quarta-feira, 18 de março de 2015

Times de que Gostamos: Portsmouth 2007-2008

Após lembrar o exitoso time do Club Brugge, treinado pelo famoso Ernst Happel, trato do interessante time do Portsmouth, que, em 2007-2008, sob o comando de Harry Redknapp, conquistou a FA Cup, chegando à UEFA Cup do ano seguinte.





Time: Portsmouth

Período: 2007-2008

Time Base: David James; Glen Johnson, Sol Campbell, Distin, Hreiðarsson; Papa Bouba Diop (Lass Diarra), Pedro Mendes, Muntari, Kranjcar; Utaka e Kanu (Defoe). Téc.: Harry Redknapp

Conquista: FA Cup

Atualmente na quarta divisão inglesa, distante dos holofotes que o cercaram em meados da última década, o Portsmouth vive sob as sombras de seus sucessos. Mas o que aconteceu, exatamente? Elevado à Premier League pelo treinador Harry Redknapp, o clube fez, entre 2003-2004 e 2005-2006, campanhas ruins, mas conseguiu se manter na elite.

Eis que, no início de janeiro de 2006, o magnata Alexandre Gaydamak chegou ao clube com intenções ambiciosas. Dono do time, o empresário passou a emprestar dinheiro à equipe, financiando contratações caras e o pagamento de vultuosos salários. Foi assim que o clube conseguiu alçar voos altos e o título da FA Cup. Não obstante, veio a crise mundial e, se dizendo em complicações financeiras geradas com a recessão, decidiu vender o clube, atolado em dívidas de empréstimos e impostos (que seriam posteriormente descobertas).

Apesar de todo esse panorama, o torcedor do Pompey, viveu dias inesquecíveis em meio aos anos 2000, mormente, entre as temporadas 2006-2007 e 2008-2009. Em meio a esses anos, veio o título da FA Cup, muito lembrado pelo fato de o Portsmouth ter eliminado o Manchester United, de Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Carlos Tévez, em um jogo maluco, que contou com lesão de Edwin van der Sar, expulsão de Tomasz Kuszczak – seu reserva –, terminando com Rio Ferdinand no gol.

Na Premier League, a equipe também fez boa campanha, ficando em 8º lugar.

A meta do time era defendida pelo experiente David James (foto). Embora não fosse um goleiro espetacular, era considerado por muitos o melhor goleiro inglês da época. Contratado junto ao Manchester City, chegou ao clube com 36 anos, mas ainda conseguiu destaque, defendendo a Seleção Inglesa na Copa do Mundo de 2010. Na campanha da FA Cup, em seis jogos, ajudou a equipe a manter cinco clean sheets, sofrendo um único gol, contra o Plymouth Angle.

Na lateral direita, após fracassar no Chelsea, o jovem Glen Johnson (foto) finalmente despontava como a referência inglesa de sua posição. Na temporada, o ala disputou 39 jogos, marcou um gol e proveu cinco assistências. Pelo flanco contrário, o titular foi o islandês Hermann Hreiðarsson. Mais afeito às funções de defesa, era muito importante para o balanço defensivo da equipe, que, habitualmente, tendia a atuar mais pelo lado destro. Era também peça importante no elenco, uma vez que podia atuar como zagueiro.

A zaga era um dos pontos mais fortes da sexta melhor defesa da Premier League 2006-2007. Do lado direto, havia toda a experiência de Sol Campbell (foto), ídolo do Arsenal e capitão da equipe. Se já não tinha a explosão física do auge de sua carreira, o beque ainda conservava um senso de posicionamento apuradíssimo e importante força nas bolas aéreas. Do lado esquerdo, o titular era Sylvain Distin. Zagueiro de enorme força física, o francês detinha, à época, velocidade, encaixando-se bem com Campbell e ajudando-o no jogo aéreo.  

Lembrado por ter marcado o primeiro gol da Copa do Mundo de 2002, o senegalês Papa Bouba Diop era o primeiro jogador do meio-campo do Portsmouth. Atleta de enorme força, era conhecido como The Wardrobe (“O Armário”) e também era opção para a zaga. Apesar de sua enorme força defensiva, também tinha como um de seus trunfos potentes finalizações de média distância. Quem atuou muitas vezes em sua ausência foi Lass Diarra, ex-Chelsea e que mais tarde defenderia o Real Madrid.

