quarta-feira, 11 de março de 2015

Times de que Gostamos: Club Brugge 1975-1978

Depois de rememorar o grande time do Estudiantes do final da década de 60 e início de 70, tricampeão da Copa Libertadores da América, trato do forte e bem sucedido time do Club Brugge, dos anos 70, que, treinado pelo mítico Ernst Happel, conquistou títulos nacionais e quase levou o continente.


Em pé: Jensen, Bastjins, Volders, De Cubber, Leekens, Vandereycken.
Agachados: Sorensen, Cools, Lambert, Sanders, Courant


Time: Club Brugge

Período: 1975-1978

Time Base: Jensen; Bastijns, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, de Cubber; van Gool (Davies), Lambert (Simoen), le Fevre (Sorensen). Téc.: Ernst Happel

Conquistas: Tricampeonato Belga e Copa da Bélgica

Treinado pelo vitorioso Ernst Happel, que no início da década havia conquistado a UEFA Champions League com o Feyenoord, o Club Brugge chegou muito perto de vários êxitos internacionais e foi o grande campeão no domínio doméstico, conquistando o tricampeonato belga e uma Copa da Bélgica.

Com uma defesa muito sólida, meio-campistas talentosos e atacantes eficientes, os Blauw-Zwart tiveram pelo caminho um enorme obstáculo: o Liverpool de Bob Paisley. Primeiro na final da UEFA Cup da temporada de 1975-1976 e depois na UEFA Champions League 1977-1978, os Reds acabaram com os sonhos do esquadrão belga, vencendo ambas as competições.

No entre temporadas, na UEFA Champions League de 1976-1977, o Brugge chegou a eliminar o Real Madrid de Paul Breitner, mas sucumbiu nas quartas de finais, contra o Borussia Mönchengladbach, do craque Juup Heynckes.

Um dos maiores ídolos de toda a história do Club Brugge, o dinamarquês Birger Jensen (foto) atuou por 14 anos no time. Selecionável entre 1974 e 1979, não teve tanto sucesso defendendo seu país, o que fez em 19 ocasiões. Tendo disputado 390 partidas pelo clube, curiosamente, chamava atenção por sua afeição por bater pênaltis. Na ausência de Raoul Lambert, o principal batedor, era um dos candidatos às cobranças, sempre aparecendo entre os cinco primeiros cobradores nas ocasiões de disputas de pênaltis. Tendo defendido o clube entre 1974 e 1988, ao final de sua carreira, escolheu a cidade de Bruges como moradia.


Pelo lado direito da defesa, Fons Bastijns (foto), outro grande ídolo do clube e, à época capitão, era a grande referência. Insolitamente, quando foi contratado, em 1967, o defensor atuava como atacante, sendo rapidamente recuado, muito em função da prematura morte do inglês Brian Hill, em 1968. Ao todo, o Gentleman, como é lembrado, disputou 502 jogos pela equipe, entre 1967 e 1981.

Pelo flanco contrário, Jos Volders era o titular. Outro atleta de longa trajetória no clube (defendeu-o entre 1974 e 1982), o lateral esquerdo foi criado no rival Anderlecht, onde atuou por sete anos. Todavia, sua história se consagrou azul e negra, tendo o ala atuado em 232 jogos pelo Club Brugge. Diferentemente da maioria dos laterais da época, Bastijns e Volders tinha vocação ofensiva e estilo de jogo voltado para o ataque.

Na defesa central, havia muita segurança. De um lado, Georges Leekens (foto) representava a força e a imposição física, tendo ficado marcado por seus carrinhos precisos e imponentes, que lhe renderam o apelido de Mac the Knife. O belga, que atualmente é treinador, é outro jogador que marcou seu nome na história do Club Brugge, com 351 jogos em nove anos de clube. Do outro lado, Eddy Krieger, contratado já aos 29 anos, era talentoso, tendo atuado grande parte da carreira no meio-campo e em outros turnos como líbero. Austríaco, chegou em 1975 e partiu em 1978.

O meio-campo foi formado, mormente, por três peças, sendo a primeira delas René Vandereycken (foto). Conhecido por seu estilo irritante de jogo, sempre provocando seus rivais, era, entretanto, dono de muita qualidade técnica, traduzida por seu bom posicionamento, passe e finalização (em 294 jogos, marcou 87 vezes). Principal protetor da defesa dos Blauw-Zwart, envergou a camisa 7 do time entre 1974 e 1981, tendo também representado a Seleção Belga 50 vezes.

