sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Uma história diferente na Bundesliga

Possuidora de 145.000 habitantes (a 55ª maior cidade germânica) e dona do menor rio da Alemanha (com cerca de 4 quilômetros), Paderborn, cidade fincada a cerca de 100 Km de Dortmund e quem tem no Squash seu esporte mais destacado, começou a viver um sonho futebolístico esse ano.




Com mais de 107 anos de existência (mas, desde 1985, com a atual organização) sem sequer uma temporada na Primeira Divisão, o SC Paderborn 07 foi o segundo colocado na 2.Bundesliga 13-14 e garantiu seu passaporte para a realização de seu maior sonho, tornando-se o 53º time diferente a chegar ao escalão principal do futebol germânico. Paderborn, a cidade conhecida por apostar nas bicicletas como principal meio de transporte (como demonstram os 1.900 estacionamentos de bicicletas na Benteler Arena – estádio do Paderborn) e por sua calmaria, que proíbe a prática de partidas nas noites de sexta-feira, ganhou um novo e grande motivo para preferir a euforia à tranquilidade.

Depois de bater na trave na temporada 2011-2012, quando foi comandado por Roger Schmidt – recém-contratado pelo Bayer Leverkusen, após exitosa campanha pelo Red Bull Salzburg recheada de títulos e recordes –, e viver um temporada insossa em 12-13 – sob o comando de Stephan Schmidt, treinador jovem que chegara do Wolfsburg Sub-19 –, o clube contratou o ex-atacante alemão André Breitenreiter, outra jovem aposta, 40 anos, para conduzir a última temporada.

Sob seu comando, o clube adquiriu um estilo de jogo um pouco irresponsável, mas eficiente. O 2º melhor ataque da competição e a 12ª melhor defesa deixam clara a tônica do estilo de jogo ofensivo do Paderborn, capaz de vitórias incríveis como um 6x1 frente ao Fortuna Düsseldorf, fora de casa, e derrotas acachapantes como os dois 4x0 contra Energie Cottbus e Karlsruher. Individualmente, seu grande destaque foi Elias Kachunga (foto) atacante criado pelo Borussia Mönchengladbach e com passagens pelas Seleções de Base da Alemanha, nos escalões Sub-17, 18, 19, 20 e 21.

As 10 assistências e seis gols do atacante alemão de origens congolesas não fizeram dele o maior artilheiro da equipe, cargo entregue à Mahir Saglik e Alban Meha (autores de 15 e 12 gols, respectivamente), mas o tornaram o jogador mais perigoso da equipe. O que, certamente, verifica-se nesta temporada. Com cinco rodadas da Bundesliga disputadas, o clube somou oito pontos e ocupa a sétima posição na tabela, três pontos atrás do líder, o Bayern de Munique, muito disso em função dos três gols de Kachunga.

O mais interessante é que, não fosse a última partida, derrota por 4x0 para o próprio Bayern, o clube poderia estar na liderança, condição que viveu na quarta rodada, após vencer o Hannover e fazer história com um belo e inesperado gol de Moritz Stoppelkamp, em chute há 83 metros de distância do gol.

Sem um orçamento relevante ou grandes estrelas, o Paderborn vai marcando sua primeira passagem pela Primeira Divisão positivamente. Segundo o site Transfermarkt, seu elenco vale 22,35 milhões de euros, aproximadamente 4% do valor da equipe do Bayern de Munique ou 6,5% em relação ao Borussia Dortmund, segundo a mesma fonte. Nem esta enorme barreira está sendo capaz de impedir a realização de uma boa campanha pelo clube, que, inclusive, bateu o tradicionalíssimo Hamburgo, por 3x0, fora de casa.


Poderá resistir até o final? Não há como precisar. Mas, da mesma forma, ninguém em sã consciência apostaria que o modesto e destemido Paderborn traria, tão rapidamente, seu impacto, mostrando suas cartas. A sétima colocação e o gol há 83 metros de distância indicam que não se deve duvidar do time.

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