quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Times de que Gostamos: Werder Bremen 2003-2004

Após tratar do Derby County de Brian Clough, campeão inglês no início dos anos 70, a coluna “Times de que Gostamos” volta sua atenção ao ótimo time do Werder Bremen da temporada 2003-2004, lembrada, principalmente, pela eficiência da dupla de ataque Ivan Klasnic e Aílton.




Time: Werder Bremen

Período: 2003-2004

Time Base: Reinke; Stalteri, Ismael, Krstajic, Schulz; Baumann, Borowski, Ernst, Micoud; Klasnic e Aílton. Téc.: Thomas Schaaf

Títulos: Campeonato Alemão e Copa da Alemanha


Sem poder erguer a Salva de Prata desde a temporada 1992-1993, o Werder Bremen montou, em 2003-2004, um time de eficiência poucas vezes vista em Bremen. Melhor ataque da Bundesliga, com 79 gols marcados em 34 jogos, e segunda melhor defesa, com 38 sofridos, o alviverde do norte da Alemanha se superiorizou a todos seus concorrentes e deixou o Bayern de Munique, segundo colocado, comendo poeira, seis pontos atrás.

Na temporada 2003-2004, Thomas Schaaf conseguiu montar uma equipe impressionantemente sólida na defesa, compacta e técnica no meio-campo e feroz no ataque. Assim, o destino do Werder Bremen não poderia ser outro: a conquista da Bundesliga e, além disso, da DFB Pokal, a Copa da Alemanha. Entretanto, desde então, o clube não mais voltou ao topo no futebol alemão e hoje amarga uma inglória disputa contra o rebaixamento.

A meta dos Werderaner foi defendida pelo experiente Andreas Reinke (foto), que chegou ao clube aos 34 anos, após boa estada no Murcia, da Espanha. Não era um arqueiro fantástico, mas cumpriu muito bem o seu papel, disputando todos os jogos do time no Campeonato e na Copa. Na Bundesliga, se manteve invicto em 13 ocasiões. No entanto, em 2005, com a chegada de Tim Wiese, passou a figurar no banco de reservas. Todavia, é dono de uma marca interessante, sendo o primeiro goleiro a vencer o Campeonato Alemão por duas equipes diferentes – antes, em 1998, Reinke havia conquistado a competição com o Kaiserslautern. 

Flanqueando a defesa, o Werder Bremen não fez escolhas bem definidas. Certa mesma foi a titularidade do canadense Paul Stalteri (foto), que atuou tanto pelo lado direito quanto pela faixa canhota, marcando dois gols na temporada. Originário da lateral direita, quando atuou na esquerda, abriu espaço para o turco Ümit Davala, jogador mais ofensivo. Por outro lado, fazendo sua melhor função, viu o jovem Christian Schulz e o experiente Viktor Skripnik se digladiarem pela titularidade na esquerda. Em função de suas características defensivas e juventude, Schulz foi a opção mais frequente. Curiosamente, Skripnik é o atual treinador do time.

Fortes fisicamente e importantíssimos na bola aérea, os zagueiros do Werder Bremen foram fundamentais para o bom desempenho do time. Conquanto não fossem tecnicamente privilegiados, encontraram um excelente entrosamento e não apresentaram deficiências acentuadas. Valérien Ismaël (foto), zagueiro francês vindo do Strasbourg, foi responsável por cinco gols e três assistências na temporada. Mladen Krstajic, por sua vez, balançou as redes três vezes.
No meio campo, um tridente fazia tanto a proteção à defesa quanto a transição para o ataque. Postado imediatamente à frente dos beques, Frank Baumann, capitão da equipe, era um cão de guarda. Alto, imponente e bom nos desarmes, garantia muita segurança à equipe.

Um pouco mais adiantados, Fabian Ernst e Tim Borowski (foto) ditavam o ritmo da equipe. Donos de bom posicionamento, aproximação ao ataque e passe, eram os responsáveis pela construção do jogo. Na Bundesliga, Ernst proveu 11 assistências em 33 jogos, Borowski, por sua vez, marcou cinco gols importantíssimos na Copa da Alemanha, dois deles na finalíssima. Os três serviram a Seleção Alemã em muitas ocasiões.

Talentosíssimo, Johan Micoud (foto) era o ponto de criatividade do time. Alto, esguio, dono de ótima visão de jogo, brilhante nos lançamentos e fatal nas bolas paradas, era o diferencial do Werder Bremen. Na temporada completa, marcou 15 gols e concedeu nove assistências. No período, Le Chef, como era conhecido, também frequentou a Seleção Francesa.

