segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Estamos diante do melhor momento de Hulk?

O enredo da carreira de Hulk é uma história amplamente conhecida. Do Vitória ao Porto, com um estágio no Japão, o paraibano tornou-se nos últimos anos um dos jogadores brasileiros mais cobiçados do futebol europeu. O potente chute e as grandes marcas com a camisa dos Dragões colocaram o jogador em um alto patamar e levaram o Zenit a pagar uma verdadeira fortuna por seu futebol. No entanto, tanto no clube russo quanto na Seleção Brasileira – ainda que por diferentes razões – Hulk foi duramente criticado durante os últimos tempos. Hoje, no entanto, seu desempenho vem mostrando um novo jogador, possivelmente sua melhor versão.



Durante sua estadia em Porto, o brasileiro gozou de um importantíssimo estatuto na equipe. Ainda que contasse com outros jogadores de muito destaque e sabida qualidade – figuras como Falcao García, Lucho González, João Moutinho e um ainda garoto James Rodríguez – Hulk foi visto durante muito tempo como a principal peça de desequilíbrio do time. Sua assombrosa imponência física, capacidade de condução de bola em progressão e finalização de longa e média distância o deixaram em evidência durante muito tempo.
Apesar disso, o jogador só o conseguiu porque tinha liberdade para se movimentar no campo, ainda que passasse a maior parte do tempo aberto pelo flanco direito do ataque. Uma boa prova disso é o fato de que, na maior parte das vezes em que foi escalado como centroavante, o brasileiro foi mal, uma vez que não tinha tantas possibilidades de jogo atuando entremeado pelos zagueiros rivais.

Ainda que muitas críticas tenham sido feitas pelo público brasileiro em relação à técnica do jogador, é difícil julgar sua performance com a Canarinho, uma vez que sua função em muito se distingue daquela desempenhada no Porto e hoje no Zenit. É claro que o Brasil não pode atuar em função de Hulk, mas desvalorizá-lo pelo que faz e fez na Seleção Brasileira é avaliar de forma muito obscurecida o jogador. Aliás, exemplos de jogadores que vão muito bem em seus clubes e não rendem o esperado com a camisa verde-amarela não faltam e a história não mente.

Desde que foi para o Zenit, Hulk segue obtendo marcas importantes e expressivas, mesmo tendo passado por grandes dificuldades em sua chegada. Para os que não se recordam, vale a lembrança de que o brasileiro foi contratado por cifras milionárias (aproximadamente £38,5M) e passou a receber um salário muito acima da média do clube, algo que causou problemas com líderes do time – sobretudo com Igor Denisov, então o capitão, que rapidamente acertou sua transferência para o Dínamo de Moscou.

Leia mais: A ótima temporada de Alex Teixeira

Da temporada 2012-2013 até a 2014-2015, o jogador de 29 anos alcançou números formidáveis, mas nenhum deles tão bom quanto o recorde atual. O jogador ainda marca muitos gols, como revelam seus respeitáveis 11 tentos em 23 jogos na temporada (somadas as disputas do Campeonato Russo, da Copa da Rússia, da Supercopa da Rússia e da UEFA Champions League), mas é um outro número que chama de fato a atenção: o de assistências.

Até a temporada atual, segundo as estatísticas do site Transfermarkt, desde que se mudou para a Rússia, a campanha em que Hulk ofertou o maior número de passes para gols foi a passada, 2014-2015, na qual proveu 15 assistências em 45 jogos. Na atual, no entanto, em 23 partidas, e com metade da temporada por disputar, o brasileiro já criou 18 assistências. Não há dúvidas de que, mais do que nunca, o jogador encontra-se adaptado ao futebol russo e ao seu clube (o que foi impulsionado pela chegada de André Villas-Boas, seu ex-treinador no Porto ao Zenit) e, passado o período de turbulências extracampo, vive aquele que é, provavelmente, seu melhor momento.


Em entrevista ao site oficial do Zenit, o brasileiro ressaltou a evolução de seu futebol na presente temporada: “A primeira mudança é que eu finalmente me sinto completamente adaptado tanto à cidade quando ao clube. Agora, essa é a minha casa. Tenho um ótimo relacionamento com os torcedores, os outros jogadores, o clube, que me faz me sentir confiante e eu posso mostrar isso no campo. Encontrei meu melhor futebol.”

Outros fatores que apontam a grande qualidade do desempenho de Hulk são as disputas do Campeonato Russo e da UEFA Champions League – por razões diferentes, entretanto. Na principal disputa doméstica, o Zenit está longe de fazer um torneio brilhante, figurando na quinta colocação, sete pontos atrás do líder CSKA. Isso aponta que, a despeito de haver certa irregularidade no desempenho do clube, Hulk segue em excelente forma. Quanto à competição continental, o Zenit foi brilhante na primeira fase e nos cinco jogos em que atuou (cinco vitórias), o brasileiro foi vital à construção do placar em quatro deles, com três tentos e quatro assistências.

"Se os meus passes continuarem nos trazendo vitórias, ficarei feliz em não marcar. Vencer é tudo o que importa", disse Hulk ao Sport Express.

Diante disso, seria válido cogitar uma nova afirmação do paraibano de Campina Grande na Seleção Brasileira? Válido, a meu ver, é. Embora atue em uma posição que hoje dispõe de um grande número de concorrentes – Willian, Neymar, Douglas Costa, Lucas Moura e Philippe Coutinho, por exemplo – sua característica em muito se diferencia da dos demais. Sua força física e a capacidade de resolver partidas com seus potentes chutes poderiam ser importantes para a equipe. No entanto, não é válido imaginá-lo desempenhando o mesmo papel que faz no Zenit.

Em primeiro lugar, o entrosamento nunca será o mesmo, mas a maior razão que impede essa ocorrência é o fato de que o Brasil nunca jogará em função de Hulk e não o permitirá ter a liberdade que o clube de São Petersburgo lhe dá. Com demasiadas funções táticas, o jogador já mostrou que tem dificuldades em desenvolver bom futebol. O fato de estar em um momento fantástico não muda uma realidade que conhecemos com Felipão no comando da Canarinho.

Todavia, nada disso nos impede de afirmar que Hulk é um jogador excelente e que merece ter seu valor reconhecido. Ainda que atue em uma liga menos privilegiada – bem como a que atuou anteriormente – suas marcas são muito expressivas e não é possível ignorá-las. Aos 29 anos, o brasileiro parece mais maduro do que nunca, mantendo suas capacidades individuais e aprimorando a cada dia seu jogo coletivo. 

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