quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Times de que Gostamos: Atlético de Madrid 1995-1996

Na última semana, lembrei o excelente time do PSG do período entre 1992 e 1994, que contou com o talento de jogadores como Ginola, Weah e Valdo. Nesta trato do excelente time do Atlético de Madrid da temporada 1995-1996, que conquistou, surpreendentemente, o título do Campeonato Espanhol.


Em pé: Molina, Vizcaíno, Caminero, Roberto, Delfí Geli, Penev.
Agachados: Simeone, Solózabal, Muñoz, Pantic, Kiko.


Time: Atlético de Madrid

Período: 1995-1996

Time base: Molina; Delfí Geli, Santi, Roberto Solozábal, Toni Muñoz; Juan Vizcaíno, Diego Simeone, M. Pantic e José Caminero; L. Penev e Kiko. Téc.: Radomir Antic

Conquistas: Campeonato Espanhol e Copa del Rey

14º colocado no Campeonato Espanhol de 1994-1995, o Atlético de Madrid jamais poderia figurar entre os postulantes ao título da temporada seguinte. Contudo, rapidamente esse panorama começou a se modificar. Comandado pelo sérvio Radomir Antic, que, após ter tido um fraco desempenho no Real Madrid entre 1991-1992, reencontrou-se no modesto Oviedo, o clube deixou para trás a pecha de bom time no papel, com resultados fracos em campo, e conseguiu um inédito, inesperado e mágico doblete.

Com uma defesa forte, um meio-campo bem estruturado e uma dupla de ataque entrosada, os colchoneros, tal qual uma fênix, ressurgiram das cinzas e conquistaram um título que não vinha há 19  temporadas (o Campeonato Espanhol). A relevância desta temporada é tamanha, que, desde então, o clube só voltou a ganhar a Copa del Rey em 2012-2013 e o Campeonato Nacional em 2013-2014, em jornada memorável.

Além da representatividade natural que uma temporada como essa traz consigo, o ano ainda ficou marcado por uma invencibilidade de 12 jogos, no começo do Campeonato, que começou com a arrasadora vitória por 4x1, frente à Real Sociedad, e pela superioridade sobre Barcelona (contra quem venceu a Copa del Rey) e Real Madrid (que terminou o torneio fora da zona de competições continentais e com 17 pontos de diferença para o Atleti).

Arqueiro de longa carreira e de grande representatividade no cenário hispânico, José Francisco Molina (foto) foi o responsável pela manutenção imaculada da meta alvirrubra. Com 17 clean sheets na liga, assegurou para si um lugar na convocação para a Euro 1996. Torcedor declarado do clube, defendeu-o entre 1995 e 2000, quando, com a queda do time para a Segunda Divisão, foi vendido ao Deportivo La Coruña. Suas atuações transformaram-no em peça chave na trajetória, ajudando a equipe a firmar-se como a melhor defesa do torneio, concedendo apenas 32 gols em 42 jogos. Com a Fúria esteve, ainda, na Copa do Mundo de 1998 e na Euro 2000.

Catalão e maturado no Barcelona B, Delfí Geli foi o lateral direito titular do esquadrão rojiblanco. Curiosamente, o jogador começou sua carreira atuando como atacante e só foi deslocado para a faixa direita da defesa no período em que atuou no Albacete. No outro flanco, Toni Muñoz (foto), que passou mais de uma década no time, era a referência. Jogadores de razoável qualidade técnica, os laterais eram discretos e, raramente, marcavam gols. Entre 1992 e 1993, ambos chegaram à Seleção Espanhola.

Ídolos do clube, Roberto Solozábal (foto) e Sanitago Denia, o Santi, formaram a zaga do Atlético. O primeiro, capitão do time, foi um defensor de boa qualidade técnica. Cria do próprio clube, sempre demonstrou uma liderança muito forte. Aos 20 anos, estreou pelo Atleti e, aos 21, já jogava pela Seleção Espanhola. Foi também o capitão do ouro olímpico, em Barcelona.  Seu ciclo no clube se encerrou em 1997. Santi, por sua vez, chegou em 1995, aos 21 anos e, de plano, foi ganhando a titularidade do experiente e ídolo Juanma López. Ambos também contabilizaram passagens pela Fúria. Hoje, Santi é o treinador da Seleção Espanhola Sub-17.


Fazendo o trabalho sujo no meio-campo e marcando gols importantes, Juan Vizcaíno e Diego Simeone (foto) montaram uma parceria muito dura, com estilo de jogo aguerrido e intenso. Vizcaíno era o mais recuado dos jogadores de meio-campo, sendo o principal pilar da equipe e responsável pelo maior número de desarmes (e faltas) da equipe. Por outro lado, o argentino Cholo Simeone era um jogador impetuoso, mas bom com a bola nos pés. Cabia a ele a transição da bola entre os setores de defesa e ataque. 

