quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Times de que Gostamos: PSG 1992-1994

Depois de lembrar o excelente time do Fenerbahçe das temporadas 2006-2007 e 2007-2008, treinado por Zico e liderado por Alex, trato do excelente time do PSG do período entre 1992 e 1994, quando, ainda longe dos milhões que o cercam hoje, montou um time poderosíssimo e conquistou títulos.


Em pé: Fournier, Sassus, Ricardo Gomes, Le Guen, Lama, Roche.
Agachados: Weah, Ginola, Colleter, Guérin, Valdo


Time: PSG

Período: 1992-1994

Time base: Lama; Sassus, Ricardo Gomes, Alain Roche (Antoine Kambouaré), Patrick Colleter; Paul Le Guen, Laurent Fournier, Vincent Guérin, Valdo; George Weah e David Ginola. Téc.: Artur Jorge

Conquistas: Campeonato Francês e Copa da França


Impulsionado pelos investimentos do Canal +, que se tornou um importante acionista do clube, na década de 90, o Paris Saint-Germain firmou-se como um dos mais vitoriosos clubes franceses. Com grandes jogadores, vieram as conquistas. O investimento, que se iniciou em 1991, rendeu seus primeiros frutos logo na temporada seguinte. Por pouco, o sucesso não foi ainda maior.

Na temporada 1992-1993, o clube voltou a ganhar a Copa da França – 10 anos após a última conquista –, ficou com a segunda posição no Campeonato Francês (que, com o escândalo de manipulação de resultados, terminou sem campeão, uma vez que o Olympique Marseille foi destituído de sua glória e o PSG recusou-a) e fez excelente campanha na Copa da UEFA, chegando às semifinais depois de alcançar um inacreditável 4x1 contra o Real Madrid, que havia vencido a partida de ida por 3x1.

Na temporada seguinte, o sucesso foi ainda maior. Repetindo boa campanha em uma competição continental – chegando às semifinais da UEFA Winner’s Cup e sendo eliminado pelo Arsenal – conseguiu o título nacional e, com jogadores da qualidade do brasileiro Valdo e do liberiano George Weah, montou uma de suas melhores equipes da história. O ápice, veio em 1996, com o título da UEFA Winner's Cup.

Goleiro baixo, Bernard Lama (foto) tinha pouco mais de 1,80m, o que não o impediu de se confirmar como um dos maiores goleiros da história do PSG, senão o maior. Dono de invejável impulsão, grande agilidade e reflexos absurdos entra também na lista dos maiores arqueiros da história do futebol francês. Ao todo, contabilizando suas duas passagens pelo clube parisiense (1992-1997 e 1998-2000), disputou aproximadamente 300 jogos. Em 1994, foi eleito o melhor jogador francês do ano, pela revista France Football. Pela Seleção Francesa, jogou as Eurocopas de 1996 e 2000, além da Copa do Mundo de 1998.

Pela lateral direita, o clube contou com um jogador diferente, um verdadeiro personagem do futebol. Jean-Luc Sassus (foto) chegou ao PSG já aos 30 anos e, na ponta dos cascos, ganhou inclusive uma chance na Seleção Francesa. O que levou os holofotes ao jogador foram suas decisões no início de carreira. Apelidado de “Gênio da Matemática”, no ensino médio, relutou em assinar seu primeiro contrato profissional de futebol e, quando o fez, continuou seus estudos. Levando em conta as dificuldades do mundo do futebol, Sassus sempre entendeu que deveria ter um “plano B”. E decidiu viver como na juventude, quando estudava e jogava futebol, todavia, neste turno, ganhando – e muito bem – para jogar.

No flanco oposto, Patrick Colleter era um jogador sem características que se sobressaíssem, mas, contudo, sem deficiências aparentes. Em sua vitoriosa passagem pelo clube parisiense, ficou muito lembrado como um jogador duro e impetuoso, sobretudo por suas performances contra o Olympique de Marseille, grande rival do PSG. 

Na zaga, o clube da capital francesa tinha uma dupla (ou um trio), que além de ter sido reverenciada pela sua grande qualidade defensiva, marcava muitos e importantes gols. Os titulares, na maior parte do tempo, foram o brasileiro Ricardo Gomes (foto) e o francês Alain Roche.

Ricardo era lento, mas possuía um senso tático impressionante, boa técnica e grande liderança – apesar dos muitos problemas físicos. Já o francês, que há época era presença certa em sua Seleção e veio do rival Olympique, superou a desconfiança do torcedor e disputou mais de 200 jogos pelo time. Antoine Kambouaré, o terceiro elemento, era alternativa à Gomes e Roche, mas atuou muito e ficou notabilizado por marcar gols importantes, normalmente no apagar das luzes, garantindo resultados improváveis ao clube. Nas duas temporadas, os três defensores marcaram, juntos, 19 gols.

