sexta-feira, 1 de maio de 2015

Times de que Gostamos: Estrela Vermelha 1990-1991

Após falar sobre o ótimo time do Blackburn, que, na temporada 1994-1995, conquistou seu único título da PremierLeague, trato do Estrela Vermelha, o único time sérvio a vencer a UEFA Champions League.


Em pé: Stojanovic, Belodedici,  Prosinecki, Mihajlovic, Najdoski, Marovic;
Agachados: Jugovic, Savicevic, Pancev, Binic, Sabanadzovic.


Time: Estrela Vermelha

Período: 1990-1991

Time Base: Stojanovic; Sabanadzovic, Belodedici, Radinovic (Najdoski), Marovic; Jugovic, Mihajlovic, Prosinecki, Savicevic; Pancev e Binic. Téc.: Ljupko Petrovic

Conquistas: Campeonato Iugoslavo, Copa da Iugoslávia, UEFA Champions League, Intercontinental

Segundo e último time do Leste Europeu a conquistar a UEFA Champions League, o Estrela Vermelha, que, à época, ainda pertencia à Iugoslávia, congregou um grande número de talentos de diversas etnias eslavas. Kosovares, Montenegrinos, Bósnios, Sérvios, Croatas, Albaneses, Macedônios e até um Romeno (de origem sérvia) fizeram com que o time tivesse uma formação que uniu as boas características que distinguem os povos da Europa Oriental, sempre conhecidos por sua apurada técnica.

A trajetória continental dos Crveno-beli envolveu confrontos contra o Grasshoppers Zürich, campeão Suíço, o Rangers, escocês, o Dynamo Dresden, do Alemão Oriental (a segunda partida teve de ser suspensa em função de interferências da torcida alemã), o Bayern de Munique, do Alemão, e o Olympique de Marseille, Francês e que havia eliminado o último campeão, o Milan. A final, em Bari, seguiu uma tendência histórica e foi muito dura e tensa, tendo sido decidida apenas nas disputas penais – pela quarta vez na história da Champions.

Posteriormente, o esquadrão iugoslavo ainda venceria o Colo Colo, até hoje o único campeão da Copa Libertadores da América vindo do Chile, no Intercontinental disputado em Tóquio.

Capitão e uma das referências do time, Stevan Stojanovic (foto) era o goleiro. Lembrado por ter sido um excepcional pegador de pênaltis, reafirmou sua fama na final da competição, defendendo a cobrança de Manuel Amoros e deixando o Estrela Vermelha em condições de conquistar seu primieiro e único título continental. Não obstante, também é lembrado por um frango contra o Bayern de Munique, ocasião em que a bola passou no meio de suas pernas. Ao final da competição, saiu para o Royal Antwerp, passando o bastão para Zvonko Milojevic, que foi o titular no Japão.

Polivalente, Refik Sabanadzovic era o responsável pela cobertura do lado direito. Defensor eficiente, podia atuar pela lateral destra, zaga e como volante, sempre com muita consistência. Após a conquista do título europeu, fez história com a camisa do AEK Athens e chegou a defender a Seleção Iugoslava em algumas ocasiões. Pela faixa oposta, Slobodan Marovic (foto) era outra figura segura, bastante discreta, mas utilíssima, sendo capaz de jogar em qualquer função da primeira linha de defesa.

A zaga tinha em Miodrag Belodedici (foto) seu grande expoente. Apelidado de "Cervo", em função de sua elegante capacidade de desarme, após conquistar a UEFA Champions League de 1985-1986 com o Steaua Bucareste, se tornou o primeiro jogador a vencer a competição por duas equipes diferentes, tendo feito parte, ainda, da surpreendente Seleção Romena de 1994. No time iugoslavo, compartia o setor com outro defensor, que variava entre Dusko Radinovic e Ilija Najdoski, ambos capazes de atuar na lateral esquerda, dotados de razoável técnica e, a despeito da baixa estatura de Radinovic (1,76m), muito bons no jogo aéreo.

Do meio-campo ao ataque, a equipe era só talento. 

Na proteção da defesa e contenção, Sinisa Mihajlovic possuía uma das mais raras características do futebol: a união de qualidade defensiva e técnica para desenvolver o jogo. Excepcional cobrador de faltas – um dos melhores da história –, era outra figura polivalente, sendo útil na lateral esquerda e na zaga, mas sempre tendo importância ofensiva, com excepcionais lançamentos. Posteriormente, fez história no futebol italiano, defendendo as camisas de Roma, Sampdoria, Lazio e Inter. É, ainda, o jogador que mais gols de falta marcou na Serie A Italiana, com 28 tentos, ao lado de Andrea Pirlo.

