quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Times de que Gostamos: Peñarol 1960-1961

Após contar um pouco sobre o ótimo e inesperado time do Montpellier que conquistou o Campeonato Francês de 2011-2012, trato de uma equipe excepcional que bateu o Palmeiras de Djalma Santos e o Benfica de Eusébio, o Peñarol do início dos anos 60.


Em pé:Luis Maidana, Walter Aguerre, Néstor Goncálvez, Santiago Pino, William Martinez e Salvador;
Agachados: Luis Cubilla, Carlos Abel Linazza, Juan Eduardo Hohberg, Alberto Spencer e Carlos Borges.

Time: Peñarol

Período: 1960-1961

Time Base: Maidana; William Martínez (Pino), Matosas, Walter Aguerre; Salvador (Cano), Néstor Gonçalves (González); Cubilla, Linazza (Ledesma) Spencer, Crescio (Sasía), Borges (Joya). Téc.: Roberto Scarone

Conquistas: Bicampeonato da Copa Libertadores da América, Intercontinental (1961), bicampeonato uruguaio

O Uruguai sempre foi conhecido como uma das nações futebolisticamente bem dotada ao longo da história do futebol. Os sucessos nas Copas do Mundo de 1930 e 1950, além das Glórias Olímpicas em 1924 e 1928 não deixavam o público pensar diferente.

Até meados do Século XX, pensar em futebol sul-americano era, automaticamente, pensar no Uruguai. Assim, seguindo o pioneirismo da seleção de seu país, o Peñarol foi o primeiro campeão da Copa Libertadores da América. E mais, o primeiro bicampeão (1960-1961, invicto na primeira) e o primeiro tricampeão (1966).

Com craques da qualidade de Luis Cubilla e Alberto Spencer (artilheiro da competição continental em 1960), o clube comandado por Roberto Scarone mostrou a força do futebol uruguaio dentro e fora das Américas, tendo defrontado de igual para igual o Real Madrid de Ferenc Puskas e Alfredo Di Stéfano, em Montevidéu, e reduzido o Benfica de Eusébio e Mário Coluna a pó, no Intercontinental de 1961. Outro clube que sofreu nas mãos do Peñarol foi o Palmeiras de Djalma Santos, Julinho Botelho e Humberto Tozzi.

Defendendo a meta aurinegra, os uruguaios contavam com Luis Maidana (foto). Conhecido como El Hombre Gato, em razão de sua conhecida velocidade e de seus reflexos apurados, o arqueiro defendeu os Carboneros entre 1951 e 1965 e é lembrado até os dias atuais como o melhor goleiro de toda a história do clube uruguaio. É também lembrado no Brasil por dois fatos: em primeiro lugar por ter defendido um pênalti de Pelé na Libertadores de 1965 e, posteriormente, por ter sido goleiro do Palmeiras. No Peñarol, foi sucedido por outra lenda: ninguém menos que Ladislao Mazurkiewicz.

A princípio, o time apresentava uma forma muito peculiar de atuar, com um esquema tático que se assemelhava a um 3-2-5. Dessa forma, na retaguarda, os Carboneros contavam com a segurança de seu capitão, o veterano William Martínez (foto), de Roberto Matosas e Walter Aguerre. Martínez atuava mais pelo lado direito e era o grande ícone da defesa, o organizador, a força e a liderança. Em 1961, já tinha 33 anos.

Matosas, por sua vez, era quem cobria, mormente, a faixa central da defesa. Não obstante, era um jogador lembrado por sua técnica e boa saída de bola, sendo também opção útil para o meio-campo, como volante. Por fim, Aguerre era o responsável pela cobertura do lado esquerdo. Jogador que não é tão lembrado quanto seus companheiros, mas que fazia, com grande eficiência, o “trabalho sujo”, é outro que também podia alinhar em uma posição no meio de campo do Peñarol, o que ocasionava, em geral, a entrada de Núber Cano, lembrado por sua raça, na defesa.

Por sua vez, no meio-campo, o brasileiro Salvador, destaque no Internacional, foi um dos titulares em 1960. Conhecido por sua elegância no trato com a bola, pelo bom passe e arrancadas, o jogador porto-alegrense ainda faria sucesso com a camisa do River Plate na sequência de sua carreira. Com sua saída, Aguerre ganhou mais espaço no meio-campo e Cano na defesa, além do aparecimento de Edgardo González, jogador versátil que atuou, mormente, nas laterais.

O companheiro de Salvador, na maior parte das vezes, foi Néstor Tito Gonçalves (foto), um dos maiores ídolos da história Carbonera e da Seleção Uruguaia, nos anos 50 e 60. Jogador com o maior número de jogos com a camisa aurinegra, era outro atleta dotado de grande liderança e o maior responsável pela proteção do setor defensivo, atuando, por vezes, como zagueiro. Ao todo, atuou 14 anos no Peñarol e substituiu Martínez como capitão, com a saída do beque.