Além disso, os dois tinham como característica o fato de serem “elementos surpresa”, como provam os três gols do espanhol e os 12 do Hermano, no Campeonato Espanhol. Hoje, os volantes repetem a parceria no comando técnico da equipe. Simeone é o treinador e Vizcaíno um de seus assistentes.

Embelezando o jogo rojiblanco, Caminero (foto) e o sérvio Milinko Pantic tinham características de jogo, em certa medida, semelhantes. Criativos, velozes, habilidosos e bons finalizadores eram os jogadores de maior qualidade técnica da equipe. O espanhol foi eleito o jogador espanhol do ano e, curiosamente, devido à sua grande técnica, ao final de sua carreira (já decaindo fisicamente), terminou-a como líbero. Juntos, marcaram 19 gols no Campeonato Espanhol: 10 do eslavo – perito em cobranças de falta – e nove para o hispânico.

Na frente, o time contou com dois grandalhões: o búlgaro Lubos Penev e o espanhol Kiko Narváez (foto). Curiosa e contrariamente ao que se poderia pensar, uma dupla de altíssima qualidade. Apesar de seu 1,89m, Kiko, que ficou notabilizado por sua comemoração típica, “o arqueiro”, era dono de ótima técnica, habilidade e velocidade, sendo excelente tanto na criação de gols quando marcando-os. Ficou imortalizado por ter marcado o tardio gol do título olímpico da Espanha, em 1992. 

Penev, de 1,88m, era o centroavante de fato, mas tinha ótima qualidade técnica. Grande perícia nas finalizações, tanto com o pé canhoto quanto com a cabeça, fizeram dele o artilheiro do time no Espanhol, com 16 tentos.

Apesar da enorme qualidade dos jogadores do time, nenhuma conquista teria sido possível sem o treinador Antic (foto), a começar pelo fato de ter “descoberto” Pantic, seu compatriota, que estava abandonado no Panionios. A injeção de confiança conferida pelo comandante em seus jogadores levou-os a entender que qualidade não era o que lhes faltava. Além disso, o técnico contou com as preciosas participações do interminável Tomás, referência da equipe e já aos 36 anos, do versátil Roberto Fresnedoso e do jovem atacante argentino Leonardo Biagini, vitais para o sucesso do time.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

17ª rodada do Campeonato Espanhol: Valencia 0x1 Atlético

Estádio Mestalla, Valencia

Árbitro Celino Gracia Redondo

Gol: ’88 Caminero (Atlético)

Valencia: Zubizarreta; Otero, Camarasa, Engonga (Patxi Ferreira), E. Romero; José Ignacio, Mazinho (Arroyo), Fernando, Mendieta; Pepe Gálvez (Viola) e Pedrag Mijatovic. Téc.: Luis Aragonés

Atlético: Molina; Delfí Geli, Santi, Solozábal, Toni Muñoz; Vizcaíno, Simeone, Pantic (Roberto), Caminero; L. Penev (L. Biagini) e Kiko (López). Téc.: Radomir Antic

Final da Copa del Rey: Atlético 1x0 Barcelona

Estádio La Romareda, Zaragoza

Árbitro: Manuel Díaz Veja

Público 37.000

Gol: ‘102 Pantic (Atlético)

Atlético: Molina; Geli, Santi, Solozábal, Muñoz; Vizcaíno (Biagini), Simeone, Pantic, Caminero; Penev (López) e Kiko (Roberto). Téc.: Radomir Antic

Barcelona: Busquets; Celades (Ferrer), Popescu, Nadal, Sergi; Guardiola, Amor, Figo (Prosinecki), Bakero (Roger); Hagi e Jordi Cruyff. Téc.: Johan Cruyff

37ª rodada do Campeonato Espanhol: Barcelona 1x3 Atlético

Estádio Camp Nou, Barcelona

Árbitro: José Prados García

Gols: ’10 Roberto, ’48 Vizcaíno e ’87 Biagini (Atlético); ’25 Cruyff (Barcelona)

Barcelona: Busquets; Abelardo, Popescu, Nadal (Bakero), Sergi; Amor, De la Peña, Figo, Roger (Kodro), Hagi (Cuéllar); Jordi Cruyff. Téc.: Johan Cruyff

Atlético: Molina; Geli, Santi, Solozábal, Muñoz (López); Vizcaíno, Roberto, Pantic, Caminero (Q. Fortune); Penev (Biagini) e Kiko. Téc.: Radomir Antic

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