Logo à frente, dois meio-campistas jogavam e faziam o time jogar. Se, pelo lado direito, Vladimir Jugovic assombrava pelo estilo cerebral de jogo, com excepcional qualidade de passe, visão de jogo e classe na organização, pela faixa canhota, Robert Prosinecki (foto) mostrava que, no futebol, não há limites para a criatividade. Habilidosíssimo, era insinuante, driblador e veloz. Ambos brilharam, posteriormente, em grandes equipes como Juventus, Lazio e Inter – no caso de Jugovic – e Real Madrid e Barcelona – caso de Prosinecki. Com a participação dessas figuras, o trio ofensivo não tinha do que se queixar.

Livre para municiar a dupla de atacantes, Dejan Savicevic era outra figura de grande talento. Criado nas quadras de futsal, se tornou um atleta dono de grande controle de bola, dribles curtos e habilidade, demonstrando extrema qualidade para decidir e servir a dupla de atacantes. Após o título, marcou seu nome na história do Milan, conquistando muitos títulos entre 1992 e 1998.

No comando do ataque, Darko Pancev (foto) era um goleador prolífico, um típico matador. Junto com Savicevic e Lothar Matthäus, ocupou o segundo lugar no Ballon D’Or de 1991, conquistando, ainda, a Chuteira de Ouro da Europa, prêmio recebido em função de seus 34 gols na temporada, recorde no continente. Apesar da estatura nada imponente (1,75m) tinha excelente aproveitamento no cabeceio. Seu companheiro, Dragisa Binic, não tinha tanto talento, mas era oportunista. Conhecia, como poucos de seu tempo, a pequena área adversária, sendo também lembrado pela eficiência de seus chutes e por sua curiosa cambalhota ao comemorar gols. Inesperadamente, nenhum dos dois teve muito sucesso após deixar o clube.

O regente da ópera Estrela Vermelha era Ljupko Petrovic (foto), uma das grandes referências do futebol do Leste Europeu, sobretudo na Iugoslávia e Bulgária. Após criar a equipe e conduzi-la à glória máxima do continente europeu, deixou o clube, sendo substituído por Vladimir Popovic, ex-jogador do time na década de 60 e responsável por conduzir o time à vitória contra o Colo-Colo. Outras peças importantes nesse período foram o defensor Goran Vasilijevic, o meia Milorad Ratkovic e o meia-atacante Vlada Stosic.


Ficha Técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Semifinal da UEFA Champions League: Bayern de Munique 1x2 Estrela Vermelha

Estádio Olímpico, Munique

Árbitro: Hubert Forstinger

Público 66.000

Gols: ’23 Wohlfarth (Bayern); ’45 Pancev e ’70 Savicevic (Estrela Vermelha)

Bayern: Aumann; Reuter, Kohler, Augenthaler, Pflünger; Schwabl, Effenberg, Thon (Ziege); Bender (Strunz), Wohlfarth e Brian Laudrup. Téc.: Jupp Heynckes

Estrela Vermelha: Stojanovic, Marovic, Belodedici, Najdoski, Radinovic; Jugovic, Mihajlovic (Stosic), Prosinecki, Savicevic; Pancev e Binic (Tosic). Téc.: Ljupko Petrovic

Final da UEFA Champions League: Estrela Vermelha 0(5) x 0(3) Olympique de Marseille

Estádio San Nicola, Bari

Árbitro: Tullio Lanese

Público 58.000

Pênaltis: Prosinecki, Binic, Belodedici, Mihajlovic e Pancev marcaram (Estrela Vermelha); Casoni, Papin, Mozer marcaram, Amoros perdeu (Olympique)

Estrela Vermelha: Stojanovic; Sabanadzovic, Belodedici, Najdoski, Marovic; Jugovic, Mihajlovic, Prosinecki, Savicevic (Stosic); Pancev e Binic. Téc.: Ljupko Petrovic

Olympique: Olmeta; Casoni, Boli, Mozer, Di Meco (Stojkovic)); Amoros, Fournier (Vercruysse), Germain, Pelé, Waddle; Papin. Téc.: Raymond Goethals

Final do Intercontinental: Estrela Vermelha 3x0 Colo Colo

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: Kurt Röthlisberger

Público 62.064

Gols: ’19 e ’58 Jugovic e ’72 Pancev (Estrela Vermelha)

Estrela Vermelha: Milojevic; Vasilijevic, Belodedici, Najdoski, Radinovic; Jugovic, Mihajlovic, Stosic, Ratkovic; Savicevic e Pancev. Téc.: Vladimir Popovic

Colo Colo: Morón; Garrido, Margas, Vilches, Ramirez; Mendoza, Salvatierra (Dabrowski), Barticciotto, Pizarro; Martínez (Rubio) e Yañez. Téc.: Mirko Jozic

2 comentários :

  1. Melhor conteùdo històrico do futebol que eu ja li pela internet.
    parabèns eu ja conhecia o estrela vermelha e alguns jogadores mais me aprofundei aqui sensacional, parabèns.

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