sexta-feira, 24 de julho de 2015

O planejado Atlético de 2015

2014 terminou da melhor forma para o Atlético Mineiro. Comandado por Levir Culpi, que retornara às Minas Gerais após sete anos, para sua quarta passagem no alvinegro, o Galo conquistou a inédita Copa do Brasil batendo o rival Cruzeiro nas finais. Com Diego Tardelli em grande forma, o time brilhou em viradas emocionantes e terminou o ano vivendo um grande momento. Todavia, logo após o clube perdeu Tardelli e teve que se reinventar, uma vez que o jogador era a grande referência do time. Não obstante, com planejamento e equilíbrio, o clube está vivendo, novamente, boa forma.



Equilíbrio entre entradas e saídas

Sabendo que perderia Diego Tardelli, o Galo rapidamente foi atrás de um substituto. Enfrentando a concorrência de outras equipes e, inclusive, do rival Cruzeiro, o alvinegro conseguiu fechar com Lucas Pratto (foto), argentino que havia sido eleito o melhor jogador da última edição do campeonato nacional de seu país. Apesar de ter características distintas das de DT9, o hermano saiu-se muito bem até o momento, sendo peça-chave no ano alvinegro.

Além dele, chegaram apenas o volante Danilo Pires e o meia colombiano Sherman Cárdenas, que até agora não convenceram, e o atacante Thiago Ribeiro, contratado junto ao Santos e que vem desempenhando bom papel. Diferentemente de outros anos, o clube contratou muito pouco e foi bem metódico. Ribeiro, por exemplo, chegou para a vaga de Cesinha, cujo empréstimo findou-se sem que o atleta tenha mostrado qualidades. Pouco após a chegada de Danilo, Pierre mudou-se para o Fluminense e por maior desagrado que essa “troca” tenha provocado na torcida, em termos de elenco, a decisão mostrou-se equilibrada.

Buscando aumentar ainda mais a sintonia do time, diminuir seu inchaço e aliviar a folha de salários, o Galo vendeu o irregular e muitas vezes indisciplinado ao Al-Shabab, emprestou André ao Sport, Neto Berola ao Santos e Emerson ao Avaí. Além disso, ao invés de investir em reforços, o clube preocupou-se primeiramente em assegurar a permanência dos emprestados e vitais Douglas Santos e Rafael Carioca, algo em que foi bem sucedido. Douglas teve 100% de seus direitos comprados junto a Udinese e Rafael 50% junto ao Spartak Moscou.

Mesmo agora que o clube emprestou Maicosuel, que vinha em uma crescente, por um valor altíssimo (especula-se que o clube tenha recebido entre € 1,5 e 2 Milhões por um ano de empréstimo) Levir Culpi segue afirmando que não precisa de reforços. Além de não perturbar a coesão do elenco, isso aumenta a confiança recíproca entre jogadores e treinador e deixa o elenco ainda mais forte. Aliás, se tem algo que se pode afirmar hoje sobre o Galo é que há confiança entre atletas e comandante, uma vez que não existe mais concentração prévia aos jogos do clube em Belo Horizonte.

Outro ponto que mostra a seriedade do trabalho atleticano foi o reaproveitamento de Patric e Giovanni Augusto, que retornaram ao clube sem custos e, enquanto estiveram com suas situações contratuais em ordem, foram opção. Giovanni renovou com o Galo após imbróglio judicial e ganhou lugar no time titular, já Patric havia ganhado boas chances, mas acertou contrato com o Osmanlispor da Turquia e, por isso, perdeu seu espaço no time, em razão da alegada perda de foco.

Aliás, foco é uma das palavras chave de Culpi, que tem deixado Guilherme um pouco de lado em função de o treinador demonstrar algumas dúvidas acerca do quão concentrado no clube o meia-atacante está. Nos últimos dias, o jogador chegou a seguir para o Cruz Azul, mas, sem acerto, retornou à Cidade do Galo.

Variações e possibilidades táticas

Com boas peças e alternativas em todas as posições, o treinador Levir Culpi tem modificado um pouco o estilo de jogo de seu time, conforme as necessidades, utilizando, basicamente, um sistema com quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes. Até agora, o comandante alternou times com um ou dois volantes e com atacantes mais agudos ou com outros com maior capacidade de marcação, tudo variando conforme a necessidade.

No ataque, Lucas Pratto adaptou-se plenamente e não é aquele centroavante de área que foi pensado por muitos quando de sua contratação. Uma das razões do sucesso da marcação atleticana é, sem dúvida, a aplicação tática do argentino, que pressiona e atormenta a vida dos zagueiros durante toda a partida.

Embora concorram às mesmas posições, no meio-campo, Jesús Dátolo, Giovanni Augusto, Leandro Donizete e Guilherme têm características absolutamente distintas, o que só beneficia o time, que tem alternativas para usar contra as mais variadas propostas de jogo. De forma semelhante, no ataque, Luan (foto), Thiago Ribeiro, Carlos (e Maicosuel, anteriormente), trazem distintos tipos de jogo, ainda que se possa questionar a eficiência de alguns desses nomes.

Apesar do sucesso, Levir Culpi não engessou o Atlético e segue buscando possibilidades específicas para os diferentes jogos. Além de deixar o time mais imprevisível, isso mantém a motivação e a forma da maior parte dos jogadores do elenco.

Evolução técnica de alguns jogadores

Assim, o resultado do trabalho e do planejamento vem aparecendo na forma individual de alguns jogadores. Dentre todos do elenco é impossível não notar a enorme evolução de jogadores como o jovem Jemerson (foto), de Rafael Carioca ou Douglas Santos. Outro nome que vem em uma crescente é Giovanni Augusto.

Confiantes em sua própria técnica, os atletas vem representando ótimo futebol e chamando a atenção. Segundo o site footstats, Carioca é quem mais acertou passes no Brasileirão, com 716; Lucas Pratto é quem mais acertou finalizações no torneio; Giovanni é o segundo jogador que mais assiste seus companheiros, tendo ofertado 34 passes para gol (o que não quer dizer que as chances tenham sido efetivadas); Patric é o líder de assistências; Thiago Ribeiro é o vice-artilheiro do campeonato; e Jemerson é o quinto atleta que mais bolas afastou.

O planejamento alvinegro fez do time um forte candidato aos títulos que se apresentam em 2015, criando possibilidades, aumentando a confiança no time e melhorando a forma técnica dos atletas. Dessa forma, Levir ganhou o time e a torcida e mostra que, quando pensado devidamente, um ano pode ser muito bom e até mesmo superar as expectativas.

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