quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Times de que Gostamos: Colo-Colo 1991

Após rememorar o fantástico time do Stade de Reims dos anos 50, período em que o clube reinou na França e chegou a ameaçar a supremacia continental do Real Madrid de Alfredo Di Stéfano, trato do único time chileno a ter conquistado a Copa Libertadores da América, o Colo-Colo, do ano de 1991.


Em pé: Pizarro, Espinoza, Margas, Ramírez, Vilches, Garrido, Morón
Agachados: Peralta, Mendoza, Barticciotto, Pérez

Time: Colo-Colo

Período: 1991

Time base: Daniel Morón; Gabriel Mendoza (Juan Carlos Peralta), Lizardo Garrido, Javier Margas, Miguel Ramírez; Eduardo Vilches, Rubén Espinoza, Jaime Pizarro; Patrício Yáñez, Rubén Martínez (Ricardo Dabrowski) e Marcelo Barticciotto. Téc.: Mirko Jozic

Conquistas: Copa Libertadores da América e Campeonato Chileno

Em 1973, um clube chileno ameaçou impedir a construção de uma hegemonia na América. Atuando contra um time do Independiente de Avellaneda que já havia conquistado três Copas Libertadores e buscava sua quarta, um destemido Colo-Colo, que tinha como grande craque Carlos Caszely e representava a alegria de um povo que estava em vias de ser subjugado por um regime ditatorial, valentemente disputava a glória continental.

No fim, o time que massacrou Unión Española, El Nacional, Emelec e Cerro Porteño foi parado e teve que esperar longos anos para voltar a ter a oportunidade de colocar o continente americano a seus pés. Nesse período, seus compatriotas do Unión Española e do Cobreloa também disputaram finais, sem sucesso, no entanto.

O destino faria com que, em 1991, o Colo-Colo, que tantas adversidades enfrentou em 1973, com problemas relacionados à política interna de seu país e até mesmo falsas promessas de premiações, tornasse-se o primeiro – e até hoje único – clube de seu país a vencer a Libertadores.

O time foi comandado por um treinador croata, Mirko Jozic, ninguém menos do que o grande responsável pelo icônico título mundial sub-20 da Iugoslávia em 1987, liderando uma geração que conteve nomes da estirpe de Zvonimir Boban, Davor Suker, Sinisa Mihajlovic, Vladimir Jugovic e Robert Prosinecki. O dado curioso é que este torneio aconteceu no Chile e despertou a vontade do treinador de trabalhar no país. Assim, o Colo-Colo abriu suas portas ao treinador, que por lá passou em 1987, para trabalhar com os jovens, e retornou em 1990, como treinador da equipe principal.

Com uma geração de futebolistas talentosos e inovações táticas, Jozic conduziu os Albos ao inédito título e de forma inesquecível, deixando equipes tradicionais como Universitário do Peru, Nacional de Montevidéu, Boca Juniors e, finalmente, na final, o Olímpia, campeão em 1990, para trás. O curioso é que, ao final do glorioso ano, o Colo-Colo perdeu o Intercontinental para uma equipe que passou pelas mãos de seu treinador, o Estrela Vermelha, que possuía muitos jogadores do time campeão mundial sub-20 de 1987.

Leia também: Times de que Gostamos: Estrela Vermelha 1990-1991

A meta da equipe chilena era defendida por um arqueiro que foi ídolo do torcedor e permaneceu no clube por muitos anos. Argentino, Daniel Morón  (foto) chegou ao Colo-Colo já aos 27 anos, após defender o Unión de Santa Fé, de seu país. El Loro, como ficou conhecido, é lembrado por sua sobriedade debaixo da meta, sem fazer estardalhaços, mas cumprindo seu papel com muita agilidade e exercendo grande liderança sob os demais. Em 1994, deixou o clube, mas seguiu no país, naturalizando-se e chegando a defendê-lo em amistosos.

