiro jogador que mais vezes defendeu a Seleção Espanhola (com 126 aparições), o mítico arqueiro Andoin Zubizarreta (foto) era o responsável pela proteção da meta basca. Goleiro muito completo, dono de destacável posicionamento, começou sua carreira no Deportivo Alavés, mas, rapidamente, mudou-se para o Athletic, onde atuou por cinco anos, entre 1981 e 1986. Além de ser lembrado como o goleiro das últimas conquistas do clube, quando saiu para o Barcelona, ficou marcado por ter se transformado na negociação mais cara de sua posição, cerca de € 1,7 MI. No clube catalão, marcou época e, ao final de sua carreira, ainda fez sucesso no Valencia.

Pelo lado direito da defesa da equipe, Santiago Urquiaga (foto) era um dos pilares da equipe. Técnico, rápido e dono de grande capacidade física, atuou em todas as partidas da temporada 1983-1984. É muito lembrado também por sua persistência na recuperação de uma grave lesão, pouco antes da Copa do Mundo de 1982, a qual disputou. Do outro lado, pela faixa canhota, o titular, José María Núñez, também foi criado nas canteras do Athletic, e, apesar de não ter tido a mesma qualidade de Urquiaga, atuou quase 15 anos pela equipe. O curioso é que, em 258 jogos, marcou apenas dois gols.


Duros na queda e muitas vezes violentos, Iñigo Liceranzu e Andoni Goikoetxea (foto) formaram uma das mais consistentes duplas de zaga da história do futebol espanhol. Históricos no clube basco, além de garantirem a segurança da zaga, os beques eram peças importantes no ataque. Nas duas vitoriosas temporadas em foco, juntos, marcaram 16 gols. 

Apesar da solidez de seus resultados e desempenho, Goikoetxea é muito lembrado pela alcunha de “Carnicero de Bilbao”, o que remete a duas de suas entradas mais duras na carreira, uma em Bernd Schuster e outra em Diego Maradona, ambas causadoras de graves lesões aos jogadores. Além dos titulares, Patxi Salinas (irmão de Julio Salinas) e Miguel Ángel Sola  também compuseram a defesa basca em algumas ocasiões.

Fazendo a proteção da defesa – muitas vezes atuando quase como líbero – atuou Miguel de Andrés (foto), outro jogador saído da base do Athletic. Muito técnico e dono de boa visão de jogo, quando jovem, foi pretendido por Barcelona e Real Madrid e também foi comparado ao craque Franz Beckenbauer. Apesar de ter se tornado um grande ídolo do clube, não confirmou as expectativas que o cercaram, talvez por ter tido muitas lesões. Encerrou a carreira com apenas 31 anos.

Um pouco à frente, atuaram dois meio-campistas (também criados no clube) de bom controle de jogo. José Ramon Gallego, ou Txexu Gallego, foi um centro-campista de boa técnica e chegada ao ataque. Ainda na composição da meia-cancha, Ismael Urtubi (foto) era um dos pontos de desequilíbrio do time. Rápido e habilidoso, tinha também extrema qualidade nas finalizações com sua perna esquerda. Até por isso, era o principal responsável pelas cobranças de faltas e pênaltis anotados em favor do time.

No ataque, que normalmente tinha três jogadores, o clube possuía no ídolo Dani (foto) sua principal arma de fogo. Formado no clube e maturado no modesto Barakaldo, onde passou duas temporadas emprestado, o baixinho (1,69m) se mostrou um gigante na grande área adversária. Segundo maior artilheiro da história do clube, em 402 jogos, marcou 199 gols. Fazendo companhia à Dani, Manu Sarabia, outro jogador com bom faro de gol e técnica, também se firmou como um dos grandes artilheiros da história do Athletic, tendo marcado 118 gols.

Muitos dos tentos anotados por Dani e Sarabia só foram possíveis devido à qualidade técnica de um grande assistente: Estanislao Argote. Atacante que sempre jogou pelo lado esquerdo, é considerado um dos melhores atacantes de sua geração e só não teve maior sucesso na carreira em função das muitas lesões que acumulou.

No banco de reservas do time, cuja suprema maioria dos jogadores foi formada em suas própria base, o Bilbao tinha outro canterano. Ex-meio-campo do próprio clube, Javier Clemente (foto) encerrou a carreira de jogador com apenas 24 anos, em função de uma grave lesão. Imediatamente, iniciou sua vitoriosa trajetória como treinador, tendo conquistado seu primeiro título nacional com apenas 33 anos. Além dos onze titulares habituais, e dos dois defensores reservas supracitados, o clube possuía, outras importantes peças, casos do polivalente Luis de la Fuente e dos atacantes José María Noriega e Julio Salinas, então um jovem promissor.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

32ª rodada do Campeonato Espanhol de 1982-1983: Athletic 3x2 Barcelona

Estádio San Mamés, Bilbao

Árbitro: Garcia De Loza

Público 40.000

Gols: ‘1 e ’79 Dani, ’75 Sarabia (Athletic); ’86 Urbano e ’89 Maradona (Barcelona)

Athletic: Zubizarreta; Urquiaga, Goikoetxea, Sola (Elgezábal), Núñez; De Andrés, De la Fuente, Urtubi; Argote, Noriega (Manu Sarabia), Dani. Téc.: Javier Clemente

Barcelona: Urruti; Sánchez, Migueli, Alexanko, Julio Alberto; Víctor Muñoz (Urbano), Perico Alonso, Esteban Vigo, Carrasco; Diego Maradona e Marcos Alonso. Téc. César Luis Menotti

30ª rodada do Campeonato Espanhol de 1983-1984: Athletic 2x1 Real Madrid

Estádio San Mamés, Bilbao

Árbitro: Joaquin Ramos Marcos

Público 40.000

Gols: ’32 Goikoetxea e ’87 Dani (Athletic); ’23 Uli Stielike (Real Madrid)

Athletic: Zubizarreta; Urquiaga, Goikoetxea, Sola (Gallego), Liceranzu; De Andrés, De la Fuente, Urtubi; Argote, Noriega (Dani) e Manu Sarabia. Téc.: Javier Clemente

Real Madrid: Miguel Ángel; Juan José, Paco Bonet, San José, Camacho; Ángel, Uli Stielike, Bernardo, Martín Vázquez (Sanchís); Isidro e Santillana (Juanito). Téc.: Alfredo Di Stéfano

Final da Copa Del Rey 1983-1984: Athletic 1x0 Barcelona

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: Franco Martínez

Público 100.000

Gol: ’13 Endika (Athletic)

Athletic: Zubizarreta; Urquiaga, Goikoetxea, Patxi Salinas, Liceranzu, Núñez; De Andrés, Urtubi, Endika (Sarabia); Dani e Argote (Gallego). Téc.: Javier Clemente

Barcelona: Urruti; Sánchez, Migueli, Alexanko, Julio Alberto; Víctor Muñoz, Carrasco, Schuster; Maradona, Rojo (Clos) e Marcos. Téc.: César Luis Menotti

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