Em geral, à frente do africano, atuavam o português Pedro Mendes, mais à direita, e o ganense Sulley Muntari (foto), pelo lado esquerdo. Bom construtor de jogo e passador, o primeiro era quem melhor cadenciava e distribuía o jogo. Por outro lado, com enorme vitalidade, Muntari era o “motorzinho” do time. Se não tinha a calma de Pedro Mendes, tinha muita velocidade e uma capacidade pulmonar absurda.


Pensando o jogo e municiando os atacantes, o talentoso meio-campo croata Niko Kranjcar (foto) era o maestro do time. Com grande visão de jogo e jogando sempre com elegância, o atleta era o jogador de maiores qualidades do time. Em 42 jogos, marcou cinco gols e proveu seis assistências. Embora fosse muito técnico, tinha um grande problema: a instabilidade, que o fazia passar, por vezes, despercebido.
O ataque, que tinha muitas opções de qualidade, foi normalmente composto por uma dupla de nigerianos. Por um lado, havia a velocidade e grande movimentação de John Utaka, que muito contribuía para o brilho da maior estrela da equipe, o centroavante Nwankwo Kanu (foto). Apesar da idade avançada e da falta de condições físicas ideais (sofreu, inclusive, um problema cardíaco durante a carreira), o atacante ainda tinha total conhecimento da grande área adversária.

Apesar disso, o time tinha outras opções de grande qualidade, sobretudo Milan Baros, que sofreu o pênalti responsável pela vitória do Portsmouth contra o Manchester United e deu a assistência para o gol de Kanu, na semifinal, e Jermain Defoe, que não pôde disputar a FA Cup (já havia disputado pelo Tottenham, mas marcou gols importantes na Premier League).

Acima da qualidade dos jogadores estava a identificação do treinador Harry Redknapp (foto), que chegou ao clube como diretor de futebol, mas, rapidamente, assumiu o comando da equipe, conduziu-a à Premier League e – excetuando um brevíssimo período em que foi dispensado – realizou um trabalho de seis anos. Além dos jogadores já citados, o time contou, ainda, com a qualidade do polivalente Lauren, ex-Arsenal, dos meio-campistas Sean Davis e Richard Hughes e do atacante David Nugent

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de Finais da FA Cup: Manchester United 0x1 Portsmouth

Estádio Old Trafford, Manchester

Árbitro: Martin Atkinson

Público 75.463

Gol: ’78 Muntari (Portsmouth)

Portsmouth: James; Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Lass Diarra, Papa Bouba Diop, Muntari, Kranjcar (Hughes); Utaka (Lauren) e Kanu (Baros). Téc.: Harry Redknapp

Manchester United: van der Sar (Kuszczak); Brown, Vidic, Ferdinand, Evra; Hargreaves (Anderson), Scholes, Nani, Cristiano Ronaldo; Rooney e Tévez (Carrick). Téc.: Alex Ferguson

Semifinal da FA Cup: West Bromwich Albion 0x1 Portsmouth

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Howard Webb

Público 83.584

Gol: ’54 Kanu (Portsmouth)

Portsmouth: James; Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Lass Diarra, Papa Bouba Diop, Muntari, Kranjcar; Baros (Nugent), Kanu (Davis). Téc: Harry Redknapp

West Bromwich: Kiely; Clement, Hoefkens, Albrechtsen, Robinson; Greening, Koren, Morrison (Brunt), Gera (Do-heon Kim); Bednar (Miller), Phillips. Téc.: Tony Mowbray

Final da FA Cup: Portsmouth 1x0 Cardiff City

Estádio Wembley, Londres

Árbitro: Mike Dean

Público 89.874

Gol: ’37 Kanu (Portsmouth)

Portsmouth: James, Johnson, Campbell, Distin, Hreiðarsson; Diarra, Pedro Mendes (Papa Bouba Diop), Muntari, Kranjcar (Baros); Utaka (Nugent) e Kanu. Téc.: Harry Redknapp

Cardiff City: Enckelman; McNaughton, Johnson, Loovens, Capaldi; Ledley, Rae (Trevor Sinclair), McPhail, Wittingham (Aaron Ramsey); Hasselbaink (Thompson), Parry. Téc.: Dave Jones

Um comentário :

  1. Era um time muito interessante mesmo, talvez se alguns jogadores fossem mais jovens, o time teria durado um pouco mais!

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