terça-feira, 12 de maio de 2015

Vender Shaqiri foi um erro

Conhecido por suas invenções e inovações táticas, Pep Guardiola pode ter cometido um deslize gravíssimo na última janela de transferências: vender Xherdan Shaqiri para a Inter de Milão. Evidentemente, o suíço-kosovar não é um grande craque, mas um jogador de grande utilidade e versatilidade. As ausências de Arjen Robben e Franck Ribery deixaram bem clara uma lacuna grave no elenco do Bayern – sobretudo nas partidas contra o Barcelona.



Hoje, o que se percebe taticamente no time bávaro são algumas variações táticas no setor de defesa, com recuos eventuais de Xabi Alonso para compor uma linha de três beques e liberar os alas e também com a fixação de um dos laterais na primeira linha da defesa, formando, também, uma linha de três defensores e liberando o ala contrário para avançar, como Pep já fazia nos tempos de Barcelona, prendendo Eric Abidal de forma a conceder maior liberdade aos avanços de Daniel Alves.

Na linha de meio-campo, há uma versão sofisticada do “trivote”, nome comumente utilizado para descrever uma formação com três meio-campistas defensivos. Todavia, diferentemente da ideia que se tem do trio, os meias bávaros não limitam-se à marcação – longe disso. Xabi Alonso, Philipp Lahm, Thiago Alcântara ou Bastian Schweinsteiger fazem de tudo. Excelentes passadores, conseguem criar bastante, fomentam o ataque e também destroem. São atletas dinâmicos.

Completando o time – ao menos a equipe ideal – Robben e Ribery agregam velocidade e imprevisibilidade pelos flancos, decidindo jogos e ajudando Robert Lewandowski na tarefa de marcar gols. Além disso, há a vital presença de Thomas Müller (foto), este sim “o” faz tudo da equipe, a engrenagem crucial. Peça útil pelos flancos, como “falso 9” ou no meio-campo, o alemão movimenta-se incansavelmente, oferece uma riqueza imensa de opções aos seus companheiros e desmonta as marcações adversárias.

Assim, com toda a equipe disponível, o Bayern de Munique é um time assustadoramente letal. Não obstante, as ausências de Robben e Ribery aleijam a equipe. Sem eles, a equipe mantém sua excelente gestão da posse de bola, mas perde seu diferencial. Não há ninguém no atual elenco bávaro que exerça com um mínimo de semelhança as funções de holandês e francês. Esse alguém era Shaqiri.

Espere um momento? Não seria Mario Götze essa figura? A resposta é taxativamente negativa. E logo será explicada. Com o baixinho atarracado que hoje representa as cores da Internazionale, o Bayern tinha uma opção para ambos os flancos, com velocidade e características semelhantes às dos craques do time de Guardiola. Poder-se-ia arguir que o suíço ansiava por mais minutos e que desejava sair. Nesse caso, sendo sua permanência impossível, o time deveria ter buscado alguma alternativa no mercado, de forma a não permanecer tão refém de suas estrelas. Os rumores recentes de um interesse no brasileiro Felipe Anderson (foto) indicam a percepção do erro.

Guardiola e a direção do Bayern pecaram, e o futebol não perdoa erros. Prova disso foram as lesões concomitantes de Robben e Ribery. Sem eles, o Bayern mostrou um jogo pragmático e sucumbiu diante da riqueza do futebol imprevisível do famigerado trio “MSN”, formado por Lionel Messi, Neymar e Luis Suárez.

O que acontece com Götze?

Contratado após brilhantes temporadas com o Borussia Dortmund, onde recebeu o rótulo de “Messi Alemão”, Mario Götze até chegou a viver bons momentos com a camisa do Bayern, mas estes foram uma gota no oceano. Além de um problema de desmotivação, o garoto – sim, Mario ainda é muito jovem – não se encaixa no estilo de jogo do Campeão Alemão.

Camisa 10 natural, dono de excelente trato da bola, habilidade e criatividade, não dispõe dos atributos físicos e do dinamismo necessários para atuar na linha de meio-campo bávara e não tem velocidade para ser escalado pelos flancos. Uma alternativa algumas vezes utilizada foi sua colocação na função de “falso 9”, mas a presença de Lewandowski, camisa 9 natural, impede esse uso.

No Borussia Dortmund, atuando pelo centro de uma linha de meio-campistas mais avançados, o “3” do afamado esquema 4-2-3-1, Götze tinha tempo para pensar, liberdade para criar e encostar nos outros meias e no centroavante. Da forma como o Bayern se formata, não tem se encontrado e, não raro, deixa-se abater e não mostra competitividade. Definitivamente, o alemão não é a solução para as ausências dos grandes e decisivos diferenciais do Bayern. Potencial, o garoto tem de sobra e, sobre isso, Franz Beckenbauer pode ter mostrado certa razão em suas últimas críticas:

"Ele está estagnado. Ele joga como um adolescente. Assim que perde a bola, ele abaixa a cabeça. É o momento de ele se tornar um adulto e explorar o seu potencial extraordinário," disse o Kaiser.

Falta ao Bayern um equilíbrio maior em seu elenco, sobretudo na linha de frente. Vender Shaqiri foi realmente um erro.

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