quarta-feira, 29 de julho de 2015

Um Leão organizado e lutador

Único representante do nordeste na Série A do Campeonato Brasileiro, o Sport faz bela campanha no torneio. Ainda que tenha caído um pouco de ritmo (tendo empatado três, vencido uma e perdido uma de suas últimas cinco partidas, em uma sequência difícil), segue no G4 e continua mostrando boa forma, como denotou a última partida, com a conquista de um importante ponto contra o Grêmio, na casa do Tricolor Gaúcho. Além disso, após campanhas decepcionantes no Campeonato Pernambucano e na Copa do Nordeste em 2015, não há dúvidas de que a performance do Leão da Ilha surpreende e há algumas razões para isso.



Organização tática e doação física

Dentre os 10 jogadores que mais desarmaram no Campeonato Brasileiro estão dois atletas do Sport: Rithely, quarto colocado com 55, e Renê, décimo com 48. Renê aparece novamente bem cotado na lista de assistências, com três, ao lado de seu companheiro Diego Souza. Por sua vez, o rodado jogador é o terceiro atleta que mais acertou cruzamentos no campeonato. O citado Rithely volta a aparecer com destaque na lista dos atletas que mais acertaram viradas de jogo, com um terceiro lugar e 17 acertos. Já o capitão Durval é o nono atleta que mais rebateu bolas.

Reprodução: Blog do Carlão
Os destaques individuais espalhados pelos setores do campo denotam um fato: o Sport é uma equipe extremamente coletiva, consciente e organizada. Só assim as individualidades aparecem com tanto relevo. Não obstante, há outros dados que mostram que a eficiência da equipe vem do coletivo e de sua marcação.

O estilo de jogo do time é paciente e tem armas fatais, como os contragolpes e as bolas paradas. O Sport é o time que menos perdeu a bola no Brasileiro, o que menos cometeu faltas e o que menos recebeu cartões amarelos (juntamente com o Atlético Mineiro). O que parece falta de marcação, só resume a boa e eficaz pressão que o Leão da Ilha exerce sobre seus adversários. O rubro-negro é, ainda, o terceiro time que menos desarmes efetuou no Brasileirão – nesse momento, você deve perguntar-se: “isso não é ruim?”.

- Confira também: O planejado Atlético de 2015

Reprodução: Blog do Carlão
Não obstante a dúvida, isso é só o reflexo de um fato maior: a forma como o time pressiona seus adversários. Muitas vezes, os pernambucanos não precisam roubar bolas, pois simplesmente forçam seus adversários a se desfazerem delas.

Assim, o time tornou-se quarto colocado e o terceiro melhor ataque da competição. Palmas para Eduardo Baptista e para a direção do Sport, que apostou em um comandante inexperiente, que ocupa seu posto em função de sua competência e em decorrência dos bons resultados obtidos. Ainda que não tenha feito um grande início de ano, o rubro-negro entrou na ponta dos cascos no Brasileirão.

Novo ânimo para velhos talentos

Outra curiosidade desta equipe do Sport é o aproveitamento de jogadores que outrora demonstraram talento em outras grandes praças, mas que, há muito tempo, viviam mais encostados e esquentando os bancos de reservas, do que propriamente brilhando. André (foto), Maikon Leite, Diego Souza e Marlone são alguns jogadores que demonstram com clareza isso.

De reserva inutilizado, que sequer integrava o banco de reservas no Atlético, André passou a artilheiro do time, com cinco gols em oito jogos e um aproveitamento de 62,5% das finalizações. Maikon Leite tem mostrado a movimentação que dele se espera desde sua grave lesão, em dividida com Bruno, então goleiro do Flamengo.

Reprodução: Footstats
Além disso, Diego Souza voltou a ser referência e seu mapa de calor (foto) mostra uma participação impressionante do atleta, circulando por todo o setor do meio-campo ofensivo e balançando, com boa frequência, as redes adversárias. No Sport, os jogadores têm sido tratados com carinho e recuperado a confiança. Dessa forma, contratando atletas de boa qualidade, e que viviam mau momento, a baixo custo (alguns por empréstimo), o Leão da Ilha voltou a rugir a plenos pulmões.

Aproveitando a base

Além de “refugos”, o Sport também teve méritos com o aproveitamento de garotos da base, dos quais Renê e Neto Moura são os grandes expoentes – sobretudo após a venda de Joelinton para o Hoffenheim, da Alemanha. Um dos melhores laterais-esquerdos do país, o garoto Renê (foto) está em evidência, recebendo sondagens do exterior e de clubes do país. Com o Napoli em seu rastro e com sete jogos completados no Brasileirão, se sair, Renê deverá partir para o exterior, como, inclusive, citou seu empresário, em entrevista veiculada no Superesportes:

"Acho difícil ele terminar o ano no Sport. No ano passado, nós tivemos a proposta oficial para que ele deixasse o clube, mas nos reunimos com a diretoria e achamos que seria o melhor a permanência dele. E realmente foi: ele fez os 38 jogos, cresceu e hoje está no nível que está”.

A opção por jovens é também coerente com a postura financeira da equipe, que trouxe muitos jogadores por empréstimo, alguns com parte dos salários pagos pelos clubes de origem, e, além disso, fez contratações de jogadores que não viviam seu melhor momento na carreira. Além de não ter custos de negociação, os garotos recebem salários módicos em relação a boa parte do elenco e, sendo bem-sucedidos, são certeza de renda no futuro, razão pela qual vale a pena apostar neles.

Até onde vai o Sport? É difícil precisar, sobretudo enquanto a janela de transferências europeia não fechar. Além de Renê, outro nome que passou a ser ventilado como sendo de interesse do futebol italiano foi André, sondado por Bologna e Sassuolo. Este é o outro lado da moeda do sucesso, ele não passa despercebido e é difícil competir com o poderio econômico das equipes do Velho Continente. Não obstante, mantendo a base da equipe e o treinador, o Sport pode sim sonhar alto, afinal é raro ver no futebol brasileiro uma equipe tão organizada, consciente e dedicada.

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