No miolo de zaga havia as imponentes presenças de dois jogadores históricos formados no clube. De um lado, via-se a experiência, a qualidade técnica e a elegância de Lizardo Garrido, atleta que atuou no Colo-Colo por 13 anos de sua carreira e que chegou a ser eleito o melhor jogador chileno no ano de 1984. Fazendo-lhe companhia, um garoto que há pouco tempo se afirmara como profissional surpreendia pela forte marcação, bom cabeceio e maturidade: Javier Margas. Tendo crescido no clube, a dupla sabia exatamente o que a conquista de uma glória continental representava e foi vital para a mesma.

As laterais eram cobertas por dois jogadores lembrados pela completude de seu jogo e solidez. Pela direita, Gabriel Mendoza (foto) era um jogador ainda muito jovem, destemido, que sabia guardar sua posição de forma aguerrida como poucos, mas que quando necessário ia à frente com grande qualidade, tendo sido também opção para o meio-campo. Pelo outro flanco, a juventude estava estampada no rosto de Miguel Ramírez, que estava em vias de completar 21 anos na data da conquista da Copa Libertadores. Muito seguro, tinha estilo defensivo, e sempre desenvolvia um jogo de muita força física e velocidade. Nos anos que se seguiram, ambos atuaram na Seleção Chilena e Mendoza chegou a vestir a camisa do São Paulo.

Opção pelo meio-campo e como zagueiro, Eduardo Vilches foi o mais defensivo volante neste time do Colo-Colo, outro jogador que exibia liderança e o principal protetor da defesa dos Caciques. Com muita personalidade, bom desempenho aéreo, força física e alguns perigosos chutes de longa distância, era outra referência e um jogador importante também para a Seleção Chilena. À época da conquista já estava próximo dos 30 anos, mas ainda atuou por mais três no clube.

Também trabalhando no jogo de meio-campo, sendo a maior referência da equipe, Jaime Pizarro (foto) era o capitão e um volante excepcional. Incansável na recuperação de bolas e formidável finalizador, o Kaiser atuou durante mais de dez anos no Colo-Colo e foi eleito em 1987 e 1988 o melhor jogador chileno do ano. Além disso, era fundamental à equipe, dando-lhe consistência e lutando infatigavelmente pelo coletivo.

Um pouco mais à frente e com maior liberdade no meio, Rubén Espinoza fazia importante papel na evolução do jogo da equipe, da defesa para o ataque. Responsável pelas bolas paradas e bom passador, foi um grande assistente e marcou gols vitais na Copa Libertadores, tendo sido o vice-artilheiro da equipe, com cinco tentos.

Se quisesse um meio-campo mais equilibrado, o treinador Mirko Jozic podia lançar a campo o polivalente Juan Carlos Peralta, que revezava-se com o lateral-direito Mendoza na cobertura do setor e também evitava maiores consequências caso o ala fosse ao ataque. Acontece que em muitos turnos essa não era a tendência e o Colo-Colo atuava com mais agressividade, alinhando o experiente e talentoso Patricio Yáñez na ponta direita. Aos 30 anos, após passar muitos deles na Espanha e vindo da rival Universidad de Chile, o chileno mostrou que ainda tinha futebol para gastar, com excelentes dribles, cruzamentos mortais e permanecendo Cacique até 1995.

Confira também: Colo-Colo x Universidad de Chile: o Superclássico do Chile

No ataque, a dupla habitual era formada pelo argentino Marcelo Barticciotto e pelo chileno Rubén Martínez (foto). O primeiro era um jogador veloz e driblador, que destacava-se pela movimentação e pela facilidade como livrava-se de seus marcadores e ia à linha de fundo. De desconhecido contratado junto ao Huracán aos 21 anos, o jogador passou a ídolo rapidamente, permanecendo no clube entre 1988 e 1992 e entre 1996 e 2002. A tarefa de marcar gols, todavia, cabia a Martínez, artilheiro do Campeonato Chileno de 1991, com 23 gols em 28 jogos, lembrado pelo oportunismo e frieza com que executava seus rivais com sua perita perna esquerda.

