quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Times de que Gostamos: Independiente 1972-1975

Após lembrar um pouco da história do Hamburgo do início da década de 80, período em que o clube foi treinado pelo vitorioso Ernst Happel e tinha em Felix Magath sua grande estrela, trago um pouco da memória do excelente Independiente dos anos 70, tetracampeão, consecutivo, da Copa Libertadores da América.


Em pé: Comisso, Sá, Raimondo, López, Pavoni, Gay;
Agachados: Balbuena, Semenewicz, Bochini, Galván, Bertoni.
Time: Independiente

Período: 1972-1975

Time Base: Santoro; Comisso, López, Sá, Pavoni; Raimondo, Galván (Semenewicz), Bochini; Balbuena, Maglioni, Bertoni. Técs.: Pedro Dellacha (1972 e 1975), Humberto Maschio (1973), Roberto Ferreiro (1974)

Conquistas: Tetracampeonato da Copa Libertadores da América e Intercontinental (1973)

Embora hoje o Independiente tenha perdido muita força, tanto no cenário argentino quanto no internacional, o clube segue sendo o que mais conquistou troféus da Copa Libertadores da América, com sete, quatro deles conquistados no início da década de 70. Na ocasião, o Independiente montou uma equipe extremamente sólida e, mesmo tendo sido treinado por três diferentes comandantes, brilhou.

Derrotando um time peruano, dois chilenos e um brasileiro nas finais da competição continental, entre 1972 e 1975, o Rey de Copas – como ficou conhecido – reinou soberano em solo sul-americano e ainda bateu uma grande equipe da Juventus, no Intercontinental de 1973. A realidade só poderia ter sido melhor se o time tivesse vencido Ajax e Atlético de Madrid, nas competições intercontinentais de 1972 e 1974 (em 1975, tanto Bayern de Munique quanto Leeds United, campeão e vice da UEFA Champions League, recusaram-se a disputar a competição).

Defendendo a meta dos Diablos Rojos nos primeiros dois títulos continentais da década de 70, Miguel Ángel Santoro (foto), também conhecido como Pepé Santoro, era uma sumidade, um ídolo indiscutível do clube. Remanescente dos dois primeiros títulos de Libertadores do clube, em 1964 e 1965, o jogador era um dos mais experientes atletas do elenco e fez 343 jogos pelo clube, alguns deles realmente marcantes, como a final da Libertadores de 64, contra o Nacional.

Passado o fim de sua carreira, seguiu sendo figura importante no clube, tendo sido treinador, coordenador de futebol profissional e treinador de goleiros. Com sua saída do clube em 1974, quando partiu para a Espanha, onde defendeu o Hércules, Carlos Gay e José Pérez, conhecido como o Rey del Penal, em razão de sua qualidade na defesa de pênaltis, sucederam-no no gol do clube.

Na lateral direita, o time contou com a disposição e aplicação tática de Eduardo Commisso, outra bandeira do clube, tendo o representado em 208 ocasiões, entre 1968 e 1975. Formidável marcador, gostava de grandes jogos e era um dos jogadores mais seguros do time. Pelo outro lado, a lateral era defendida pelo uruguaio Ricardo Chivo Pavoni (foto), outro jogador que vestiu a camisa dos Diablos Rojos por muito tempo, em mais de 400 partidas. Remanescente do grande time da década de 60, o atleta marcava bem, era um líder (foi capitão da equipe durante longo período) e destacava-se por seu potente arremate, que o levou a marcar alguns gols.

Salvaguardando o miolo defensivo do clube de Avellaneda, uma dupla formada por dois grandes zagueiros era outro ponto destacável da equipe. De um lado estava Francisco Pancho , um dos jogadores mais vitoriosos da história do futebol argentino. Maior vencedor da história da Libertadores, com títulos com Independiente e Boca Juniors, era um jogador muito sério e aguerrido. Além de ter obtido sucesso em clubes, Sá disputou a Copa do Mundo de 1974 com a Seleção Argentina. Do outro lado, Miguel Ángel Zurdo López, jogador experiente, era mais um forte pilar da equipe, já tendo tido passagens por Estudiantes e River Plate, antes de chegar ao Rojo.

No meio-campo, havia a presença constante de duas figuras: Alejandro Polaco Semenewicz e Miguel Ángel Raimondo (foto). O primeiro, argentino de origem polonesa, era o jogador que detinha mais responsabilidades defensivas. Ótimo marcador e dono de fôlego inesgotável, o jogador podia atuar na defesa e era fundamental ao balanço defensivo da equipe, sempre mostrando muita raça. Por sua vez, Raimondo tinha grande qualidade nos passes, sendo o principal responsável pela armação das jogadas dos Diablos, um verdadeiro pensador: o maestro. Em 1974, ganhou o prêmio de melhor jogador argentino do ano.

Além deles, no início da fantástica trajetória do clube, havia a presença do grande José Pastoriza, meio-campista excepcional e líder exemplar de personalidade forte, que atuava em uma função mais ofensiva que as de Raimondo ou Semenewicz. Contudo, em 1972, o jogador partiu para o Monaco, onde permaneceu até o fim de sua carreira. Quem ganhou espaço com sua saída foi o bom Rúben Galván, jogador de qualidades semelhantes, mas menos brilhante.

