quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Times de que Gostamos: Atlético Nacional 1989

Após tratar do excelente time do Espanyol 2005-2007, vice-campeão da UEFA Cup e laureado com uma Copa del Rey, volto-me para o futebol sul-americano, onde, em 1989, o Atlético Nacional sagrou-se o primeiro campeão colombiano da competição.


Em pé: Gildardo Gómez, Ricardo Pérez, Andrés Escobar, Francisco Cassiani, Tréllez, René Higuita e Níver Arboleda;
Agachados: Alexis García, Jaime Arango, Leonel Alvarez e Luis Fernando Herrera.


Time: Atlético Nacional

Período: 1989

Time Base: Higuita; Herrera, Perea, Andrés Escobar, Gómez; Pérez, Leonel Álvarez, Alexis García, Jaime Arango; Arboleda e Tréllez. Téc.: Francisco Maturana

Conquista: Copa Libertadores da América

A despeito de ter, supostamente, se favorecido do dinheiro do tráfico de drogas, sobretudo vindo do afamado traficante Pablo Escobar, o Atlético Nacional, equipe da cidade de Medellín, formou no final dos anos 80 e início da década de 90 um time poderosíssimo. Dono de ótimas qualidades defensivas, o clube desfrutava enormemente do talento de seus meio-campistas e de seus atacantes.

A base de Los Verdolagas seria, ainda, importantíssima para aquela que é conhecida como a maior geração do futebol colombiano de todos os tempos - a do início dos anos 90 - , à qual a equipe de 2014 foi comparada. Se os grandes craques da Seleção Cafetera eram Carlos Valderrama, Freddy Rincón e Faustino Asprilla, estes só alcançavam tal protagonismo em função da enorme influência de figuras como Andrés Escobar, Leonel Álvarez e Luis Herrera – isso sem falar no treinador Francisco Maturana, que deixaria o clube para comandar a Seleção.

Que amante do futebol nunca viu uma famosa defesa em que o goleiro pula tal qual um escorpião? O responsável pelo memorável e arriscado movimento era ninguém menos do que René Higuita (foto), arqueiro titular do Atlético Nacional.

Dono de enorme elasticidade e de grandes reflexos, era também notado por sua irresponsabilidade. Se hoje o mundo reverencia as saídas providenciais de Manuel Neuer, deixando a meta para decidir uma jogada, há quase 30 anos, Higuita já o fazia, atuando mormente como um líbero. Além disso, o colombiano ficou marcado por cobrar faltas e pênaltis, sendo o quarto goleiro que mais gols marcou gols, com 41, atrás de Rogério Ceni, José Luis Chilavert e Dimitar Ivankov. Higuita é ainda o 9º jogador que mais vezes defendeu a Seleção Colombiana.

Pela lateral direita, o alviverde colombiano contava com Luis Chonto Herrera (foto), considerado o melhor jogador colombiano de sua posição na história. Atleta completo, tinha na explosão sua grande marca, embora também fosse técnico e, com o tempo, tenha se transforamdo em um marcador respeitável. Na faixa canhota, El Rey de Copas contava com Gildardo Gómez. Lateral que também podia desempenhar a função de zagueiro e que marcou presença na Seleção Colombiana que disputou a Copa do Mundo de 1990, era mais um marcador, porém peça vital para o balanço da equipe.

A zaga do esquadrão colombiano tinha a combinação perfeita de qualidades. De um lado, a força e a potência do paredão Luis Carlos Perea, atleta de grande experiência e influência na Seleção Colombiana, que representou 78 vezes, sendo o 5º que mais vezes defendeu-a. Do outro lado, um beque de enorme técnica, El Caballero del Fútbol – como ficou conhecido –, Andrés Escobar (foto). Calmo e dono de inata liderança, a qual foi descobrindo com o decorrer de sua carreira, era muito talentoso. Tristemente, marcou um gol contra crucial para a eliminação da Seleção Colombiana na Copa do Mundo de 1994 e, pouco após desembarcar em seu país, foi assassinado. Há época, o defensor estava próximo de assinar contrato com o Milan.

Na meia-cancha, agregando proteção aos defensores e liberdade aos meias e atacantes, José Ricardo Pérez era o cão de guarda da equipe. Marcador implacável, era a peça de sustentação do esquema alviverde, tendo também representado a Colômbia na Copa do Mundo de 1990. Seu parceiro de contenção era um jogador que aliava técnica e raça como poucos. Cabeludo, Leonel Álvarez (foto) era uma figura ímpar, que ajudava a organizar a equipe tanto tática quanto psicologicamente, com enorme influência. É o terceiro jogador que mais vezes representou a Colômbia, com 101 jogos.

