sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Times de que Gostamos: Shakhtar Donetsk 2008-2009

Depois de rememorar o ótimo time do Boavista, que rompeu a hegemonia de Benfica, Sporting e Porto e conquistou o título português em 2000-2001, acabando com uma sequência de 55 anos sem que o mesmo deixasse as mãos do trio, falo sobre o Shakhtar Donetsk de 2008-2009, que embora não tenha obtido êxitos nacionais conseguiu importantes feitos continentais.


Em pé: Lewandowski, Luiz Adriano, Kucher, Fernandinho, Pyatov, Chygrynskiy;
Agachados: Ilsinho, Willian, Srna, Jádson e Rat.

Time: Shakhtar Donetsk

Período: 2008-2009

Time base: Pyatov; Srna, Kucher (Ishchenko), Chygrynskiy, Rat; Hübschman, Fernandinho; Ilsinho (Gay), Jádson, Willian; Gladkiy (Luiz Adriano/Brandão/Seleznev). Téc.: Mircea Lucescu

Conquistas: Copa da UEFA

Desde que passou a ser controlado por Rinat Akhmetov, um dos mais ricos empresários da Ucrânia, em meados dos anos 90, o Shakhtar Donetsk evoluiu assombrosamente. Até então, o clube da região de Donbas, conhecida pelas minas de carvão, nunca havia conquistado um campeonato nacional, seja ele o soviético ou o ucraniano, tendo tido como maiores glórias algumas copas.

A despeito disso, desde 2001-2002, o clube cresceu e passou a ameaçar o histórico Dynamo de Kiev, que no entanto pôde gabar-se por muito tempo da conquista de um título internacional. Com esse contexto, após fazer uma campanha razoável na UEFA Champions League 2008-2009, tendo até mesmo vencido um time reserva do Barcelona, no Camp Nou, o Shakhtar desceu à Copa da UEFA e fez uma campanha histórica.

Em seu caminho até a conquista do título, em Istambul, o clube de Donetsk enfrentou adversários de qualidade, como Tottenham e Olympique de Marselha, e conquistou uma proeza que abalou a atual maior rivalidade da Ucrânia: eliminou o Dynamo na semifinal. Na finalíssima, o adversário foi um forte Werder Bremen, que possuía jogadores de grande qualidade e com passagens pela Seleção Alemã.

O preço dessa campanha foi a perda dos títulos nacionais, algo que, diante de um quadro geral, em que o clube vem sistematicamente sendo campeão em solo ucraniano, parece não importar muito ao torcedor do clube, que viveu uma temporada histórica em 2008-2009 e ainda se superiorizou ao seu grande rival diante dos olhos do mundo.

Na meta ucraína, o titular era a figura que ainda hoje comanda o gol do Shakhtar: Andriy Pyatov (foto). Embora não tenha se firmado como um grande goleiro com o passar dos anos, cometendo ocasionais e clamorosas falhas, o arqueiro que também defende a Seleção Ucraniana esteve em boa forma na meta, não obstante tenha falhado na final da Copa da UEFA, não conseguindo segurar um petardo de Naldo em cobrança de falta. Pyatov não é um grande goleiro, mas cumpriu – e ainda hoje cumpre – seu papel.

Pela lateral direita, o croata Darijo Srna – outro atleta que ainda hoje defende o Shakhtar – capitão e um dos grandes jogadores da história do time de Donetsk viveu excelente temporada em 2008-2009. Tendo no apoio sua maior arma, o jogador proveu três assistências na Copa da UEFA, sendo instrumental para a conquista. Além disso, o croata é o segundo jogador que mais vezes defendeu o clube, com mais de 550 jogos.

Pelo outro lado, o romeno Razvan Rat garantia o balanço ao setor defensivo, sendo bem menos ofensivo que Srna (foto). Ainda assim, foi responsável por uma assistência na final da competição. Embora não tenha sido um jogador brilhante, viveu ótimo momento no Shakhtar, o melhor e mais longo de sua carreira.

