segunda-feira, 22 de junho de 2015

Real Madrid buscou em Benítez um “novo Del Bosque”

Entre novembro de 1999 e junho de 2003, o Real Madrid viveu os dias de maior glória de seus últimos anos. Com dois títulos espanhóis, dois da UEFA Champions League, um da UEFA Super Cup, um da Supercopa da Espanha e um Intercontinental, o clube viveu dias de opulência e supremacia, nacional e internacionalmente. Isso tudo sob o comando de um espanhol: Vicente Del Bosque, ex-ídolo do próprio clube e uma figura indiscutivelmente ligada à história Merengue.



De junho de 2003 até os dias atuais, 11 treinadores passaram por Valdebebas: Carlos Queiroz, José Antonio Camacho, Mariano García Remón, Vanderlei Luxemburgo, Juan Ramón López Caro, Fábio Capello, Bernd Schuster, Juande Ramos, Manuel Pellegrini, José Mourinho e Carlo Ancelotti. Para a temporada 2015-2016, de forma surpreendente, o clube trocou o italiano, responsável pela conquista de La Décima (10º título da UEFA Champions League), pelo madrileno Rafael Benítez.

Os rumores de que a direção do Real desejava ver seu clube comandado por um treinador espanhol se confirmaram, causando surpresa e gerando preocupação em boa parte da torcida. O motivo? Nos últimos anos, além de não ter alcançado grandes glórias, Benítez viveu rodeado de críticas de todas as partes nos clubes que treinou.

Aparentemente, o técnico tem vivido à sombra dos êxitos alcançados no início do século, quando venceu dois campeonatos espanhóis com o Valencia – além de uma UEFA Cup – e liderou o Liverpool no afamado milagre de Istambul (o título da UEFA Champions League de 2004-2005).

Além disso, as estatísticas recentes mostram que não faz sentido o clube Merengue apostar suas fichas em um comandante espanhol – ao menos não exclusivamente pelo fator “nacionalidade”. Considerando o percentual de vitórias dos últimos comandantes espanhóis, tem-se um resultado inferior ao dos últimos três treinadores da esquadra (Pellegrini, Mourinho e Ancelotti, todos estrangeiros) e a ausência total de glórias. Juande Ramos, Juan Ramón López Caro, Mariano García Remón e José Antonio Camacho não conquistaram um título sequer.

Leia também: Times de que Gostamos: Real Madrid 2001-2003

Desde a saída de Del Bosque, o que o Real Madrid conquistou passou pelas mãos de Carlos Queiroz, Capello, Schuster, Mourinho e Ancelotti. Por essa razão, afirmo: o Real Madrid não estava em busca de um novo treinador espanhol, mas sim de uma "nova versão de Del Bosque", o treinador Merengue mais vitorioso dos últimos anos e uma figura identificada com o time.

Assim, o clube enxergou em Rafa Benítez o substituto ideal, uma vez que, além de já ter conquistado glórias no passado, tem uma história ligada ao Real Madrid, como Del Bosque também possuía.

O novo técnico do clube madrileno iniciou sua trajetória no futebol aos 13 anos – no Real Madrid. Limitado defensor, passou por todos os escalões das categorias de base do clube, mas, a despeito de seu gosto pelo esporte, buscou os estudos e conciliou a faculdade de educação física com a carreira de atleta. Não obstante, sofreu uma grave lesão no joelho e apenas vagou pelo submundo do futebol espanhol, passando pelos modestos Parla e Linares, até encerrar sua carreira, aos 26 anos, quando retornou ao Real Madrid e passou a integrar o corpo técnico.

Anos mais tarde, após galgar vários degraus na hierarquia madridista, chegou a ser auxiliar técnico de Del Bosque, na primeira passagem do vitorioso comandante pelo Real. A partir daí, sua carreira de fato se iniciou no Valladolid e sua vida se separou do Real Madrid - até o fim da temporada 2014-2015.

Com um histórico de críticas, polêmicas, alegados favorecimentos a jogadores espanhóis e muita controvérsia, Benítez volta ao Real Madrid e ocupará o posto mais alto da hierarquia do futebol do clube. Seu passado vitorioso e algumas semelhanças com Vicente Del Bosque deixam clara a intenção do clube de se reencontrar com as glórias sob as mãos de alguém identificado com a equipe.

A justificativa para a busca de um comandante espanhol pode realmente ter se fundamentado apenas na nacionalidade, embora esta não seja uma razão muito crível, uma vez que o desempenho dos últimos não foi bom e há treinadores hispânicos em melhor momento em suas carreiras – Unai Emery, Marcelino, Ernesto Valverde ou Paco Jémez, por exemplo. Por essa razão e considerando as semelhanças entre Rafa e Vicente é possível aferir: o Real Madrid não buscou meramente um treinador espanhol, mas um “novo Del Bosque”, vendo em Benítez essa figura.

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