quarta-feira, 20 de maio de 2015

Por que o Sevilla vai tão bem na Europa League?

Favorito à conquista de seu tetracampeonato da Europa League, em um período de dez temporadas, o Sevilla desponta como a equipe de melhor desempenho na competição nos últimos tempos e nos leva ao questionamento uníssono: por que o clube andaluz vai tão bem na Europa League?




Manutenção de uma filosofia de trabalho

Como qualquer clube de médio porte, o Sevilla não tem condições financeiras para fazer frente ao poderio de equipes como Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, por exemplo. O que isso quer dizer? Duas coisas. Primeiro que a equipe não consegue manter seus destaques por muito tempo e segundo que os andaluzes tem poucas perspectivas de conquistas nacionais e, por isso, valorizam muito a Europa League.
Diferentemente dos clubes ingleses, por exemplo, que não enxergam grandes benefícios (sobretudo econômicos) na disputa da Europa League - situação que tende a se alterar no curto prazo, uma vez que a partir da presente temporada o campeão conquista também uma vaga na UEFA Champions League da temporada seguinte - o Sevilla sempre vislumbra a possibilidade da conquista de um título, algo que dificilmente conseguiria na Liga Espanhola e na Copa del Rey.

O clube andaluz entendeu que, a despeito da superioridade técnica de Atlético de Madrid, Barcelona e Real, é possível lutar por uma vaga na competição continental, onde disputa mormente com equipes de seu patamar ou inferiores. Assim, desde 2005-2006 (foto), vem vivendo campanhas de sucesso.

Outra característica importante não concerne à motivação e ao planejamento do clube, mas à forma como monta seus elencos. Como outros clubes da Europa, o Sevilla especializou-se no garimpo de talentos de mercados periféricos e raramente foge à esse padrão. Jogadores sul-americanos, espanhóis de destaque em equipes menores e de países europeus de menor expressão são os alvos habituais do time.
"Estou muito satisfeito com nosso trabalho e por nossos torcedores. Nós amamos essa competição. Agora nós precisamos aproveitar nosso sucesso e pensar na final," disse o treinador Unai Emery após a vitória contra a Fiorentina. 
Como o clube tem tido muita perícia nessa prática, inevitavelmente, tem sofrido com o êxodo de seus melhores jogadores. Assim, Julio Baptista, Daniel Alves, Adriano, Sergio Ramos, Jesus Navas, Álvaro Negredo, Seydou Keita, Alberto Moreno e Ivan Rakitic, por exemplo, ganharam mercado e partiram para equipes maiores. Não obstante, o Sevilla tem sabido, como poucos, lidar com essas circunstâncias, mantendo uma regularidade há anos.

Desinteresse de seus concorrentes

Como dito, algumas equipes não vêem grandes benefícios na disputa da competição, acima de tudo os ingleses, que em condições normais seriam rivais duríssimos. Por quê? A resposta mais evidente vem do lado financeiro.

No que toca às equipes inglesas, é mais lucrativo brigar por uma boa posição no campeonato nacional do que lutar por um título continental de segunda linha. O maior expoente disso tem sido, repetitivamente, o Tottenham. Na atual temporada, a quinta colocação da Premier League pagará ao quinto colocado £19,2 milhões (mais £55 milhões igualmente distribuídos entre todas as equipes), ao passo que a Europa League só concede £11 milhões a seu campeão.

Além desse fator, há outro de grande relevância que é o foco em outras competições. Nesta temporada, o Wolfsburg foi um bom exemplo. Vivos na disputa da DFB Pokal e segundos colocados com sobras na Bundesliga, os Lobos jogaram excelente futebol na temporada (como demonstra a goleada por 4x1 contra o Bayern de Munique), mas sucumbiram contra o Napoli, que muito oscilou em 2014-2015. Ao analisar os confrontos, percebe-se que, além de a equipe italiana ter jogado em altíssimo nível, o time não mostrou a qualidade de suas exibições do Campeonato Alemão (é no mínimo curioso um time capaz de golear o poderoso Bayern de Munique, sofrer pesada derrota para o Napoli, 4x1, em seus domínios).

Estes fatores também explicam o sucesso recente de outros espanhóis, casos de Atlético de Madrid (que ainda não se encontrava no atual patamar), campeão em 2010 e 2012, Athletic Bilbao, finalista em 2012, e Espanyol, finalista em 2007. A exceção fica por contra do Valencia de 2004, que também mostrou-se uma equipe de ponta no Campeonato Espanhol, conquistando-o.

Vem mais um por aí?

Contando com um elenco equilibrado, com peças jovens e outras experientes, cujos grandes destaques tem sido o colombiano Carlos Bacca e os espanhóis Vicente Iborra, Vitolo e Aleix Vidal, o Sevilla fez ótimos jogos contra Borussia Monchengladbach, Villarreal, Zenit, que se sagrou campeão russo, e Fiorentina.

Atuais detentores do título e persistentes em uma proposta que tem tido sucesso, os comandados de Unai Emery entram na final de Varsóvia com indiscutível favoritismo. O Dnipro, seu rival, se mostrou uma grata surpresa na temporada, conseguindo com sobras a terceira posição no Ucraniano e eliminando o forte time do Napoli. Comandado por Evgen Konoplyanka, o time pode continuar surpreendendo, mas, cascudo, o Sevilla entrará em condição superior. Todavia, no futebol, muitas vezes, isso acaba não tendo qualquer reflexo e espera-se um grande jogo no dia 27 de maio.

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