segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O entrosamento do Dynamo usado em favor da Ucrânia

A Seleção da Ucrânia largou bem na disputa por uma vaga na Euro 2016, após vencer a Eslovênia na primeira partida do play-off eliminatório, por 2x0. Para a disputa, o treinador Mikhail Fomenko, ex-jogador do grande time do Dynamo de Kiev da década de 70, convocou sete jogadores de seu ex-clube, alinhando uma equipe que se aproveitou do entrosamento vindo do próprio time, algo que deu muito certo e promete ser repetido na partida de volta.



Mais relevante ainda do que usufruir do conhecimento mútuo que existe entre os jogadores do clube da capital ucraniana é o fato de que o setor de meio-campo da seleção do país, especificamente,  é majoritariamente composto por jogadores do Dynamo. Garantindo liberdade para os avanços dos melhores jogadores da equipe, Evgen Konoplyanka e Andriy Yarmolenko (que atua no Dynamo), um trio de meio-campistas fez ótimo papel: Sergiy Rybalka, Denys Garmash (foto) e Sergiy Sydorchuk, companheiros de clube e seleção.

Apesar de atuarem nas mesmas faixas do campo, via de regra centralizados e eventualmente como meio-campistas ofensivos ou defensivos, os três meias formam um trio que muito bem se complementa. Embora todos sejam bem dotados de recursos técnicos e tenham facilidade para se apresentarem para o jogo e aproximarem-se do ataque, os estilos de jogo de cada um são diferentes. Rybalka tem uma capacidade maior de controlar e organizar o jogo; Garmash movimenta-se com maior intensidade e, fisicamente, sempre doa-se muito pela equipe; e Sydorchuk (foto abaixo) tem uma leitura de jogo mais apurada, tanto que emergencialmente já atuou inclusive como zagueiro.

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Se atuassem em equipes diferentes já seria interessante observar a conjugação destes atletas no meio ucraniano, o que ganha contornos ainda melhores conhecendo o fato de que estes jogadores sabem quais são os movimentos preferidos uns dos outros. Se um deles avança, os outros mantêm o setor protegido e vice-versa. Para o balanço da Seleção Ucraniana isso é fundamental, uma vez que os meias têm que trabalhar muito duro para garantir a solidez da equipe, posto que os pontas, grandes diferenciais do time, precisam ter espaço e liberdade.

Para mais, o trio também atua com Yarmolenko, o que aumenta ainda mais a capacidade da equipe de entender os movimentos individuais de um de seus craques, manter seu setor protegido e dialogar com o mesmo. Na partida contra a Eslovênia, foi possível acompanhar o constante avanço de um dos meio-campistas, formando uma linha de três criadores, em esquema tático híbrido, que em grande parte das vezes é um 4-3-3 clássico, mas que pode ser convertido em um 4-2-3-1. Eis aqui outro ponto importante derivado do uso destas peças: os três têm a capacidade para se adiantarem em diferentes partes dos jogos, algo que ocorre durante as partidas do Dynamo e que só não causa problemas em razão do entrosamento existe entre os mesmos.

Esta ainda não é a formação habitual da equipe de Fomenko, mas tem uma tendência a se tornar, uma vez que o vice-capitão ucraniano, Ruslan Rotan, já está com 34 anos. Embora ainda seja titular na maior parte das partidas, é difícil acreditar em uma sequência de longo prazo com sua presença, sobretudo quando vislumbrada em contraste com a juventude de Rybalka (foto abaixo), Sydorchuk e Garmash, de 25, 24 e 25 anos, respectivamente.

Diante de uma pobre Seleção Eslovena, que muito depende da técnica dos irregulares Kevin Kampl, Josip Ilicic e Valter Birsa, é bem possível que a Ucrânia avance e consiga sua vaga na Euro 2016, sendo uma equipe que vale a pena acompanhar. Seu jogo mostra um comportamento tático interessante e disciplinado, bola no chão, velocidade e drible – muito disso aproveitado do Dynamo de Kiev.

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Para o futuro, além de Rotan, Anatoliy Tymoshchuk deverá perder espaço, aumentando o terreno para o trio do Dynamo. Há ainda outros jogadores com características um pouco distintas, casos do meia-atacante Ruslan Malinovsky e do volante Taras Stepanenko, jogadores de Zorya e Shakhtar Donetsk, respectivamente, mas, como dito, a opção pela espinha dorsal do clube de Kiev é sábia e pode confirmar-se habitual com o tempo. Contra a Eslovênia isso mostrou-se um acerto, cabe a Fomenko avaliar a continuidade ou não desta prática.

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