Mais à direita, Julien Cools era o responsável pela ligação entre defesa e ataque. Eleito o melhor jogador do Campeonato Belga em 1977, tinha habilidade e aproximava-se muito bem do ataque. Pelo time de Bruges, jogou 261 jogos e marcou 44 gols. Pelo outro lado, coube a Daniël de Cubber semelhante papel, provendo, com seu ótimo passe, uma eficaz saída de bola. Quem também realizou essa função em alguns turnos foi o habilidoso camisa 10 Paul Courant, que, não obstante, sofreu com muitas lesões e não atuou tanto.

Na frente, o ataque começou o vitorioso período formado pela trinca Roger van Gool, pela direita, Raoul Lambert (foto), no centro, e Ulrik le Fevre, pela esquerda. Habilidoso, driblador e grande assistente, van Gool deixou o clube em 1976. Vendido ao Köln, se transformou na primeira transferência milionária da história da Bundesliga. Em 1977, foi a vez do veloz dinamarquês le Fevre deixar a equipe, optando por retornar ao seu país, que defendeu em 37 ocasiões.

Durante todo o período vitorioso do clube quem se manteve foi Lambert, possivelmente, o maior ícone da história do time. Criado na base do Club Brugge, defendeu-o entre 1962 e 1980, vestindo a camisa azul e preta em 458 jogos e balançando as redes 270 vezes. Lotte, como ficou conhecido, estreou pelo time aos 17 anos e se despediu aos 35, sendo lembrado por seus tentos e também por sua categoria. Em toda a sua carreira, foi admoestado apenas duas vezes com cartões amarelos.

Com as saídas de van Gool e le Fevre, Lotte jogou muitas vezes com a companhia do inglês Roger Davies, que era grandalhão (1,91m) e forçava o belga a se deslocar mais no ataque e do ótimo ponta esquerda dinamarquês Jan Sorensen, que chegou ao clube em 1977 e permaneceu até 1983.

Controverso mas, sem dúvidas, competente, Ernst Happel elevou o estatuto do Club Brugge, tornando-o conhecido internacionalmente e aumentando sua importância nacional. Antes de sua passagem, o clube só havia conquistado o Campeonato Belga duas vezes. Após sua chegada, o clube conquistou mais onze torneios. Sua filosofia era a de que os jogadores deviam ganhar um salário não muito alto, mas terem a possibilidade de conquistar prêmios pelo alcance de objetivos, incentivando-os a sempre almejar o topo, o que mostrou-se extremamente eficiente.

Ficha técnica de alguns jogos importantes:

Final da UEFA Cup de 1975-1976: Club Brugge 1x1 Liverpool

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Rudi Glöckner

Público 32.000

Gols: ’11 Lambert (Club Brugge); ’15 Keegan (Liverpool)

Club Brugge: Jensen; Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Cools, de Cubber (Hinderyckx); van Gool, Lambert (Sanders), le Favre. Téc.: Ernst Happel

Liverpool: Clemence; Phil Neal, Thompson, Hughes, Tommy Smith; Ray Kennedy, Steve Heighway, Jimmy Case; Josh Toshack (Fairclough), Kevin Keegan, Ian Callaghan. Téc.: Bob Paisley

Quartas de finais da UEFA Champions League de 1976-1977: Club Brugge 2x0 Real Madrid

Estádio Olímpico, Brugges

Árbitro: Ken Burns
Público 32.000

Gols: ’17 le Fevre e ’45 Rubiñan (contra) (Club Brugge)

Club Brugge: Jensen, Bastjins, Leekens, Krieger, Volders; Vandereycken, Courant, Cools; Roger Davies, Lambert e le Fevre. Téc.: Ernst Happel

Real Madrid: Miguel Ángel; Uría, Benito, Sol, Camacho; Rubiñan, Manuel Velázquez (Vicente del Bosque), Paul Breitner; Santillana, Jensen, Guerini (Roberto Martínez). Téc.: Miljan Milijanic

Final da UEFA Champions League de 1977-1978: Liverpool 1x0 Club Brugge

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Charles Corver

Público 92.500

Gol: ’64 Dalglish (Liverpool)

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Phil Thompson, Emlyn Hughes, Alan Hansen; Graeme Souness, Jimmy Case (Steve Heighway), Terry McDermott, Ray Kennedy; Kenny Dalglish e David Fairclough. Téc. Bob Paisley

Club Brugge: Birger Jensen; Fons Bastijns, Edi Krieger, Georges Leekens, Gino Maes (Jos Volders); Julien Cools, René Vandereycken, De Cubber, Jan Simoen; Lajos Ku (Dirk Sanders) e Jan Sorensen. Téc. Ernst Happel 

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