quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Times de que Gostamos: Real Madrid 2001-2003

Na sequência da série "Times de que Gostamos", depois de falar do Olympique de Marseille, da temporada 1992-1993, trato do time do Real Madrid das temporadas 2001-2002 e 2002-2003, no início da era dos galácticos. 


Em pé: César Sánchez, Hierro, Helguera, Solari, Figo, Zidane.
Agachados: Makelele, Salgado, Roberto Carlos, Raúl e Morientes.


Time: Real Madrid

Período: 2001-2003

Time base: César Sánchez (Casillas); Michel Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos; Makelele, Solari (Cambiasso/Guti), Zinedine Zidane, Luís Figo; Raúl González e Fernando Morientes (Ronaldo). Téc.: Vicente Del Bosque

Conquistas: Supercopa da Espanha, UEFA Champions League, Campeonato Espanhol, UEFA Super Cup e Mundial de Clubes.

O primeiro mandato de Florentino Pérez no Real Madrid consagrou uma política utilizada até hoje no clube madrileno. Nas palavras do jornalista John Carlin, que acompanhou de perto o clube nesse período, o clube entendia que o futebol funcionava da seguinte maneira: “Os melhores jogadores/o melhor espetáculo/o maior sucesso/o maior alcance global do clube/ maiores lucros/maior capacidade de comprar os melhores jogadores,” numa ideia sequencial.

Com isso em mente, em três temporadas, a equipe uniu Luís Figo, Zinédine Zidane e Ronaldo, um grande craque por temporada – nos anos que se seguiriam, viriam, ainda, David Beckham e Michael Owen. Assim, somando a grande qualidade destes reforços com a sólida base de um clube já vencedor, nas temporadas 2001-2002 e 2002-2003 os títulos vieram. A sequência vitoriosa só foi quebrada pelo grande desempenho do Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho, nas temporadas posteriores.

Conquanto a equipe tenha ganhado a alcunha de “time de Zidanes e Pavones”, reforçando uma ideia de que a qualidade do meio-campo para a frente não se refletia no setor defensivo, o time desempenhou grande espetáculo nas referidas temporadas. E, com a qualidade do futebol, vieram os títulos: cinco em dois anos.

No início deste período, a grande equipe, treinada por Vicente Del Bosque, não tinha um goleiro titular fixo. Experiente, César Sánchez, figura histórica no Valladolid, dava suporte para Iker Casillas (foto), que surgia, mostrando a fantástica qualidade que o consagraria e teria seu ápice no título espanhol da Copa do Mundo de 2010. Contrariando a crítica, Del Bosque apostou em Sánchez nas partidas decisivas na temporada, mas, desafortunadamente (ou não), o arqueiro se lesionou durante a final da UEFA Champions League e deu lugar a Iker Casillas, que foi, ao lado de Zidane, o principal herói do título e não mais sairia da equipe titular.


A defesa central abrigava dois jogadores históricos para o clube Merengue. Capitão e quinto jogador que mais vezes defendeu o clube (com 601 jogos), Fernando Hierro (foto) era um zagueiro técnico, bom chutador e excelente no jogo aéreo. Prova de suas qualidades são os mais de 100 (!) gols marcados ao longo de sua carreira. A seu lado, na maior parte do tempo, atuou Iván Helguera, zagueiro que também tinha boa qualidade e era opção para a contenção. Ao todo, atuou por oito anos no time. Nesse período, os dois também eram presença certa na Seleção Espanhola.
Nas laterais, o clube tinha dois jogadores completamente opostos. Pela direita, Michel Salgado tinha função meramente defensiva, até mesmo por seu deficiente trato da bola. Comumente lembrado como patinho feio da equipe, sendo muitas vezes excessivamente violento, atuou 10 anos no clube.  Já na esquerda, Roberto Carlos era o melhor lateral do mundo. Completo, tinha enorme capacidade física, atacava e defendia com grande eficiência e ainda marcava muitos e importantes gols, normalmente, fruto do “canhão” que possuía em sua perna canhota.