Ligados à marcação, Paul Le Guen (foto) e Laurent Fournier se tornaram jogadores icônicos no clube. Tendo ambos disputado mais de 250 jogos, chegaram à Seleção Francesa e ficaram marcados pela seriedade, aplicação tática e por terem sido incansáveis, doando-se ao máximo pela liberdade dos jogadores de frente. Entre 2007 e 2009, Le Guen foi o treinador do clube parisiense.

Na criação, o habilidoso e técnico Vincent Guérin (outro que vestiu a camisa de Les Bleus) dividiu espaço com o brasileiro Valdo (foto). De características diferentes, compuseram uma dupla muito interessante. Enquanto o francês tinha grande predileção pela condução da bola e movimentação pelos lados do campo, Valdo frequentava, mormente, a faixa central do campo, sempre com uma impressionante capacidade de distribuição de bola, finalização e comprometimento – não à toa, jogou até os 40 anos.


Abrilhantando ainda mais o jogo do esquadrão francês, David Ginola e George Weah (foto) formaram uma dupla de frente fantástica. O primeiro era um daqueles jogadores que nos levam a pensar como não obteve mais sucesso. Rápido, driblador, elegante e letal finalizador, foi chamado de El Magnifico. Um dos motivos para que não tenha conseguido maior sucesso foi uma falha no jogo decisivo que culminou com a não-classificação da França para a Copa do Mundo de 1994. Já Weah – único jogador africano a vencer o prêmio de melhor jogador do mundo, em 1995 – tinha tudo o que um grande atacante precisa. Instinto, grande habilidade, finalização apuradíssima, velocidade e explosão.

No banco de reservas, além do vitorioso treinador Artur Jorge – que chegou credenciado pelo título da UEFA Champions League com o Porto – havia outros jogadores de qualidade, sobretudo Raí (foto), que chegou em 1993 credenciado pelo bicampeonato da Copa Libertadores da América, com o São Paulo, e rapidamente se tornaria ídolo da equipe. Além dele, vale ressaltar o versátil Francis Llacer e o meia-atacante Daniel Bravo.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de Finais da Copa da UEFA: PSG 4x1 Real Madrid

Estádio Parc des Princes, Paris

Árbitro: Sándor Puhl

Público 46.000

Gols: ’33 Weah, ’81 Ginola, ’87 Valdo, ’90 Kombouaré (PSG); ’90 Zamorano (Real Madrid)

PSG: Lama; Sassus (Bruno Germain), Ricardo Gomes, Kombouaré, Colleter; Paul Le Guen, Valdo, Vincent Guérin; George Weah, A. Simba (Daniel Bravo), David Ginola. Téc.: Artur Jorge

Real Madrid: Buyo; Ricardo Gomes, Ramis, Nando, Lasa; Hierro, Míchel, Prosinecki, Luis Enrique (Alfonso); Butragueño (Villarroya) e Zamorano. Téc.: Floro

Final da Copa da França: PSG 3x0 Nantes

Estádio Parc des Princes, Paris

Árbitro: R. Harrel
Público 48.789

Gols: ’49 Kambouaré, ’55 Ginola, ’59 Roche (PSG)

PSG: Lama; Kombouaré, Ricardo Gomes, Alain Roche, P. Colleter; Le Guen, Laurent Fournier, Vincent Guérin (Calderaro), Daniel Bravo (Valdo); George Weah e David Ginola. Téc.: Artur Jorge

Nantes: Marraud; Karembeu, Guyot, Vulic, Le Dizet; Ferri, Claude Makelele, Ziani (Moreau), Pedros; Loko (Lima) e Ouédec. Téc.: J. Suaudeau

Semifinal da UEFA Winner’s Cup: PSG 1x1 Arsenal

Estádio Parc des Princes, Paris
Árbitro: Leif Sundell

Público 48.000

Gols: ’49 Ginola (PSG); ’35 Wright (Arsenal)

PSG: Lama; Sassus, Ricardo Gomes, Llacer (Daniel Bravo), Colleter; Le Guen, Fournier, Guérin , Valdo; George Weah e David Ginola. Téc.: Artur Jorge

Arsenal: Seaman; Dixon, Bould, Tony Adams, N. Winterburn; Jensen, Selley, Paul Davis (M. Keown); Alan Smith (K. Campbell), Paul Merson e Ian Wright. Téc.: George Graham

38ª Rodada do Campeonato Francês 1993-1994: PSG 4x1 Bordeaux

Estádio Parc des Princes, Paris

Árbitro: Jean-Marie Lartigot

Público 40.021

Gols: ’20 e ’23 Le Guen, ’32 Ginola, ’72 Weah (PSG); Sénac (Bordeaux)

PSG: Lama (Luc Borrelli)); Sassus, Kombouaré, Cobos, Llacer; Le Guen, Fournier, Guérin, Valdo (Daniel Bravo); George Weah e David Ginola. Téc.: Artur Jorge

Bordeaux: L. Perez; Croci, Sénac, Dogon; Guérit, Daniel, Plancque, Vercruysse (Marcel Dib); Dugarry, Paille (Zinedine Zidane), Fofana. Téc.: Rolland Courbis

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