Embora tivesse uma dupla considerada titular, os jogadores de ataque mais decisivos na Libertadores de 1991 foram outras duas figuras, habitualmente reservas. Artilheiro do time na competição e vice-artilheiro somando todos os clubes, o argentino Ricardo Dabrowski, que tinha no jogo aéreo seu grande forte, foi peça importantíssima, marcando seis tentos e ficando a dois de Gaúcho, então atacante do Flamengo e goleador máximo do torneio. Além dele, o clube contou por empréstimo com Luis Pérez, que passou um período brevíssimo com os Albos, mas marcou dois gols na final da Libertadores, eternizando seu nome na história Cacique.

Na reserva havia ainda alguns jogadores que tiveram participações importantes em 1991, como são os casos de Agustín Salvatierra, Leonel Herrera e Hugo Rubio, mas o grande destaque era de fato o treinador. Sem Jozic (foto), dificilmente o Colo-Colo teria conquistado a Libertadores. Além de ter sido revolucionário no campo tático, o comandante tinha uma determinação especial, tanto que ao desembarcar pela segunda vez no clube definiu a conquista continental como seu grande objetivo - missão dada, missão cumprida. 

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de finais da Copa Libertadores da América de 1991: Colo-Colo 4x0 Nacional-URU

Estádio Monumental David Arellano, Santiago

Árbitro: Ricardo Calabria

Público 50.000

Gols: ’28 Martínez, ’45 e ’85 Dabrowski e ’89 Espinoza (Colo-Colo)

Colo-Colo: Morón; Mendoza, Garrido, Margas, Ramírez; Vilches, Espinoza, Pizarro; Rubén Martínez, Ricardo Drabowski (Peralta) e Yañez (Pérez). Téc.: Mirko Jozic

Nacional: Carrabs; Gómez, Saravia, Saldanha, Mozo; Révelez, Noé, Peña, Silveira (García); Dely Valdez e Borges (Seré). Téc.: Juan Blanco

Semifinais da Copa Libertadores da América de 1991: Colo-Colo 3x1 Boca Juniors

Estádio Monumental David Arellano, Santiago

Árbitro: Renato Marsiglia

Público 62.000

Gols: ’64 e ’82 Martínez, ’66 Barticciotto (Colo-Colo); ’74 Diego Latorre (Boca Juniors)

Colo-Colo: Morón; Mendoza, Garrido, Margas, Ramírez; Vilches, Espinoza (Peralta), Pizarro; Barticciotto, Martínez e Yañez. Téc.: Mirko Jozic

Boca Juniors: Montoya; Abramovich (Apud), Simón, Marchesini, Moya; Sonõra, Giunta, Pico (Tapia), Graciani; Latorre e Batistuta. Téc.: Óscar Tabárez

Finais da Copa Libertadores da América de 1991: Colo-Colo 3x0 Olimpia

Estádio Monumental David Arellano, Santiago

Árbitro: José Roberto Wright

Público 64.000

Gols: ’12 e ’17 Pérez, ’84 Leonel Herrera (Colo-Colo)

Colo-Colo: Morón; Mendoza (Herrera), Garrido, Margas, Ramírez; Vilches, Peralta, Espinoza, Pizarro; Pérez e Barticciotto. Téc.: Mirko Jozic

Olimpia: Battaglia; Ramirez, Castro, Fernández, Suárez; Jara (Guirland), Balbuena (Cubilla), Guasch, Monzon; González e Torres. Téc.: Luis Cubilla

Final do Intercontinental de 1991: Colo-Colo 0x3 Estrela Vermelha

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: Kurt Röthlisberger

Público 62.064

Gols: ’19 e ’58 Jugovic, ’72 Pancev (Estrela Vermelha)

Colo-Colo: Morón; Mendoza, Garrido, Margas, Ramírez; Vilches, Salvatierra (Dabrowski), Pizarro; Barticcioto, Martínez (Rubio), Yañez. Téc.: Mirko Jozic

Estrela Vermelha: Milojevic; Vasilijevic, Belodedici, Najdoski, Radinovic; Jugovic, Mihajlovic, Stosic, Ratkovic; Savicevic e Pancev. Téc: Vladimir Popovic

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