sexta-feira, 17 de abril de 2015

Selecionando estatísticas: Oscar x Coutinho

Um analista de futebol não pode se ater a objetividade dos números. Essa deveria ser uma máxima clara e há um duelo nesta temporada que evidencia a questão: Oscar x Philippe Coutinho. O primeiro vem perdendo espaço no Chelsea, enquanto o segundo mostra-se cada dia mais ambientado ao futebol inglês e decisivo. Não obstante, a objetiva realidade das estatísticas poderia trair o analista, uma vez que favorece, claramente, o camisa 8 do clube londrino.



Autor de sete gols e oito assistências na temporada, Oscar supera os números de participações em gols de Philippe Coutinho, que balançou as redes seis vezes e proveu cinco passes para gols, em 45 jogos. Além disso, considerando apenas as partidas da Premier League, o primeiro tem um percentual de acerto de passes superior ao do segundo, 83% contra 80%. No entanto, é preciso aprofundar a análise.

Não há como negar que o trabalho de Oscar no relvado é facilitado pela presença de jogadores do calibre de Cesc Fàbregas, Eden Hazard ou Willian. Por outro lado, a tarefa de Coutinho no Liverpool é mais dura, uma vez que apenas Jordan Henderson tem se mostrado eficaz no meio-campo dos Reds. Steven Gerrard já não é o mesmo, Joe Allen, Lucas Leiva e Adam Lallana não têm mostrado nem de longe a capacidade técnica dos meias dos Blues e o veloz Raheem Sterling não tem no passe seu melhor atributo.

E a realidade, que é subjetiva, mostra um Coutinho cada vez mais aclamado pelo torcedor do Liverpool e um Oscar cada dia mais desprestigiado no Chelsea e propenso à uma saída. Uma análise um pouco mais apurada ressaltaria, por exemplo, que há nove jogos de Premier League Oscar não participa de nenhum gol do clube londrino.
À esquerda participação de Coutinho, à direita de Oscar
Há, não obstante, algumas estatísticas que explicam um pouco esse fato. Analisando os dados da última partida entre Reds e Blues, em novembro de 2014, nota-se que Philippe pratica um jogo muito mais objetivo do que o do seu companheiro de Seleção Brasileira.

Com verticalidade, a cria vascaína tocou pouco na bola, apenas quinze vezes. A despeito disso, somente em duas delas a bola foi retornada ao campo de sua defesa. Por sua vez, Oscar participou muito mais do jogo, todavia com um grande número de ações em seu campo de defesa, muitos toques para trás e com muitos erros de passe em bolas esticadas. Outro dado relevante foram as tentativas de dribles nos adversários. Durante o jogo, Coutinho buscou essa jogada em nove ocasiões, contra apenas uma de Oscar.

Em vermelho os dribles de Coutinho, em azul os de Oscar
Isso revela que, embora seu desempenho numérico siga sendo bom, Oscar tem se tornado um jogador comum, com pouquíssima ousadia, não exercendo o que se espera de um camisa 10. Por outro lado, Coutinho tem ganhado cada vez mais confiança para apostar em lances que desequilibram as partidas e desmontam os setores defensivos dos adversários.

Os reflexos disso são o prêmio de melhor jogador da Premier League no mês de fevereiro, oferecido pela PFA e recebido pelo camisa 10 dos Reds; a escolha de Coutinho como o melhor jogador da temporada inglesa feita por John Terry; e a perda de espaço de Oscar para Ramires, um marcador, no Chelsea. Enquanto Coutinho chama atenção pelo arrojo, Oscar assusta pela passividade.

Além disso, Coutinho acabou de ser selecionado para o prêmio de melhor jogador da temporada inglesa, oferecido pela PFA. Junto dele, Eden Hazard, Diego Costa, David de Gea, Harry Kane e Alexis Sánchez estão na disputa. Nada de Oscar.

A comparação entre Coutinho e Oscar prova que a objetividade das estatísticas não é o melhor caminho para a análise da forma de um jogador de futebol. Entretanto, se bem interpretadas, trazem revelações de grande acuidade e ajudam a entender o que concerne às quatro linhas. É necessário o discernimento na interpretação dos dados e é justamente isso que faz do futebol o esporte mágico que é: sua subjetividade. Embora algumas estatísticas apontem o contrário, o camisa 10 do Liverpool vive um momento, anos luz, melhor do que o do camisa 8 do Chelsea.

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