segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Escocês 2014-2015: um campeonato de um só time

Sempre que relacionamos a terra do whisky com o futebol, nosso pensamento converge em uma direção, uma rivalidade em especial: Celtic x Rangers, católicos separatistas contra protestantes unionistas. Quando muito, direcionamos nossos pensamentos à outra rivalidade escocesa, a da capital, entre Heart e Hibernian. E isso tem uma razão. Considerando todos os Campeonatos disputadas no país, estes quatro times figuram nas quatro primeiras colocações no ranking dos títulos. Entretanto, nesta temporada apenas um deles disputará a Primeira Divisão, o que torna a competição previsível.




“Abandonado” por Rangers, Heart e Hibernian, o Celtic, atual campeão nacional, não deverá ter muitas dificuldades para conquistar seu 46º título doméstico. Apesar disso, no momento (com cinco rodadas disputadas) e ironicamente, os Celts não têm tido vida fácil, ocupando a quinta colocação, com seis pontos a menos do que o Inverness CT e um jogo por disputar. O curioso é que, de certa forma, a Segunda Divisão do futebol escocês apresenta-se muito mais interessante do que a principal. 

Mas como a vida ficou tão fácil para o clube alviverde de Glasgow?

Em 2012, o Rangers sofreu a maior derrota de toda a sua história. Vivendo gravíssima crise financeira, o clube sofreu intervenção da Justiça Escocesa, sem, contudo, conseguir superar seus problemas. Oficialmente falido, o time foi adquirido por um grupo que o refundou. Todavia, para conseguir a permanência na Divisão de Elite, precisaria da aprovação dos outros clubes, algo que, evidentemente, não aconteceu. Assim, os Gers tiveram que recomeçar do zero, nas profundezas da Quarta Divisão. Desde então, o clube conseguiu dois acessos, mas ainda não conseguiu retornar ao seu lugar.

Problema semelhante passou o Heart, na última temporada. Também vivendo graves problemas financeiros, o clube foi penalizado com a perda de quinze pontos, entrando na zona de rebaixamento e sofrendo o descenso. Por sua vez, o Hibernian chega à segundona por conta, exclusivamente, de sua má campanha no último campeonato.

Para buscar mais um título, o Celtic contratou alguns reforços, mas sofreu importantes baixas também. Sem o goleiro Fraser Forster – um dos reservas da Inglaterra na Copa do Mundo –, que partiu para o Southampton, o clube contratou Craig Gordon ex-arqueiro do Sunderland. Outra importante alteração no elenco foi a saída do ídolo Georgios Samaras, que fechou com o West Bromwich. Na contramão, chegaram, por empréstimo, o ganês Mubarak Wakaso (foto), o sueco John Guidetti e o búlgaro Aleksandar Tonev. Além deles, o clube também trouxe o centroavante sérvio Stefan Scepovic, destaque do Sporting Gijón, e vice-artilheiro na última edição da Segunda Divisão Espanhola, com 23 gols.

Um de seus principais rivais na luta pelo título, o Motherwell, vice-campeão em 2013-2014, começou muito mal o atual campeonato, ocupando no momento a 10º colocação (de 12). O Aberdeen, terceiro, também tem tido um início titubeante, ocupando a 8ª posição. Sua grande esperança é o atacante David Goodwillie, que teve passagens pelas Seleções de Base da Escócia e também pela principal e atuava no Blackburn Rovers. Já o, surpreendente, Dundee United (quarto colocado em 13-14) não resistiu ao assédio externo e vendeu duas de suas maiores promessas. Andrew Robertson, lateral esquerdo de 20 anos, partiu para o Hull City e Ryan Gauld, uma das maiores esperanças do futuro do país, de apenas 18 anos, rumou para o Sporting CP. Os demais clubes mantiveram sua situação quase que inalterada, com poucas baixas e poucas entradas.

Resta claro que, mais cedo ou mais tarde, o Celtic deverá tomar para si as rédeas do campeonato e conquistar sua 46ª láurea nacional – a queda precoce na UEFA Champions League e o consequente foco no campeonato nacional só aumentam essa impressão. Assim se desenha o Campeonato Escocês 2014-2015, uma competição de um time só.

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