segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Futebol pelo Mundo: Barcelona

Como destino final, a série Futebol pelo Mundo – produzida mediante parceria entre O Futebólogo e Doentes por Futebol – traz a experiência de assistir uma partida no majestoso, histórico e famosíssimo Camp Nou, a casa do Barcelona, que, em partida válida pela 18ª rodada do Campeonato Espanhol, enfrentou o fortíssimo time do Atlético de Madrid, atual campeão nacional.




Transportando-se

O Camp Nou não fica no centro da cidade, mas também não é muito afastado, havendo cobertura de duas linhas diferentes de metrô – excelente meio de transporte na cidade e com enorme alcance. Seja por meio da Linha 3 ou pela Linha 5, ambas com pontos nas zonas centrais da cidade, chega-se com conforto ao estádio. Caso a opção seja pela L3, pode-se descer nas estações de Palau Reial ou Les Corts; por outro lado, chegando pela L5, há outras duas estações próximas ao estádio: Collblanc ou Badal. A passagem de uma viagem do metrô custa € 2,15.

A outra possibilidade são os táxis, que, saindo do centro da cidade, ficam entre €10 e €15.



A experiência fora do Estádio

Na chegada ao estádio, o torcedor deixa-se levar pela multidão que se encaminha pelas ruas impedindo o trânsito de carros. Flanqueando as ruas próximos, há bares, trailers vendendo produtos licenciados pelo clube e até mesmo – como ocorre em muitos estádios no Brasil – ambulantes vendendo cerveja.



Já na saída da estação do metrô é possível respirar o ar próprio da partida e o amor incondicional dos torcedores catalães, bem como seu orgulho em relação à Catalunha, traduzido em bandeiras, roupas e gritos.

A experiência dentro do Estádio

Organizado, o interior do estádio é muito tranquilo. Há inúmeros bares e banheiros. Há também estandes vendendo produtos do clube e muitas pessoas para ajudar o torcedor a se localizar – o que é necessário diante da imensidão do estádio. São três andares de arquibancadas, inúmeras portas e portões.


Como é de se esperar, os lugares marcados são respeitados e em alguns setores havia torcedores do Atlético em meio aos do Barça, convivendo em absoluta tranquilidade. Há também uma infinidade de estrangeiros de todas as partes do mundo.

O jogo



Como não poderia ser diferente, o encontro em si foi um espetáculo de enorme qualidade. De um lado a qualidade de passe e a letalidade do escrete de Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar; do outro a força na bola aérea e a grande arma do contragolpe dos comandados de Diego Simeone.

O Barça foi ao campo com Cláudio Bravo na meta, Daniel Alves, Gerard Piqué, Javier Mascherano e Jordi Alba na linha de defesa, Sergio Busquets, Ivan Rakitic e Andrés Iniesta na faixa central e Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar no comando do ataque, em um 4-3-3. O argentino atuou majoritariamente pela faixa destra do ataque, o uruguaio pelo centro e o brasileiro pelo flanco esquerdo. Os três avançados demonstraram, todavia, muita movimentação.


Os Colchoneros alinharam-se com Miguel Ángel Moyà no gol, Juanfran, Diego Godín, José Giménez e Jesús Gámez na retaguarda, Gabi, Tiago, Koke e Arda Turan na meia cancha e, mais avançados, Antoine Griezmann e Mario Mandzukic. Koke e Arda começaram abertos pelos flancos e Griezmann mais pelo centro do ataque, situação que se alterou durante a partida, com os três se movimentando pelos flancos e pelo centro do campo.

Após um minuto de silêncio em função do atentado ocorrido em Paris, o Barcelona, dono da posse de bola (terminando o encontro com 65%), mandou no jogo. Contando com participações inspiradas de Iniesta e Rakitic, o trio sul-americano de ataque mostrou muito entrosamento e talento, jogando tanto individualmente quanto coletivamente. O Atlético, muito concentrado em marcar, abdicou do jogo e passou a maior parte do jogo correndo atrás dos jogadores catalães e esperando uma oportunidade de contra golpear os donos da casa.

Com alguns lances discutíveis e distribuindo muitos cartões amarelos, o árbitro esteve mal – e a entrada fortíssima sofrida por Neymar ainda no início da partida mostra isso. Contudo, por sorte, seus equívocos em nada interferiram no placar da partida. Com gols de Neymar, Suárez e Messi, o Barça venceu com propriedade. De pênalti, Mandzukic marcou para o Atleti.



A torcida

O torcedor do Barça é verdadeiramente apaixonado pelo seu clube, alentando seus jogadores incansavelmente, durante quase todos os 90 minutos do jogo. Reverências aos craques, cânticos elaborados e de variado teor – desde manifestos em favor da independência da Catalunha até xingamentos à arbitragem – e os tradicionais aplausos nas ocasiões de gols, grandes defesas e recuperações de bola marcam a experiência.

Há que se ressaltar também o respeito integral e absoluto ao minuto de silêncio (que de fato dura um minuto) em homenagem e respeito às vítimas do atentado de Paris.



A saída

Único ponto em que cabe fazer uma ressalva, a saída é relativamente complicada. Apesar de organizadas, as estações de metrô próximas ao estádio não estão preparadas para receber a quantidade de pessoas que saem do Camp Nou ao final das partidas.

A partida contra o Atlético de Madrid foi vista por 81.658 pessoas e, embora nem todos deixem o estádio por meio do metrô, houve alguma confusão na saída. O torcedor tem que seguir no ritmo do fluxo de pessoas, que inundam as ruas. Na entrada das estações há pessoas por conta de organizar o acesso, o que não evita algum “empurra-empurra”. No interior do transporte também há desconforto, mas, como dito, é muito difícil imaginar um quadro diferente considerando a multidão que assiste às partidas do Barça.

É um ponto desfavorável à experiência, mas plenamente compreensível.



O veredito

Poucas experiências de futebol podem ser tão gratificantes quanto uma ida ao Camp Nou. A torcida é espetacular, as instalações idem e a qualidade do futebol apresentado dispensa maiores apresentações. A chegada é tranquila, o espetáculo fascinante e a experiência é absolutamente única. Para o Doente por Futebol, assistir um jogo do Barcelona, no Camp Nou, é ingressar em um mundo de sonhos. 

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