segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Acima de todos o Bayern

A temporada 2015-2016 do futebol europeu começou de forma inesperada para o torcedor de grandes equipes por todos os maiores campeonatos do Velho Continente. Na Inglaterra, Chelsea e Liverpool cedem seus primeiros lugares para equipes como Crystal Palace e Leicester City; na Espanha, o público vê Villarreal e Celta de Vigo surpreenderam; e na Itália quem sofre é a tetracampeã Juventus. A despeito disso, na Alemanha tudo segue como esperado, com Borussia Dortmund e Bayern de Munique lutando pela primeira posição e os bávaros se superiorizando, conforme demonstrado pela vitória por 5x1 contra os aurinegros no último domingo (04).



A grande fase de Lewandowski 

Contratado na última temporada, o polonês Robert Lewandowski demorou um ano para confirmar o que dele se esperava em Munique. Não é que seu desempenho tenha sido ruim em 2014-2015, mas é fato que se esperava mais do jogador, cuja chegada não teve quaisquer custos aos cofres bávaros, em mais um grande negócio da equipe.

Na campanha pretérita, Lewa disputou 49 partidas e balançou as redes 25 vezes, sua pior marca desde a temporada 2010-2011 (e ainda assim uma marca muito expressiva). Entretanto, Pep Guardiola seguiu apostando em seu centroavante e vem sendo recompensado com a forma fantástica do polonês.

Artilheiro da Bundesliga e vice da UEFA Champions League, Lewandowski conseguiu alcançar o absurdo em um dos jogos que deveria ter trazido grandes dificuldades ao Bayern. Contra o Wolfsburg, na sexta rodada do alemão, o atacante saiu do banco de reservas no intervalo e em nove (!) minutos marcou cinco gols.

Além disso, o polaco teve papel fundamental em outras partidas, como contra o Dinamo Zagreb, pela Champions, ocasião em que marcou três vezes, e o Borussia Dortmund na já citada goleada por 5x1, turno em que o goleador colocou duas bolas no fundo das redes de seu ex-clube.

Já tendo marcado 16 gols em 11 jogos na temporada, Lewandowski tem sido um dos grandes fatores de desequilíbrio do time, o jogador decisivo que o Bayern esperava ao contratá-lo.

As poucas e boas mudanças no elenco

Uma das questões que mais foram discutidas em relação à forma do Bayern na última temporada foi a falta de alternativas para os postos de Arjen Robben e Franck Ribery, que já não são jovens e têm sofrido com problemas físicos. Com isso em mente, o clube buscou duas alternativas que vêm mostrando qualidades, uma para uso imediato e outra para ser introduzida gradualmente: Douglas Costa e Kingsley Coman, respectivamente.

O brasileiro chegou sob suspeitas, mas se integrou à equipe incrivelmente rápido, sendo frequentemente titular na vaga de Ribery, lesionado. Segundo o site WhoScored, Douglas tem dois gols e seis assistências na temporada, tendo sido eleito o melhor jogador em campo em uma ocasião. Apesar do alto custo, cerca de € 30 milhões, a aposta mostra-se acertada e o jogador surpreende com grande personalidade.

Por outro lado, Coman, uma das principais promessas da Juventus, chegou ao clube com este exato status: o de promessa. Contratado por dois anos de empréstimo (tendo custado cerca de €7 Milhões, que, para uma transferência permanente, serão acrescidos de mais €21), o francês é veloz, habilidoso e versátil, possuindo características fundamentais para a sua função como winger e, mais importante, agradando ao treinador Guardiola, que já o utilizou em seis partidas, vendo-o marcar dois tentos e criar três assistências. Seguindo com essa forma, é difícil pensar que o clube não vá contratá-lo em definitivo.

Apesar dos negócios para as pontas terem sido indiscutivelmente bem avaliados, uma mudança no meio-campo gerou uma mistura grande de sentimentos. Saiu Bastian Schweinsteiger e entrou Arturo Vidal. A qualidade dos jogadores ninguém questiona, o fato que induz a explosão de emoções é a saída de Schweinsteiger, a cara do Bayern – ou melhor, a cara de um dos mais vencedores times do Bayern da história.

O antigo camisa 31 foi criado no clube e creio que ninguém duvidava que seu destino único no futebol fosse o Bayern. Enfim o jogador sentiu a necessidade de respirar novos ares e viver outros desafios, mudando-se para o Manchester United. Superada a saída do ídolo, apesar das características diferentes, o chileno Vidal chegou e foi um excepcional negócio, até mesmo porque proporciona a Guardiola uma diferente dinâmica de jogo.

