segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Conseguirá o Wolfsburg brigar pela Bundesliga?

Na temporada 2014-2015 alguns fatos marcaram com destaque a temporada do futebol alemão. Sem dúvidas, a derrocada do Bayern de Munique perante o Barcelona na UEFA Champions League, a instável temporada do Borussia Dortmund, após anos de sucesso, e o renascimento do Borussia Mönchengladbach foram algumas das notas mais vistas no pós-temporada. Não obstante, o bom futebol do Wolfsburg, com a espetacular performance de Kevin De Bruyne, o título da Copa da Alemanha e o vice-campeonato alemão tornaram os Lobos um time para ser estudado. Às vésperas do início da Bundesliga e o título da Supercopa da Alemanha na mala – após vitória nos pênaltis contra o Bayern – deixam uma pergunta: conseguirá o Wolfsburg brigar pela Bundesliga?



Aparentemente, o que era bom está um pouquinho melhor

No último ano, o Wolfsburg fez um papel respeitável. Com uma defesa sólida (com a excelente forma do brasileiro Naldo - foto -), laterais ofensivos e consistentes, sobretudo a partir da realocação de Vieirinha, afirmando-o como um lateral-direito, uma contenção sólida e um setor ofensivo envolvente, os Wölfe brilharam após um início em que o clube precisou se encontrar.

Individualmente, não há como não fugir do lugar comum e ressaltar o brilhantismo da temporada do belga De Bruyne. Seus 16 gols e 28 assistências, em 51 jogos, foram determinantes para a equipe e colocaram o nome do camisa 14 na boca do mundo, transformando-o em centro das atenções no mercado de transferências atual.

Não obstante, o time contou com mais destaques, como foram os casos de Luiz Gustavo, do lateral-esquerdo Ricardo Rodríguez e do centroavante grandalhão Bas Dost.

Leia mais: Nove atacantes que surpreenderam em 2014-2015

Coletivamente, o clube foi o segundo que mais recuperou bolas, o segundo com melhor aproveitamento defensivo aéreo, o terceiro que mais realizou interceptações, o segundo que menos recebeu cartões amarelos e vermelhos, o terceiro que mais criou oportunidades de gols, o terceiro com melhor aproveitamento de passes, o segundo com maior posse de bola, a quarta melhor defesa e o segundo melhor ataque¹. Pouco?

Apesar disso, o time viveu à sombra do Bayern de Munique, que se sobressaiu em quase todas as estatísticas, e precisou se reforçar para poder entrar com tudo na temporada 2015-2016, tornando-se mais competitivo.

Assim, o clube que contava com duas opções de perfil semelhante para o centro do ataque – os grandalhões Dost e Nicklas Bendtner – trouxe um dos melhores atacantes germânicos da atualidade: Max Kruse (foto), do concorrente Borussia Mönchengladbach e que possui um trato mais apurado da bola. E o mais importante: até agora conseguiu resistir às pressões do mercado e manter a base de sua equipe, sem perder qualquer de seus destaques.

Ressaltando o óbvio: manter Kevin De Bruyne é fundamental

Em qualquer equipe, um jogador que demonstra o desempenho que De Bruyne (foto) apresentou na temporada 2014-2015 é indispensável, porém, em um clube como o Wolfsburg, a importância de um atleta desse calibre é ainda maior.

Embora seja bom, o elenco dos Lobos não é suficientemente rico para sofrer pouco com a eventual perda de qualquer de seus destaques, o que ganha ainda maior relevo, quando o jogador em foco é ninguém menos do que o melhor jogador do time e o melhor jogador da última edição do Campeonato Alemão.

Confira também: Desprezado pelo Chelsea, pretendido pelo mundo

Em termos de comparação, seus “concorrentes”, Aaron Hunt e Max Arnold (que também atuam em outros setores) conseguiram juntos um total de 10 gols e seis assistências, participando, portanto de 16 gols, ou seja, 36% do desempenho individual do belga. Tudo bem que este atuou em muito mais partidas, mas, ainda assim, o dado não perde relevo.

Saindo do campo dos números para o relvado, a importância do garoto se torna ainda mais evidente, afinal qual jogador foi capaz de, nos últimos tempos, marcar dois gols e prover uma assistência contra o poderoso Bayern de Munique nos últimos anos em uma mesma partida? A vitória por 4x1 contra os bávaros na 18ª rodada da Bundesliga 2014-2015 foi só um dos jogos em que De Bruyne conduziu o Wolfsburg ao sucesso.

Com o Manchester City no rastro do jogador, o clube alemão poderá ter muitas dificuldades em mantê-lo. Sua permanência ou saída condiciona os eventuais e futuros feitos do time na temporada.

Mais adaptado, Schürrle é esperança

Contratado para dar um toque a mais de imprevisibilidade ao futebol do Wolfsburg, André Schürrle (foto) chegou ao clube em meados da temporada e sofreu com problemas físicos e uma adaptação ao clube, que impediram o alemão de 24 anos de desempenhar seu melhor futebol. Aliás, em 2014-2015, o desempenho de Schürrle foi melhor com a camisa do Chelsea do que com a dos Lobos.

Com maior conhecimento do elenco, da forma como o ótimo treinador Dieter Hecking conduz o time e com uma pré-temporada, o jogador terá a possibilidade de ver seu futebol desabrochar em 2015-2016. Opção para todas as funções do ataque e figurinha carimbada na Seleção Alemã, pela qual, com pouca idade, já disputou 46 jogos e marcou 20 gols, Schürrle é uma das grandes esperanças do clube, dando-lhe mais diferenciais.

Em março do presente ano o jogador chegou a criticar seu início, responsabilizando o calendário do futebol inglês por seu início instável e ruim no retorno à Alemanha:

“Eu continuo sem o último por cento. Nos melhores clubes ingleses, durante a temporada, os jogadores raramente são carregados com qualquer treino, uma vez que a maior parte dele é trabalho tático ou regenerativo. Na Inglaterra você fica em forma durante a temporada com os jogos. No Chelsea, em função de termos o campeonato, a Champions League e as diferentes competições de clubes, jogávamos a cada três dias. Na Inglaterra não tem parada de inverno. Nesse verão, após a Copa do Mundo, eu tive apenas duas semanas de preparação”, disse ao Daily Mail.

Sem mais desculpas por dar, a hora de Schürrle no Wolfsburg é agora.

O retrospecto do grande rival e a força de outros adversários

Em toda a história da Bundesliga, o Bayern de Munique já foi, em sequência, tricampeão em quatro vezes, mas nunca foi tetra. Com isso, adivinhem só: campeão na última temporada, o Bayern se tornou o que? Tricampeão.

É claro que racionalmente isso não tem nenhum peso, mas fica a curiosidade. Além disso, Borussia Dortmund e Borussia Mönchengladbach entram com força na temporada, bem como Bayer Leverkusen e Schalke 04, que montou um time com garotos extremamente talentosos. Todos esses times serão rivais respeitáveis e perigosíssimos durante a temporada. Todavia, considerando o último ano e as poucas mudanças do time da Volkswagen, nenhum time aparenta ter maior capacidade para se superiorizar ao todo poderoso Bayern.

¹ Dados retirados do site Squawka

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