Habilidosíssimo, Alexis García (foto) era o capitão da equipe e o jogador mais querido do torcedor. Principal criador do time, destacava-se nas esferas do drible e do passe, mas impressionava por sua influência na equipe – outro ponto cujo ressalte é vital, em relação à toda a equipe, é a personalidade detida pela maioria dos membros da esquadra. Seu companheiro de setor e por vezes atacante era Jaime Arango, atleta que se destacava por sua velocidade e que, dessa forma, possibilitava um casamento ideal de características no setor de criação.

O ataque era composto pelo poderosíssimo John Jairo Tréllez (foto), detentor de imponente 1,93m. Curiosamente, ao contrário do que se poderia pensar, o colombiano destacava-se por sua velocidade (angariando o apelido de La Turbina). Seu parceiro mais usual foi Níver Arboleda, jogador habilidoso e bom finalizador. Todavia, Albeiro Usuriaga, grandalhão de 1,92m, também atuava com frequência, tendo marcado importante gol na final da Copa Libertadores da América, contra o Olimpia.

Orquestrando a equipe, Francisco Maturana (foto) tinha papel vital. Fosse no campo ou fora dele, o comandante era importante para a manutenção da coesão de um ambiente recheado de egos de grandes jogadores. Ex-jogador do próprio Atlético Nacional, o comandante conhecia todo o funcionamento da equipe, montando-a com perfeição e gerindo-a com igual acurácia. Suplementarmente, o comandante teve a seu serviço outros jogadores de grande valia, casos do meia Luis Alfonso Fajardo (muitas vezes titular) e dos defensores John Carmona e Francisco Cassiani.          

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Semifinal da Copa Libertadores da América (Jogo de Volta): Atlético Nacional 6x0 Danubio

Estádio Atanasio Girardot, Medellín

Árbitro: Carlos Esposito
Público 40.000

Gols: ‘9 Alexis García, ’34, ’35, ’62 e ’79 Usuriaga, ’87 Arboleda

Atlético Nacional: Higuita; Villa, Perea, Escobar, Gómez; Fajardo (Arboleda), Leonel Álvarez, Alexis García, Arango; Felipe Pérez e Alveiro Usuriaga. Téc.: Francisco Maturana


Danubio: Zeoli; Luis da Luz, Daniel Sánchez, Fernando Kanapkis, Eber Moas (Juan Góñez), Cabrera; Suarez (Osvaldo Streccia), Gustavo Dalto, Edgar Borges, Ruben Pereira; Rubén da Silva. Téc.: Ildo Maneiro

Final da Copa Libertadores da América (Jogo Final): Atlético Nacional 2(5)x(4)0 Olimpia

Estádio El Campín, Bogotá

Árbitro Juan Carlos Loustau

Público 60.000

Gols: ’46 Miño (contra) e ’65 Usuriaga (Atlético Nacional) / Escobar, Usuriaga, Trellez, Higuita e Álvarez marcaram suas penalidades; Alexis García, F. Pérez, Gómez e Perea desperdiçaram (Atlético Nacional) – Benítez, Chamas, Mendoza, Amarilla marcaram suas penalidades; Almeida, González, Guasch, Balbuena e Sanbria desperdiçaram (Olimpia)

Atlético Nacional: Higuita; Carmona, Perea, Escobar, Gómez; Fajardo (Arboleda), Álvarez, García, Arango (F. Pérez); Usuriaga e Tréllez. Téc.: Francisco Maturana

Olimpia: Almeida; Minõ, Chamas, Sanabria, Krausemann; Rafael Bobadilla (Balbuena), Gustavo Benítez, Jorge Guasch; Raúl Amarilla, G. Neffa (González) e A. Mendoza. Téc.: Luis Cubilla

Final do Mundial de Clubes: Milan 1x0 Atlético Nacional

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: Erik Fredriksson

Público 60.228

Gol: ‘118 Evani (Milan)

Milan: Galli; Tassotti, Costacurta, Baresi, Maldini; Rijkaard, Ancelotti, Diego Fuser (Evani), Donadoni; Massaro (Marco Simone) e van Basten. Téc. Arrigo Sacchi

Atlético Nacional: Higuita; Luis Herrera, Francisco Cassiani, Andrés Escobar, Gilardo Gomez; José Pérez, Leonel Álvarez, Alexis García, Jaime Arango; John Tréllez e Niver Arboleda (Usuriaga) e (Gustavo Restrepo). Téc. Francisco Maturana

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