segunda-feira, 23 de março de 2015

Desprezado pelo Chelsea, pretendido pelo mundo

Quando José Mourinho retornou ao Chelsea, no início da temporada 2013-2014, as esperanças do torcedor dos Blues se renovaram. Com um currículo ainda mais vitorioso do que aquele que havia construído até deixar Stamford Bridge (em 2007), o português era certeza de sucesso. Prometendo glórias só na temporada seguinte (a atual), o comandante também demonstrou a particular intenção de aproveitar um garoto cujo recorde recente havia sido excelente: Kevin De Bruyne.




Um dos maiores destaques da famigerada e promissora “Geração Belga”, De Bruyne havia feito brilhante temporada em 2012-2013. Na ocasião, aos 21 anos o garoto representava, emprestado, as cores do Werder Bremen. 34 jogos, 10 gols e 10 assistências foram sua marca, prova mais do que suficiente de que o talento do garoto era inegável e de que a hora de ser aproveitado em Londres havia chegado.

Contratado junto ao Genk, em 2012, após dois empréstimos (o primeiro ao clube de sua origem), o belga estava pronto para dar o salto de qualidade. Não obstante, não foi isso o que aconteceu.

Presente em apenas nove jogos, contabilizando um total aproximado de 43 minutos por partida, o jogador viu-se criticado por José Mourinho, sem espaço e preferiu sair – após partida contra o Swindon, pela Capital One Cup, chegou a ser relegado ao treinamento com o time sub-21. Não bastasse sua pouca utilização, De Bruyne quase sempre foi aproveitado pelos flancos do meio-campo, possibilidade que, embora lhe seja familiar, não lhe permite o melhor desenvolvimento de seu jogo.

“A próxima vez em que Kevin estiver no campo, ele tem que pensar que está jogando pela sua próxima aparição. No Werder Bremen, ele jogava todos os jogos. Aqui, ele não está jogando todos os jogos. Em Bremen, ele não tinha que se provar tanto. Essa é uma realidade diferente. Aqui ele está competindo com jogadores muito bons, então cada minuto que ele passa no campo ele tem que trabalhar muito duro,” disse Mourinho ao Independent, em setembro de 2013.

Preterido pelo Chelsea, De Bruyne foi vendido ao Wolfsburg, em janeiro de 2014. Na oportunidade, demonstrou insatisfação com seu estágio em Stamford Bridge, explanando não entender, de forma alguma, o porquê de sua subutilização.

"A minha pré-temporada foi boa, o meu primeiro jogo também. Mas continuo sem saber por que perdi o meu lugar depois do duelo contra o Man. United. Também nunca perguntei a Mourinho e ele nunca me disse: 'Kevin, não estás a treinar bem'. Lamento que ele tenha dito numa conferência de imprensa que eu não estava a treinar bem. Eu não sou assim, dou sempre 100% nos treinos.

Essas declarações criaram uma imagem errada a meu respeito. Depois da entrevista, comecei a trabalhar ainda mais, até nas minhas folgas. Perdi três quilos e 2% de gordura, ainda que tivéssemos à disposição no clube Coca-Cola e chocolate. Depois, em dezembro, falei com o Mourinho. Ele disse que haveria sempre a possibilidade de me utilizar e que não estava interessado em me deixar sair, nem por empréstimo. Disse que eu era bom jogador. Mas, a minha situação nunca se alterou. Foi por isso que pedi de forma amigável para me deixarem sair, " falou o belga em sua apresentação ao Wolfsburg.

De volta à Bundesliga, demorou três jogos para dar sua primeira assistência. A despeito disso, teve tempo para dar mais seis e marcar três gols. Sua performance só não foi melhor porque o Wolfsburg viveu uma temporada muito instável, tendo um final positivo, justamente quando a forma do belga cresceu. Seus três tentos foram marcados nas últimas quatro rodadas do Campeonato Alemão e, quando De Bruyne marcou, os Wölfe venceram.

Terminando bem a temporada passada, o jovem conseguiu um novo início de época interessante e uma sequência fantástica, em 2014-2015. Plenamente ambientado, atuando com liberdade e circulando por toda as faixas do ataque germânico, De Bruyne já marcou 14 gols na temporada e proveu impressionantes e inigualáveis 24 assistências, recorde absoluto no futebol europeu. Seu momento mais memorável foi o impressionante jogo contra o Bayern de Munique. Na ocasião – vitória por 4x1 –, De Bruyne marcou dois gols e proveu uma assistência.

“Nós voltamos ao jogo rapidamente e depois foi fácil ver que podemos jogar um futebol muito bom – especialmente Kevin De Bruyne, que é excepcional,” disse seu treinador, Dieter Hecking, em coletiva após a vitória contra os bávaros.


Especial nos passes e nos gols, Kevin De Bruyne virou objeto de desejo de uma infinidade de grandes equipes mundo afora. Manchester City, Manchester United, Arsenal e Bayern de Munique já demonstraram interesse em contar com seu futebol na próxima temporada. Será mesmo que o belga não servia para o Chelsea? Ou houve um erro de avaliação da parte do clube londrino – em especial do treinador José Mourinho?

A certeza é que, quando De Bruyne está bem, o Wolfsburg também está e isso tem acontecido com impressionante frequência. Segundo os critérios do site Whoscored, o belga tem a segunda melhor avaliação geral na Bundesliga, atrás apenas de Arjen Robben. Não à toa, os Lobos são os vice-líderes da Bundesliga e seguem vivíssimos na Europa League, após eliminar com propriedade a Internazionale de Milão. Desprezado pelo Chelsea, De Bruyne reassumiu protagonismo no futebol alemão e, com inúmeros interessados em seu futebol, tem o céu como limite.

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