segunda-feira, 20 de abril de 2015

A legítima sucessão aurinegra

O Mainz 05 é, sem sombra de dúvidas, uma equipe de pequeno porte no cenário alemão, prova disso é o praticamente inexistente quadro de títulos dos Nullfünfer. A despeito disso, nos últimos anos o impacto de sua existência marcou o futebol germânico. Dos gramados ao banco de reservas, o time deu oportunidade àquele que foi o grande responsável por desafiar a hegemonia do Bayern de Munique: Jürgen Klopp, treinador do Borussia Dortmund, que vê seu ciclo no aurinegro se aproximar de um fim já anunciado oficialmente.



Contratado em maio de 2008, Klopp chegou à Dortmund com boas credenciais. Responsável pela primeira ascensão do Mainz à Bundesliga, viu o clube retornar a segunda divisão, mas manteve seu cargo e por dois pontos não retornou de imediato à elite. Na chegada ao Borussia, encarou um grande desafio: o de superar a pior temporada do clube nos últimos 21 anos.

Longe dos tempos de opulência financeira que marcaram o início da década, o alemão começou a desenhar uma nova equipe. Hoje, do time que encontrou em 2008, só restam quatro peças: o goleiro Roman Weidenfeller, os volantes Sebastian Kehl e Nuri Sahin (que foi vendido e retornou) e o meia Jakub Blaszczykowski. De plano, logo ao chegar, contratou o zagueiro Neven Subotic (foto), seu ex-comandado no Mainz, e deu oportunidade aos jovens Mats Hummels – que viera emprestado junto ao Bayern de Munique – e Marcel Schmelzer.

Após uma temporada melhor, mas ainda insuficientemente boa, com a sexta colocação, chegaram mais duas peças até hoje importantes: os garotos Sven Bender (foto) e Kevin Grosskreutz – além de Hummels, comprado em definitivo. Comandado pelos gols de Lucas Barrios, outro contratado na temporada, o time subiu uma posição em relação ao ano anterior, ficando em quinto lugar. Nesse ano, o mundo também começou a conhecer o garoto Mario Götze, então com 17 anos.

Veio 2010-2011 e com ele o sucesso. Mais maduros, os talentosos jovens aurinegros, após nove temporadas, conquistaram o título da Bundesliga.

Ainda em processo de montagem do grande time que chegaria, a seu ápice na Final da UEFA Champions League de 2012-2013, Klopp trouxe outras peças vitais para a estrutura do time, os poloneses Lukasz Piszczek e Robert Lewandowski (foto), além do japonês Shinji Kagawa. E com o sucesso veio o assédio e a venda de um dos pilares do time: Nuri Sahin, que partiu para o Real Madrid.

Apesar disso, o ano de 2011-2012 só confirmou a competência de time e treinador. Com o ingresso do talentosíssimo Ilkay Gündogan no meio-campo do time, Klopp levou o Borussia ao bicampeonato alemão. No entanto, faltava o toque final para o time alcançar a sua melhor forma: Marco Reus. Contratado após as vendas de Kagawa e Barrios, o alemão providenciou a sintonia fina ao time e firmou parceria fantástica com Götze, potencializando o desempenho de Lewandowski. Embora 2012-2013 tenha sido um ano de vices (alemão, da UEFA Champions League e da Supercopa da Alemanha), o ano mostrou ao mundo o melhor Borussia Dortmund da era Klopp.

“O importante é ter ideias novas, não dinheiro. É importante dar um passo à frente. Você sempre quer ser o time que vence o outro que tem mais dinheiro,” disse Klopp em certa ocasião.

Depois do ápice, o time só caiu. Primeiro, em 2013-2014, Klopp sofreu o duro golpe de perder Götze para o rival Bayern. Depois, na presente temporada, Lewandowski, também para os bávaros. Com reposições que não alcançaram o nível dos jovens craques, o time caiu e foi aos poucos perdendo a identidade há muito construída e hoje luta por uma vaga na Europa League.

Moldado como uma equipe de intensidade extrema, com marcação alta e pressão durante os 90 minutos, o time perdeu, em boa medida, sua cara e hoje depende excessivamente do talento individual de Marco Reus (foto). Embora brilhante, o período de Klopp, o treinador que desafiou uma ordem futebolística baseada em robustas contas bancárias, chegou a um fim consensual bom para as duas partes.

E é aí que entra o Mainz 05, novamente. Após o retorno do time à Bundesliga, em 2008-2009, Thomas Tuchel, ex-treinador do time júnior, foi efetivado. Com campanhas sólidas (9º em 2009-2010, 5º em 2010-2011, 13º em 2011-2012, 13º em 2012-2013 e 7º em 2013-2014), o comandante se tornou um ícone do clube e o reflexo disso se vê na atual temporada. Já sob outra direção, o Mainz segue fazendo campanha estável.

Após um ano sabático, o jovem alemão de 41 anos – mesma idade de Klopp ao tempo de sua contratação – parece o candidato ideal para suceder Klopp. Bem-sucedido em um clube de dura realidade, Tuchel mostrou que sabe trabalhar com o que tiver e trará uma renovação importante para o time, a popular “sacodida”. Talento o time segue tendo. Seus principais desafios serão a manutenção de peças estruturais e a extração do melhor de jogadores que estão devendo, casos de Ciro Immobile, Adrián Ramos e Henrikh Mikhtarian.

"Thomas Tuchel vai ser o treinador do Borussia Dortmund a partir de 1 de julho de 2015. O técnico de 41 anos assinou um contrato válido por três anos. A chegada ao Borussia Dortmund de Thomas Tuchel vai ocorrer uma semana depois do fim da temporada. Até essa altura, nenhum dos envolvidos vai fazer qualquer comentário", foi a nota veiculada no site oficial do BVB.

O fim da era Klopp veio na hora precisa, para técnico e time. A aposta em Tuchel parece ter sido alvo de muita reflexão e, com as credenciais e características já demonstradas pelo comandante, mostra-se muito acertada. Assim sendo, o Borussia Dortmund é um dos clubes que merecerão olhar especial em 2015-2016. Com novas ideias e velha qualidade técnica, a remodelação aurinegra é, indiscutivelmente, um desafio.

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