Com tanta qualidade no meio-campo, os atacantes não tinham do que reclamar. E o setor foi composto por uma dupla que superou a barreira linguística e se entendeu muito bem. O brasileiro Aílton e o croata Ivan Klasnic firmaram um dos maiores pactos com as redes de um duo de atacantes dos últimos tempos. Astro da pequena área adversária, o parrudo Aílton, que tinha um faro de gol incomum, marcou 34 gols e proveu 10 assistências na temporada, firmando-se como o artilheiro tanto da Bundesliga quanto da DFB Pokal (ao lado de seu companheiro e de Erik Meijer). Klasnic, que se movimentava mais no ataque mas também tinha muita qualidade dentro da área, balançou as redes rivais 19 vezes, contribuindo, ainda, com 13 assistências.

“Indivíduo de um time só”, Thomas Schaaf, que durante sua carreira de jogador defendeu apenas o Werder e, como treinador, comandou o time por 14 anos, foi o responsável pela construção desse time, impressionantemente coeso. 

Além disso, no banco de reservas o técnico tinha opções de grande valia. Os meias polivalentes Pekka Lagerblom e Krisztian Lisztes e os atacantes Angelos Charisteas e Nelson Valdez (foto) – autores de 16 gols na temporada – exemplificam bem a qualidade dos suplentes dos Werderaner e ajudam a entender como o clube do norte alemão alcançou um desempenho tão impressionante na temporada 2003-2004. 

Ficha técnica de jogos importantes nesse período:

22ª rodada do Campeonato Alemão: Werder Bremen 2x0 Borussia Dortmund

Estádio Weser, Bremen

Árbitro: Lutz Wagner

Público 43.000

Gols: ’57 Ismael e ’86 Aílton (Werder Bremen)

Werder: Reinke (Borel); Davala (Schulz), Ismael, Krstajic, Stalteri; Baumann, Ernst, Lisztes, Micoud; Klasnic e Aílton (Valdez). Téc.: Thomas Schaaf

Borussia: Warmuz; Reuter (Ricken), Demel, Wörns, Jensen (Odonkor); Kehl, Flávio Conceição (Dedê), Frings, Rosicky; Ewerthon e Koller. Téc.: Matthias Sammer

31ª rodada do Campeonato Alemão: Werder Bremen 6x0 Hamburgo

Estádio Weser, Bremen

Árbitro: Lutz-Michael Fröhlich
Público 42.500

Gols: ’17 Barbarez (contra), ’22 Ismael, ’39 Klasnic, ’48 Aílton, ’80 Valdez, ’84 Skripnik (Werder Bremen)

Werder: Reinke; Stalteri, Krstajic, Ismael, Schulz; Baumann, Borowski, Lagerblom (Skripnik), Micoud; Klasnic (Valdez) e Aílton (Charisteas). Téc.: Thomas Schaaf

Hamburgo: Starke; Hoogma, Reinhardt, Ujfalusi; Schlicke, Wicky, Fukal; Benjamin (Cardoso), Barbarez, Mahdavikia; Hleb (Romeo). Téc.: Klaus Toppmöller

32ª rodada do Campeonato Alemão: Bayern de Munique 1x3 Werder Bremen

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Edgar Steinborn

Público 63.000

Gols: ’19 Klasnic, ’26 Micoud, ’35 Aílton (Werder Bremen); ’56 Makaay (Bayern)

Bayern: Kahn; Salihamidzic, Linke, Jeremies, Lizarazu; Hargreaves, Ballack, Zé Roberto, Schweinsteiger (Santa Cruz); Pizarro e Makaay. Téc.: Ottmar Hitzfeld

Werder: Reinke; Stalteri, Krstajic, Ismael (Lagerblom), Schulz (Skripnik); Baumann, Ernst, Borowski, Micoud; Klasnic (Valdez) e Aílton. Téc.: Thomas Schaaf

Final da Copa da Alemanha: Werder Bremen 3x2 Alemannia Aachen

Estádio Olímpico, Berlim

Árbitro: Herbert Fandel

Público 71.682

Gols: ’31 e ’84 Borowski, ’45 Klasnic (Werder); ’51 Blank e ’93 Meijer (Aachen)

Werder: Reinke; Stalteri, Krstajic, Ismael, Schulz (Skripnik); Baumann, Ernst, Borowski (Charisteas), Micoud; Klasnic (Valdez) e Aílton. Téc.: Thomas Schaaf

Aachen: Straub; Landgraf (Fiél), Klitzpera, Mbwando, Blank; Paulus, Brinkmann (van der Luer), Grlic, Pflipsen (Gomez); Meijer e Salou. Téc.: Jörg Berger

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