segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Futebol pelo mundo: Vigo

Após trazer ao leitor o relato de uma experiência futebolística na cidade de Bruxelas, capital da Bélgica, partimos para outro destino. Pela Liga BBVA, Celta de Vigo e Almería se enfrentaram na última sexta-feira; e os parceiros Doentes por Futebol e O Futebólogo contam como é assistir uma partida de futebol na bela e interessante cidade galega de Vigo, que, como Bruxelas, não respira o futebol, mas tem uma relação de amor em relação ao clube da cidade.




Transportando-se

Curiosa e diferentemente da maioria das cidades do mundo, Vigo possui um estádio em uma região relativamente central, pouco afastado de sua área mais turística, o que favorece o transporte do amante do futebol, que pode, tranquilamente, deixar a Praza del Sol - local bem central - e chegar ao Estádio M. de Balaídos, casa do Celta, com uma caminhada de 20-25 minutos.

Evidentemente, a escolha da caminhada não traz consigo o apreço e a adesão de boa parte do público, que pode precisar de outras alternativas. Dito isso, vale ressaltar que há linhas de ônibus, que passam pelo estádio e têm baixo custo, e também não se deve desconsiderar a possibilidade de usar um taxi, cujo valor - partindo da zona central da cidade - não fica muito elevado e dá mais tranquilidade ao torcedor.

Além disso, a cidade, em geral, se comunica em Galego, variação do Castelhano que se parece ainda mais com o Português do que o próprio Espanhol. Ou seja, há absoluta facilidade para se chegar ao campo.

A experiência fora do Estádio

Como em Bruxelas, há muitos bares com televisores no entorno do bonito Estádio do Celta – todos bem cheios. No entanto, provavelmente em função da temperatura (cerca de 15ºC; alta para os padrões da época), havia muita gente nas ruas, circulando, bebendo e comendo. Enredando o campo, há também trailers vendendo produtos relacionados ao clube, que vão desde cachecóis até boinas com o emblema da equipe.



Além disso, o clube tem sua loja oficial no estádio, a qual, como a do Anderlecht em Bruxelas, estava muito cheia e dispunha de uma variedade considerável de produtos do clube.

Outra ocorrência interessante de ser observada é a existência de muitos portões no estádio, o que facilita a entrada e a saída do local. Há, ainda, nos mesmos, pinturas remetendo a jogadores de destaque da história do clube e, em algumas pilastras, notam-se fotografias dos destaques atuais do plantel galego.



Com poucos policiais no entorno, o clima é bem amistoso e percebe-se com facilidade a presença de muitas famílias, crianças e idosos, inclusive totalmente desacompanhados, o que demonstra altíssimos índices de civilidade, tanto da parte das pessoas como também das autoridades, que exercem um papel apenas preventivo, sem revelarem-se ostensivos. Não há, sequer, revista.

Por fim, resta dizer que, para quem compra os ingressos pela internet, é extremamente fácil retirá-los. Há dois guichês eletrônicos, sem filas, em que basta preencher dois campos, enviados via e-mail quando da compra, e os bilhetes são automaticamente impressos.

A experiência dentro do Estádio

O encontro, visto por um público escasso de pouco mais de 14.000 pessoas, revelou um estádio bonito, mas, aparentemente, carente de reparos e um pouco decadente. Todavia, respeitam-se os lugares marcados. Na parte interna, há bares e balcões vendendo alguns tipos de comidas e bebidas.

Cachorros quentes e pipoca são muito populares e têm um padrão de preços bem semelhante aos praticados no Brasil, ou seja, não são baratos. O interessante é que, apesar de as filas não serem propriamente convidativas ao consumo, há televisões transmitindo o jogo, ou seja, apesar do tempo gasto ser grande, o torcedor não perde os lances do jogo.



O jogo

Dentro das quatro linhas, o espetáculo foi fraco. Com dois rivais notavelmente limitados tecnicamente – e com o Celta sem dois de seus destaques; Nolito e Joaquín Larrivey ficaram no banco de reservas – o jogo teve um primeiro tempo moroso e apesar do domínio da posse de bola por parte da equipe da casa, foi o Almería que inaugurou o placar e, a partir de seu tento, passou a desperdiçar muito o tempo, sobretudo quando a bola saía dos limites do gramado.


Foi só na etapa complementar que o Celta partiu para o ataque de forma mais incisiva, primeiro com avanços pouco produtivos de Fabián Orellana pela faixa destra e, depois da entrada de Nolito, pelo flanco canhoto também. Por sua vez, o Almería abdicou do ataque, utilizando-se exclusivamente de raros contragolpes para levar perigo à meta adversária.

Na segunda etapa, também houve uma penalidade máxima em favor do clube galego. Não obstante essa ter sido uma grande oportunidade, Nolito desperdiçou-a e permitiu a manutenção de um placar desfavorável ao Celta, que armou-se em um 4-3-3 e batalhou contra um Almería escalado em um 4-2-3-1.

Curiosamente, a penalidade marcada em favor do Celta aparentou ter sido um equívoco da arbitragem. No entanto, pouco tempo depois, houve lance duvidoso em que pareceu ter sido erroneamente desconsiderado um novo pênalti.



A torcida

Passiva, a torcida do Celta não oferece espetáculo ao amante do futebol. Manifestações de apoio são poucas e restringem-se a gritos do nome do próprio time. Ouvem-se mais reclamações, por meio de assobios, do que propriamente apoio das arquibancadas.

A saída

Tão tranquila quanto a chegada, a saída do estádio é extremamente fácil – com muitos portões e facilidade de escoamento – e não traz consigo quaisquer problemas. Pode-se voltar ao centro tanto andando quanto por outros transportes – ônibus e táxis. Embora o Estádio não seja afastado da zona central da urbe, não há trânsito nas ruas. O dado curioso da saída é o interesse das pessoas da cidade, que não foram ao estádio, em saber o resultado da partida. Apesar de o clube não contar com o alento das arquibancadas, ele é extremamente querido por sua população.



O veredito

Segura e de fácil acesso, uma visita ao Estádio do Celta de Vigo é um programa para todos. O que pode não agradar muito é a qualidade do futebol apresentado. Ainda assim, o Celta é um time tradicional na Espanha e a experiência é interessante, uma vez que, como a maioria dos campos do mundo, o Estádio M. de Balaídos tem suas peculiaridades.

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