“Carregando o piano”, como se diz na gíria do futebol, o time tinha a vitalidade e incrível capacidade de marcação de Claude Makelele (foto). Carrapato, o francês era o principal trabalhador da equipe, dando suporte para que os meias e atacantes pudessem se preocupar apenas com a beleza do jogo da equipe. Um pouco à frente, o jogador teve vários parceiros. Na temporada 2001-2002, Santiago Solari, meio-campo argentino  de bom passe, foi a opção mais utilizada. Outras opções usuais para a função, ajudando no controle do jogo, foram Guti (10º jogador que mais jogou pelo clube, com 542 jogos) e Steve McManaman, médio-centro inglês. Já no ano seguinte, quem mais vezes atuou foi o volante Esteban Cambiasso, que pôde dar ainda mais estabilidade à equipe.

Grandes responsáveis pelo espetáculo do Real, Zinédine Zidane e Luís Figo (foto) eram diferentes e complementares. Veloz e driblador, o português era o principal condutor de bola da equipe, o elo entre o meio-campo e o ataque. Já o francês, talento puro, era o organizador do jogo, o regente da equipe. Um dos jogadores mais técnicos da história do futebol mundial, Zidane sempre será lembrado pela categoria com que, sempre com a cabeça erguida, controlava a bola, desmontada as defesas adversárias com passes maravilhosos e passava por seus adversários. Em comum, os dois craques tinham o grande poder de decisão e finalização a qualquer distância. Imortal, Zidane também será sempre lembrado pelo maravilhoso gol marcado na final da UEFA Champions League.

No ataque, marcando os gols da equipe, a equipe teve duas duplas muito marcantes. Primeiro, jogaram Raúl González (foto) e Fernando Morientes. Lenda do clube e facilmente considerado um dos maiores de todos os tempos, Raúl detém os maiores recordes do clube. Em 741 partidas, que lhe dão a primeira posição no ranking dos que mais vezes atuaram pelo clube, marcou 323 gols, outro recorde absoluto. Rápido, bom driblador e letífero finalizador, foi o principal artilheiro do clube na temporada 2001-2002, com 29 gols, oito a mais que Morientes, que não possuía sua qualidade mas era muito eficiente na frente dos goleiros adversários.

Em 2002-2003, o clube fechou com Ronaldo “Fenômeno”, que assumiu a artilharia e aumentou o encanto da equipe. Um dos maiores centroavantes de todos os tempos, marcou 30 gols em sua primeira temporada no clube. Sua inteligência, habilidade, excelente posicionamento e fantástica capacidade de finalização relegaram Morientes ao banco de reservas e foram vitais para o título nacional da equipe.

Além do estelar time titular, havia peças muito úteis no banco de reservas. Geremi, Albert Celades, Flávio Conceição e Sávio são alguns exemplos de opções válidas que o clube tinha, tanto para mudar a característica do jogo madrileno quanto para as eventualidades (lesões e suspensões). Galáctico, o Real Madrid do período entre 2001-2003, treinado pelo vitorioso Vicente Del Bosque (foto), com seus títulos e espetáculo, se tornou inesquecível.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Supercopa da Espanha de 2001: Real Madrid 3x0 Real Zaragoza

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: Eduardo Iturralde González

Público 70.000

Gols: ’74, ’81 e ’89 Raúl (Real Madrid)

Real Madrid: Casillas; Salgado, Hierro, Karanka, Roberto Carlos (Solari); Makelele, Flávio Conceição, Zidane (Sávio), Figo; Raúl e Morientes (Guti). Téc.: Vicente Del Bosque

Zaragoza: Laínez; Sundgren, Xavier Aguado, Paco Jémez, Esquerdinha; Roberto Acuña, José Ignacio, Santiago Aragón (Yordi); Jamelli, Vellisca (Juanele), Luciano Galletti (Cuartero). Téc.: Rojo

Quartas de finais da UEFA Champions League 2001-2002: Real Madrid 2x0 Bayern de Munique

Estádio Santiago Bernabéu, Madrid

Árbitro: Stefano Braschi

Público 75.328

Gols: ’69 Helguera e ’85 Guti (Real Madrid)

Real Madrid: César Sánchez; Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos; Makelele, Solari, Zidane, Figo (Geremi); Raúl e Morientes (Guti). Téc.: Vicente Del Bosque