A zaga não tinha nada de especial, mas viu um jogador fazer uma temporada muita acima de sua média: Dmytro Chygrynskiy (foto abaixo). Grandalhão e desajeitado, o cabeludo foi um paredão durante esta temporada; no mano a mano era praticamente impossível ultrapassá-lo e no jogo aéreo era intransponível. Tal desempenho foi tão bom que levou o Barcelona a apostar em seu futebol. No entanto, o sucesso foi passageiro e desde então sua carreira só declinou. Seu companheiro habitual foi Oleks Kucher, à época um beque mais veloz que seu companheiro, mas menos eficiente no jogo aéreo. Ainda hoje no Shakhtar, é um dos símbolos do time e um defensor versátil, já tendo atuado como volante e nas laterais, sem grandes qualidades, mas sem cometer graves falhas.

Durante a campanha da Copa da UEFA, no entanto, Kucher foi muitas vezes preterido por Mykola Ishchenko, defensor mais limitado e que não conseguiu se firmar no período em que permaneceu na Donbass Arena. O jogador foi titular em quase toda a disputa, mas nas partidas mais importantes, fora de casa contra o rival Dynamo e na final, foi suplantado por seu titular.

Confira também: Dynamo Kyiv x Shakhtar Donetsk: o clássico ucraniano

Na contenção, o tinha dispunha dos serviços de alguns jogadores, tendo sido o tcheco Tomás Hübschman o que atuou com maior habitualidade. Bom nos desarmes e sempre bem posicionado na cabeça de área, o experiente jogador foi uma das referências da equipe e uma das grandes seguranças da mesma. Além dele, pelo setor o time dispunha dos préstimos do forte Igor Duljaj, jogador sérvio, que até marcava mais forte que Hübschman, mas tinha menos talento com a bola, e de Mariusz Lewandowski, polonês de maior estatura, também muito seguro, mas mais lento. Todos estes eram também opção para a zaga.

Posicionado pelo centro da cancha, o brasileiro Fernandinho (foto, à esquerda) era o jogador que ditava o ritmo do jogo da equipe. Atuando como meio-campista central, era o principal responsável pela distribuição de bola da equipe e também se firmou como um importante elemento surpresa, marcando gols em quatro das nove partidas da campanha do time da Copa da UEFA.

À frente, um ex-companheiro de Fernandinho no Atlético Paranaense era o jogador mais criativo do time: Jádson (foto, à direita). Habilidoso, dono de ótima visão de jogo, rápido e bom finalizador, o jogador era quem mais desequilibrava no time ucraniano. Vivendo aquele que foi possivelmente o melhor momento de sua carreira, o brasileiro fez uma Copa da UEFA fantástica, tendo sido, provavelmente, o melhor jogador do Shakhtar. Ao todo, marcou quatro gols e criou três assistências na campanha do título, tendo sido o autor do tento que deu a glória continental ao clube na prorrogação.

Pelo lado direito do meio, Ilsinho era uma ótima opção de velocidade. Lateral de vocação ofensiva, o jogador foi transformado em meio-campista pelo treinador Mircea Lucescu e ganhou maior liberdade para avançar e mostrar seu futebol. Pelo flanco canhoto, o titular era Willian. Ainda um garoto de 20 anos, o jogador era um dos pontos de desequilíbrio da equipe, sempre utilizando seu drible em velocidade para quebrar a marcação adversária e deixar seus companheiros em melhores condições no jogo. Na Copa da UEFA criou três importantes assistências.

No comando do ataque, Luiz Adriano (foto) era habitualmente o titular e foi o responsável pelo primeiro gol do Shakhtar na final. Rápido, dono de bom posicionamento e oportunista, o brasileiro se tornou um jogador histórico para o clube, o maior artilheiro de todos os tempos, com 128 tentos. No entanto, em 2008-2009, o jogador ainda não havia se firmado como a grande referência que viria a ser posteriormente e muitas vezes foi preterido pelo ucraniano Oleks Gladkiy e pelo brasileiro Brandão (que deixou o clube durante a temporada).

