sábado, 21 de fevereiro de 2015

Os últimos suspiros do Parma

Os anos 90 marcaram uma época de um brilho alviverde intenso no futebol brasileiro. Recheado de grandes estrelas, dentro e fora das quatro linhas, o Palmeiras foi durante algum tempo o time a ser batido. Conduzido ora por Rivaldo, Djalminha ou Alex, o clube paulista sagrou-se Bicampeão Brasileiro, Campeão da Libertadores, da Copa Mercosul, da Copa do Brasil e do Torneio Rio São Paulo, além do Tricampeonato Paulista. Todavia, o encanto desta esquadra só foi possível graças ao dinheiro de uma empresa parceira do clube: a Parmalat.


Do outro lado do Oceano Atlântico, na mesma década, um clube modesto e sem grande expressão ameaçava os grandes e históricos times na Itália. Igualmente financiado pelo dinheiro da Parmalat, os Gialloblú conquistaram seus primeiros títulos importantes. Com figuras da estirpe de Hernán Crespo, Lilian Thuram, Paolo Canavarro, Gianluigi Buffon (foto) ou Juan Sebastian Verón, o selecionado venceu a Copa da Itália, a Supercopa da Itália, a UEFA Cup (duas vezes!), a Supercopa da Europa e a Winner’s Cup, além de ter se sagrado vice-campeão do Campeonato Italiano em uma ocasião.

A despeito disso, a Parmalat faliu e os investimentos no futebol findaram-se. A partir da quebra da empresa, enquanto o Palmeiras conheceu as dificuldades da Segunda Divisão, o Parma retomou seu lugar de clube de pouca expressão no cenário nacional e internacional, sendo, igualmente, rebaixado à Série B, posteriormente.

Com a falência da Parmalat, os times brasileiro e italiano nunca mais voltaram a ser os mesmos, mas a vida do Parma tornou-se, seguramente, pior que a do Palmeiras. Falido junto com a empresa, o clube foi rebatizado e, desde então, parou de realizar relevantes investimentos. O retorno à pequenez era um impacto óbvio, mas a chegada ao estágio atual não era esperada. O clube anunciou nesta semana não ter capacidade financeira para suportar os custos de sua próxima partida, que deveria acontecer contra Udinese, no próximo domingo (22) e foi adiada.

Há pouco mais de 10 anos, com a falência da empresa e da equipe, o jornalista Fillipo Maria Ricci, da Gazzetta Dello Sport, disse à BBC: “O clube cresceu grandemente sob a titularidade da Parmalat, e em seguida caiu pelas tabelas se tornando um “clube normal” por muitas temporadas, mas realmente parecia que voltaria, a despeito das vendas de grandes nomes como Buffon, Thuram, Crespo e Veron.”

A realidade da época mostrava que nos últimos anos da parceria, a Parmalat já não vivia seus melhores dias, mas respirava por aparelhos. Se não podia manter suas estrelas, ao menos segurava-se o suficiente para não brigar contra o rebaixamento, dando esperanças de uma recuperação, ainda que tardia.

Se antes da falência total da empresa parecia que o clube “voltaria”, após a quebra, essa impressão apagou-se. E 2015 apresenta a agonia maior do clube. Sem pagar salários há aproximadamente seis meses (segundo informou o site ESPNFC), o clube viu seu grande ídolo, Antonio Cassano (foto), rescindir seu contrato com a equipe e buscou o empréstimo de jogadores de outras equipes para não ter que arcar com os ordenados ou ter responsabilidade reduzida com os mesmos.

Assim, chegaram o uruguaio Cristian Rodríguez (foto), o português Silvestre Varela e o italiano Antonio Nocerino ex-Atlético de Madrid, Porto e Milan, respectivamente.

Afundado na última posição do italiano, com miseráveis 10 pontos em 23 partidas, o Parma voltará à segunda divisão. É inevitável. E o preocupante é que, dos problemas da equipe, o desportivo parece o menor. À beira de uma nova falência, uma vez que seu proprietário, Giampietro Manenti, não tem conseguido honrar com quaisquer compromissos do clube, o time corre sério risco de ser esquecido e até mesmo encerrado.

Se não for revendido ou receber um belo impulso financeiro, a grande equipe dos anos 90 e início do século XXI dificilmente resistirá. Sua história, no entanto, persistirá indelevelmente marcada na memória do amante do futebol, que sempre se lembrará dos feitos incríveis do pequeno endinheirado que assombrou os grandes italianos durante pouco mais de uma década.

Atualização (21/02/2015 às 17:55)

Más notícias para os adeptos do Parma. O twitter BBC Sport informa que o Parma foi declarado insolvente e foi, automaticamente, rebaixado. Todos os jogos restantes da  temporada serão creditados como vitórias por 3x0 para o oponente.

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