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Para mais, Pepe Reina retornou ao Napoli e Sven Ulreich chegou para ser o reserva imediato do craque (embora goleiro) Manuel Neuer. Seguro e dono de ótimos reflexos, o ex-arqueiro do Stuttgart é figura de grande qualidade para o elenco. Ademais, o negócio do jovem Joshua Kimmich, de 20 anos e também ex-Stuttgart, segue a proposta de trabalho do Bayern e é provável que o jogador, tido por muitos como o “novo Schweinsteiger”, ganhe alguns minutos na temporada, se incorporando paulatinamente ao clube. O único ponto que gera discussão é a contratação do alemão restringir ainda mais o espaço do talentoso e promissor Pierre-Emile Höjbjerg, emprestado ao Schalke 04.

Duas últimas saídas que definitivamente não estão sendo sentidas são as do brasileiro Dante, que viveu bons momentos no clube, mas fez uma temporada 2014-2015 muito ruim, e a do centroavante Claudio Pizarro, que embora fosse útil em algumas ocasiões, aos 37 anos já não acrescentava muito ao clube.

A volta de Thiago e a regularidade de outros grandes jogadores

Assim como a grande forma de Lewandowski, outra grande notícia para o torcedor do Bayern é o retorno de Thiago Alcântara aos gramados. Contratado para a disputa da temporada 2013-2014, uma grande aposta de Guardiola – treinador que o revelou no Barcelona –, o jogador vive às turras com as lesões.

Em sua primeira temporada, disputou apenas 25 jogos e na segunda 13. Em grande parte das vezes em que jogou o meia foi destaque, como nas quartas de finais da última edição da Champions, contra o Porto. O problema é que Thiago realmente vinha jogando pouco.

Para se ter uma boa ideia do que representa o retorno do espanhol, nesta temporada ele já disputou 10 partidas, quase o mesmo que em 2014-2015, criando quatro assistências (até então, no todo, Thiago só havia dado cinco passes para gols).

“Consegui cumprir o objetivo que tinha. Minha vida voltou ao normal agora. Estou feliz, pois esse era o desafio que tinha, agora é começar a jogar outra vez. Dormir era a única coisa que me reconfortava. Eu passava o dia todo com a mão no joelho, mas inclusive ir para a cama me incomodava. Quando conseguia dormir, aí eu tinha paz”, revelou Thiago após recuperar-se.

Recentemente, a direção do clube renovou o contrato de Thiago até 2019.

Além disso, jogadores como Jérôme Boateng, Manuel Neuer, Philipp Lahm, David Alaba e Thomas Müller seguem fazendo o que se espera deles, jogando com muita consistência e qualidade. Dessa forma, é fácil entender como os jogadores recém-contratados chegam ao Bayern e rapidamente se encaixam no time.

O suporte que estes jogadores, que figuram em quaisquer listas dos melhores de suas posições, têm dado ao clube é fulcral para o sucesso bávaro, sendo muito difícil lembrar alguma partida recente ruim de qualquer um deles.

Último ato de Guardiola no Bayern? Parece que não

Desde a última janela de transferências especula-se a saída de Pep Guardiola do Bayern de Munique. Contudo, vivendo seu último ano de contrato no clube, o espanhol tem conseguido mostrar aquele que é provavelmente o melhor Bayern dos últimos três anos, curiosamente, sem Schweinsteiger, vendido, Ribery, lesionado, e algumas vezes também sem Robben, frequentemente machucado.

Pep esteve vinculado a uma transferência para o Manchester City e muitos apontavam que seu relacionamento com o elenco e a direção do Bayern já não era bom. Não obstante, o treinador manteve seu foco e o clube cresceu. Seguindo com sua postura nada convencional, abusando da versatilidade de jogadores como Alaba e Lahm, Guardiola mostra que toda a especulação que envolveu seu nome não abalou sua dedicação no comando da equipe.

Assim, a direção do Bayern renovou sua boa vontade com Guardiola e já prepara uma oferta de extensão contratual para o treinador, conforme informou Karl-Heinz Rummenigge ao Bild

“Estou otimista sobre a renovação de Pep. Temos uma boa oferta na mesa, à qual você não pode apenas esnobar. Temos um time de primeira, um clube fantástico, um grande estádio e uma cidade maravilhosa para oferecer (...) Teremos uma séria conversa com Pep nas próximas semanas e veremos o que virá disso. Eu quero conquistar a Liga dos Campeões de novo, com Guardiola no comando”, disse o ex-jogador e dirigente.

Indiscutivelmente o time europeu que vive o melhor momento no Velho Continente, o Bayern larga muito bem na temporada e mostra mais uma vez um grande exemplo de planejamento. O clube bávaro suportou a pressão sob Guardiola, reformou precisamente o elenco e tem sido recompensado com grandes resultados. No futebol, o sucesso às vezes deriva da sorte, mas, na Baviera, sorte é sinônimo de trabalho e manutenção de princípios e diretrizes.

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