No ataque, havia vários grandes jogadores, mas dois deles destacam-se sobremaneira: Luis Cubilla (foto) e Alberto Spencer. Tido por muitos como um dos maiores jogadores da história Carbonera, senão o maior, Cubilla era um ponta direita insinuante. Apelidado de El Negro, ou El Monstruo, o uruguaio possuía enorme talento e abismava torcedores, companheiros e adversários com a imprevisibilidade de seus dribles. Posteriormente, o jogador mudou-se para o Barcelona.

Por outro lado, o equatoriano Alberto Spencer (foto) era o goleador, o matador do Peñarol. Com faro e instinto de artilheiro, o atacante fez a alegria da torcida do time. Até hoje o maior artilheiro da história da Copa Libertadores da América, com 54 gols, o jogador foi o goleador máximo da edição de 1960, com oito tentos. É lembrado pela eficiência de seus cabeceios, os mais fatais de seu tempo, que lhe renderam o apelido de Cabeza Mágica.

Além deles, mais três atletas compunham o quinteto ofensivo da equipe: o argentino Carlos Linazza, e os uruguaios Carlos Lucho Borges e Júpiter Crescio. O primeiro é lembrado por sua habilidade e atuava pelo lado direito, mas não tão aberto quanto o craque Cubilla. Borges, por sua vez, atuava aberto pelo flanco esquerdo e é reconhecido como o jogador que marcou o primeiro gol da história da Copa Libertadores, em partida contra o Jorge Wilsterman, da Bolívia. Por fim, Crescio fazia função semelhante à de Linazza, mas pelo lado esquerdo.

Com a transição do ano de 1960 para 1961, os Carboneros contraram o peruano Juan Joya, que ingressou na vaga de Borges, e José Sasía, que sucedeu Crescio. O primeiro era muito rápido e dono de um chute potente. Inicialmente, atuava no miolo do ataque, mas no Peñarol se afixou como ponta esquerda. Por sua vez, Sasía é lembrado como um jogador elegante, com ótima condução de bola, grande classe e temperamento difícil.

Além dos jogadores citados, o clube contava com outras peças importantes como o defensor Santiago Pino, que foi presença frequente em grande parte das partidas importantes do período, e o atacante Juan Eduardo Hohberg (foto), ídolo do clube, que possuía enorme capacidade de finalização, mas deixou o time ainda em 1960, com a ascensão de Spencer. O comandante, Roberto Scarone, era ex-jogador do clube e, curiosamente, após sua saída, em 1962, não mais retornou, fazendo sucesso no futebol peruano, onde conquistou quatro campeonatos nacionais.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Copa Libertadores da América de 1960: Peñarol 1x0 Olimpia

Estádio Centenário, Montevidéu

Árbitro: Carlos Robles

Público 44.690

Gol: ’79 Spencer (Peñarol)

Peñarol: Maidana; William Martínez, Salvador; Santiago Pino, Néstor Gonçalves, Walter Aguerre; Cubilla, Linazza, Spencer, Crescio, Borges. Téc.: Roberto Scarone

Olimpia: Arias; Arévalo, Lezcano, Osorio, C. Lezcano; Rojas, Rodríguez; Recalde, Doldán, Cabral, Melgarejo. Téc.: Aurelio González

Final do Intercontinental de 1960: Peñarol 0x0 Real Madrid

Estádio Centenário, Mondevidéu

Árbitro: José Praddaude

Público 71.872

Peñarol: Maidana; William Martínez, Salvador; Santiago Pino, Néstor Gonçalves, Walter Aguerre; Cubilla, Linazza, Hohberg, Spencer, Borges. Téc.: Roberto Scarone

Real Madrid: Domínguez; Marquitos, Santamaría, Pachín; Vidal, Zárraga; Canário, Del Sol, Puskas, Di Stéfano; Bueno. Téc.: Miguel Muñoz

Final da Copa Libertadores da América de 1961: Peñarol 1x0 Palmeiras

Estádio Centenário, Montevidéu

Árbitro: José Praddaude

Público 64.376

Gol: ’89 Spencer (Peñarol)

Peñarol: Maidana; Martínez, Cano, Matosas, González; Aguerre, Ledesma; Cubilla, Spencer, Sasía, Joya. Téc.: Roberto Scarone

Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Geraldo Scotto; Zequinha, Aldemar; Julinho Botelho, Humberto Tozzi, Geraldo II, Chinesinho e Romeiro. Téc.: Armando Renganeschi

Final do Intercontinental de 1961: Peñarol 5x0 Benfica

Estádio Centenário, Montevidéu

Árbitro: Carlos Foino

Público 56.358

Gols: ’10 Sasía, ’18 e ’28 Joya, ’42 e ’58 Spencer (Peñarol)

Peñarol: Maidana; Martínez, Cano, Néstor Gonçalves, González; Aguerre, Ledesma; Cubilla, Spencer, Sasía, Joya. Téc.: Roberto Scarone

Benfica: Costa Pereira; Ângelo, Saraiva, Mário João; José Neto, Cruz, Cavém; Coluna, José Augusto, Santana, Mendes. Téc. Béla Guttmann

Um comentário :

  1. Salvador foi o melhor centro medio que jogou em Porto Alegre. Somente Avila se compara.

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