Bayern de Munique: Oliver Kahn; Kuffour (C. Pizarro), Robert Kovac, Linke, Lizarazu; Hargreaves, Salihamidzic, Jeremies (Thorsten Fink), Effenberg; Élber e Roque Santa Cruz. Téc.: Ottmar Hitzfeld

Semifinais da UEFA Champions League 2001-2002: Barcelona 0x2 Real Madrid

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Anders Frisk

Público 98.260

Gols: ’55 Zidane e ’90 McManaman (Real Madrid)

Barcelona: Bonano; Reiziger (Geovanni), Abelardo (Cristanval), Frank de Boer, Cocu; Thiago Motta (Gabri), Fábio Rochemback, Luis Enrique; Javier Saviola, Kluivert, Marc Overmars. Téc.: Carles Rexach

Real Madrid: César Sánchez; Salgado, Hierro, Pavón, Roberto Carlos; Makelele, Helguera, Solari (Flávio Conceição), Guti (McManaman), Zidane; Raúl. Téc.: Vicente Del Bosque

Final da UEFA Champions League 2001-2002: Bayer Leverkusen 1 x 2 Real Madrid

Estádio Hampden Park, Glasgow

Árbitro: Urs Meier

Público 51.456

Gols: ‘8 Raúl  e ’45 Zidane (Real Madrid); ’14 Lúcio (Bayer Leverkusen)

Bayer Leverkusen: Butt; Sebescen (Kirsten), Zivkovic, Lúcio (Babic), Placente; Ramelow, Ballack, Schneider, Basturk; Brdaric (Berbatov) e Neuville. Téc. Klaus Toppmöller

Real Madrid: César Sanchez (Iker Casillas); Michel Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos; Makelele (Flávio Conceição), Solari, Zidane, Figo (McManaman); Raúl e Morientes. Téc. Vicente Del Bosque

Final da UEFA Super Cup 2002: Real Madrid 3x1 Feyenoord

Estádio Louis II, Monaco

Árbitro: Hugh Dallas

Público 18.284

Gols: ’15 Paauwe (contra); ’21 Roberto Carlos e ’60 Guti (Real Madrid); ’56 van Hooijdonk (Feyenoord)

Real Madrid: Casillas; Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos; Makelele, Cambiasso (Pavón), Guti (Portillo), Zidane (Solari), Figo; Raúl. Téc.: Vicente Del Bosque

Feyenoord: Zoetebier; Christian Gyan (Thomas Buffel), Paauwe, van Wonderen, Rzasa; Ono, Emerton, Bosvelt; Bonaventure Kalou, van Hooijdonk e Lurling. Téc.: Bert van Marwijk

Final do Mundial Interclubes 2002: Real Madrid 2x0 Olimpia

Estádio Nissan, Yokohama

Árbitro: Carlos Eugênio Simon

Público 70.000

Gols: ’14 Ronaldo e ’84 Guti (Real Madrid)

Real Madrid: Casillas; Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos; Makelele, Cambiasso (Pavón), Zidane (Solari), Figo; Raúl e Ronaldo (Guti). Téc. Vicente Del Bosque

Olimpia: Tavarelli; Isasi, Pedro Benítez, Julio César Cáceres, Juan Jara, Nelson Zelaya; Enciso, Córdoba (Richart Baéz), Orteman; Rodrigo López e Miguel Benitez (Mauro Caballero). Téc.: Luis Cubilla

37ª rodada do Campeonato Espanhol 2002-2003: Atlético de Madrid 0x4 Real Madrid

Estádio Vicente Calderón, Madrid

Árbitro: Alfonso Pérez Burrull

Gols: ‘6 e’31 Ronaldo, ’18 e ’73 Raúl (Real Madrid)

Atlético de Madrid: Esteban; Jorge Otero (Jorge), García Calvo, F. Coloccini, Sergi; Albertini, Aguilera, Emerson; José Mari, Fernando Torres e Luis García (Movilla). Téc.: Luis Aragonés

Real Madrid: Casillas; Salgado, Hierro, Helguera, Roberto Carlos (Pavón); Makelele, Guti, Zidane (Solari), Figo (McManaman); Raúl e Ronaldo. Téc.: Vicente Del Bosque

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...