segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Novo Dortmund, novas impressões

O término da última temporada do Borussia Dortmund representou o fim de um ciclo. Após anos vitoriosos, o treinador Jürgen Klopp não conseguiu manter a motivação de seus comandados em alta e sofreu com o grande número de lesões de jogadores importantes. No final, a vaga na Europa League foi um precioso lucro para quem chegou a lutar contra o rebaixamento. Após sete temporadas, era a hora de Klopp deixar os aurinegros e com a chegada de Thomas Tuchel criou-se grande expectativa, que até agora vem se justificando.



Weigl é uma grande novidade

Conhecido por criar seus grandes destaques, trazendo-os de sua própria base ou de equipes menores - quando os jogadores ainda são muito jovens -, o Borussia mostrou que segue com a "mão boa" para esse tipo de negócio, contratando Julian Weigl (foto) do Munique 1860, mesma equipe de onde já havia trazido Sven Bender, há sete anos.

Apesar da juventude, o garoto de 20 anos recém-completados começou a temporada no time titular, surpreendendo pela maturidade, com encaixe imediato. Com bom senso de posicionamento, recebe e dá destino à bola a todo tempo, com muita qualidade. Até o momento, as estatísticas registram um percentual de 90% de acerto de passes na Bundesliga.

Leia também: A legítima sucessão aurinegra

Com características semelhantes às de Ilkay Gündogan, o garoto germânico vem mostrando que o Borussia Dortmund ainda aposta com muita perícia em negócios sustentáveis, sem buscar grandes estrelas, sobretudo após a malfadada aposta em Ciro Immobile na última temporada.

Titular em todas as partidas do clube na Bundesliga e presente em todos os jogos da temporada até agora, Weigl é um grande alento à Muralha Amarela, que quando o vê em campo lembra-se também no início de carreira de Nuri Sahin, que desde que foi vendido ao Real Madrid nunca retomou seu grande futebol.




As grandes fases de Mkhitaryan e Aubameyang

Destaque no Shakhtar Donetsk, Henrik Mkhitaryan chegou ao Borussia há duas temporadas, assim como o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, que havia feito grande temporada com a camisa do Saint-Étienne, em 2012-2013. Naquele momento, os aurinegros  haviam sido vice-campeões europeus e perdido Mário Götze para o Bayern de Munique. Todavia, armênio e gabonês não mostraram suas grandes qualidades na primeira temporada. No caso de Mkhitaryan demorou ainda mais, só começando agora.

Sem Robert Lewandowski, que também partiu para o Bayern, Aubameyang se adaptou à função de centroavante desde a temporada passada, até mesmo porque Adrián Ramos e Immobile se transformam rapidamente, deixando de ser esperanças e se tornando decepções com a camisa aurinegra. Desde a segunda metade da temporada 2014-2015, Auba vive grande fase. No referido ano, foram 25 gols e 11 assistências e no atual já são 10 tentos em 11 jogos. Sua velocidade se encaixou com perfeição no estilo de jogo do time e, sobretudo a partir da segunda metade da última temporada, o atleta desembestou a marcar.



Por outro lado, Mkhitaryan chegou da Ucrânia com um número fantástico a seu favor. Em 42 jogos disputados com a camisa do Shakhtar, o armênio havia balançado as redes 29 vezes e criado 13 assistências. Contratado para suprir a ausência de Götze, o jogador sentiu a mudança de ares e fez um ano extremamente inferior ao anterior, jogando 46 jogos, marcando 13 tentos e construindo 10 assistências. Embora não tenha ido mal, não cumpriu as expectativas.

Em seu segundo ano, o desempenho foi pior (42J, 5G, 7A) e, quando já se dava como consumado o fato de que o armênio não conseguiria jogar o futebol esperado, Mkhitaryan arrancou com tudo neste início de temporada, indo às redes em nove turnos e provendo oito assistências, em 11 jogos – sim, em apenas 11 jogos.

Com o time muito bem arrumado, o destaque dos dois tem sido fundamental, o diferencial. Outros jogadores como Marco Reus e Shinji Kagawa também têm jogado bem, mas não tanto quanto a dupla formada pelo gabonês e o armênio.




A renovação no gol

Apesar de ter uma bela e extensa história no Borussia Dortmund, sua casa desde 2002, aos 35 anos Roman Weidenfeller perdeu espaço com a chegada do jovem Roman Bürki (foto), de 24 anos. Tuchel definiu que o segundo será a opção prioritária para a Bundesliga, deixando a cargo do primeiro a defesa da meta em outras competições. 

Mais dia menos dia, a transição começaria. Com o avanço da idade de Weindenfeller, a dúvida residia no questionamento sobre o nome do sucessor. Internacional suíço, Bürki chegou após obter grande destaque no Freiburg. Ainda que tenha sido rebaixado, o arqueiro se consagrou como o jogador que mais defesas fez na temporada passada e, até o momento, Bürki disputou sete jogos e conseguiu cinco clean sheets, representando o time do Vale do Ruhr - boa marca, que dá tranquilidade para que a renovação seja feita com o necessário cuidado.

“Roman Bürki estará no gol (contra o Borussia Mönchengladbach), e essa decisão se aplica à temporada da Bundesliga. Roman Weidenfeller jogará ambos os play-offs da Europa League (...) Temos dois excelentes goleiros que são muito valiosos em seus papeis para a equipe”, disse Tuchel antes do início da Bundesliga.

Além de um novo treinador, o início da temporada do Borussia Dortmund revela um novo grande destaque no meio-campo - um daqueles jogadores que merecem a atenção dos amantes do futebol -, mostra o sucesso de uma dupla que chegou a desapontar, mas hoje vive grande fase, e confirma o esperado: é real, está acontecendo a transição no gol. Qual o resultado disso? A liderança da Bundesliga, com o mesmo número de pontos do Bayern e melhor saldo de gols (em cinco jogos, o time marcou 18 tentos, média de 3,6 por jogo). 

Klopp foi fantástico à frente dos aurinegros, mas Tuchel vem dando conta do recado. As novas impressões do novo Dortmund são extremamente positivas e recomendam a manutenção de um cuidadoso olhar sobre a equipe.

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