Nesse período, o clube preparava o terreno para aquele que viria a se tornar o maior jogador do time em todos os tempos: Ricardo Henrique Bochini, El Bocha (foto). Cria do Independiente, apareceu em 1972 e virou parte do folclore futebolístico pelo fato de ter sido o ídolo de infância de Diego Armando Maradona. Clássico camisa 10, foi ganhando espaço no time com o passar dos anos e mostrando sua grande técnica. Extremamente habilidoso, destacava-se pela qualidade com a qual colocava seus companheiros na cara do gol. Ao todo, disputou mais de 700 jogos pelos Rojos, entre 1972 e 1991, tendo resistido a inúmeras propostas de transferências que lhe foram apresentadas durante sua carreira.

Mais avançados, Agustín Balbuena, Eduardo Maglioni e Daniel Bertoni formavam um trio infernal, cada um com sua característica. O primeiro representava a força, o segundo era o principal goleador, a maior referência, e o último o maior talento, jogador de extrema habilidade e imprevisibilidade.

Dentro da área adversária, Maglioni era impressionante, tendo muita facilidade para fazer gols com as duas pernas e mostrando velocidade. Em determinada ocasião, em 1973, o goleador marcou três tentos em um minuto e meio. Já Bertoni (foto), parte importante da Seleção Argentina campeã mundial em 1978, era um ponta infernal. Rápido, ia à linha de fundo com frequência, executava cruzamentos perfeitos, driblava muito bem e finalizava com precisão. Era um craque. Após deixar o Independiente em 1977, brilhou na Europa com as camisas de Sevilla, Fiorentina e Napoli.

No período, o Independiente teve também três diferentes técnicos. Pedro Dellacha, curiosamente um ídolo do Racing, grande rival dos Diablos Rojos, foi o primeiro e o último, liderando o clube nos títulos de 72 e 75; Humberto Maschio, outra referência do Racing, comandou em 1973; e Roberto Ferreiro, este ex-jogador do próprio Independiente, levou o time ao título de 1974.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Final da Copa Libertadores da América de 1972: Independiente 2x1 Universitário

Estádio Doble Visera De Cemente, Avellaneda

Árbitro: Favili Neto

Público 55.000

Gols: ‘6 e ’62 Maglioni (Independiente); ’79 Percy Rojas (Universitário)

Independiente: Santoro; Comisso, Garisto, Sá, Pavoni; Raimondo, Semenewicz, Pastoriza; Balbuena, Maglioni (Magán), Saggiorato (Mircoli). Téc.: Pedro Dellacha

Universitário: Ballesteros; Soria, Cuellar, Chumpitaz, Luna; Techera (Alva), Cruzado, Castañeda; Munante, Percy Rojas, Ramírez (Bailetti). Téc.: Marcos Calderón

Final da Copa Libertadores da América de 1973: Independiente 2x1 Colo-Colo

Estádio Centenário, Montevidéu

Árbitro: José Romei

Público 35.000

Gols: ’25 Mendoza e ‘106 Giachello (Independiente); ’39 Carlos Caszely (Colo-Colo)

Independiente: Santoro; Comisso, López, Sá, Pavoni; Raimondo, Semenewicz, Galván; Mendoza (Giachello), Maglioni (Bochini), Bertoni. Téc.: Humberto Maschio

Colo-Colo: Nef; Galindo, Herrera, González e Silva (Castañeda); Valdés, Páez, Messen; Caszely, Ahumada, Véliz (Lara). Téc.: Luis Álamos Luque

Final do Intercontinental de 1973: Independiente 1x0 Juventus

Estádio Olímpico, Roma

Árbitro: Alfred Delcourt

Público 22.489

Gol: ’80 Bochini (Independiente)

Independiente: Santoro; Comisso, López, Sá, Pavoni; Raimondo, Galván, Bochini; Balbuena, Maglioni, Bertoni (Semenewicz). Téc.: Roberto Ferreiro

Juventus: Zoff; Gentile, Spinosi (Longobucco), Morini, Marchetti; Salvatore, Cuccureddu; Causio, Anastasio, Mazzola, Bettega (Viola). Téc.: Cestmir Vycpálek

Final da Copa Libertadores da América de 1974: Independiente 1x0 São Paulo

Estádio Nacional, Santiago

Árbitro: César Orozco

Público 45.000

Gol: ’27 Pavoni (Independiente)

Independiente: Gay; Comisso, López, Sá, Pavoni; Raimondo, Semenewicz, Galván; Bochini, Balbuena (Carrica), Bertoni (Giribet). Téc.: Roberto Ferreiro

São Paulo: Valdir Peres; Forlán, Paranhos, Arlindo, Gilberto (Nelsinho); Chicão, Zé Carlos (Silva), Pedro Rocha; Mauro, Mirandinha e Piau. Téc.: José Poy

Final da Copa Libertadores da América de 1975: Independiente 2x0 Unión Española

Estádio Defensores del Chaco, Assunção

Árbitro: Edison Pérez Núñez

Público 55.000

Gols: ’29 Moreno e ’62 Bertoni (Independiente)

Independiente: Pérez; Comisso, López, Sá, Pavoni; Semenewicz, Galván, Bochini; Balbuena, Moreno, Bertoni (Saggiorato). Téc.: Pedro Dellacha

Unión Española: Vallejos; Machuca, Maldonado, Gaete, Arias; Palacios, Inostroza (Las Heras), Véliz; Spedaletti, Trujillo, Ahumada. Téc.: José Santibañez

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