Conhecido pelo apreço que tem pelo futebol brasileiro e pela forma disciplinada como treina seus atletas e enxerga a melhor posição para os mesmos, o romeno Mircea Lucescu (foto) comanda o Shakhtar desde 2004 e é uma grande referência do clube. Além dos jogadores citados, o comandante tinha outras opções para mudar uma partida, caso do polivalente meio-campista Oleksey Gay, que podia ser usado para aumentar o controle da bola, o defensor Vyacheslav Shevchuk, opção defensiva para a lateral-esquerda e para a zaga, além dos atacantes Evgen Seleznev, autor de um importante gol contra o Tottenham, e Marcelo Moreno, que não se adaptou ao clube.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Grupo C da UEFA Champions League: Shakhtar 1x2 Barcelona

Estádio Olympiyskiy, Donetsk

Árbitro: Howard Webb

Público 25.300

Gols: ’45 Ilsinho (Shakhtar); ’87 e ’90 Messi (Barcelona)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Ishchenko, Chygrynskiy, Shevchuk; Hübschman, Duljaj (Lewandowski), Fernandinho, Ilsinho (Willian); Luiz Adriano (Seleznev), Brandão. Téc.: Mircea Lucescu

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Rafa Márquez, Piqué, Puyol; Keita (Gudjohnsen), Touré, Xavi; Iniesta, Eto’o (Bojan), Henry (Messi). Téc.: Pep Guardiola

Grupo C da UEFA Champions League: Barcelona 2x3 Shakhtar

Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Mike Riley

Público 22.763

Gols: ’31 e ’57 Gladkiy e ’75 Fernandinho (Shakhtar); ’58 Sylvinho e ’83 Busquets (Barcelona)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Kucher, Chygrynskiy, Rat; Hübschman, Gay, Fernandinho (Luiz Adriano), Jádson (Brandão), Willian; Gladkiy. Téc.: Mircea Lucescu

Barcelona: Jorquera; Cáceres, Piqué, Busquets, Sylvinho; Victor Sánchez, Keita, Hleb, Victor Vásquez; Bojan e Pedro (Gudjohnsen). Téc.: Pep Guardiola

Oitavas de finais da Copa da UEFA: Shakhtar 2x0 Tottenham

Estádio Olympiyskiy, Donetsk

Árbitro: Thomas Einwaller

Público 25.000

Gols: ’79 Seleznev e ’88 Jádson (Shakhtar Donetsk)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Ishchenko, Chygrynskiy, Rat; Lewandowski, Fernandinho; Ilsinho (Luiz Adriano), Jádson, Willian; Gladkiy (Seleznev). Téc.: Mircea Lucescu

Tottenham: Gomes; Chimbonda, Dawson, Zokora, Gunter; Huddlestone, Jenas, Bentley, Parrett (Bostock); Giovani dos Santos (Bent) e Frazier Campbell. Téc.: Harry Redknapp

Quartas de finais da Copa da UEFA: Shakhtar  2x0 Olympique de Marselha

Estádio Olympiyskiy, Donetsk

Árbitro: Felix Brych

Público 24.700

Gols: ’39 Hübschman e ’65 Jádson (Shakhtar Donetsk)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Ishchenko, Chygrynskiy, Rat; Hübschman, Gay, Fernandinho (Lewandowski), Ilsinho (Willian), Jádson; Luiz Adriano (Gladkiy). Téc.: Mircea Lucescu

Olympique: Mandanda; Mears, Hilton, Civelli, Taiwo; M’Bami (Valbuena), Cheyrou, Cana; Koné, Niang e Zenden (Samassa). Téc.: Eric Gerets

Semifinais da Copa da UEFA: Shakhtar 2x1 Dynamo de Kiev

Estádio Olympiyskiy, Donetsk

Árbitro: Olegário Benquerença

Público 24.300

Gols: ’17 Jádson e ’89 Ilsinho (Shakhtar); ’47 Bangoura (Dynamo de Kiev)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Ishchenko, Chygrynskiy, Rat; Hübschman, Gay (Willian), Fernandinho, Ilsinho (Lewandowski), Jádson; Luiz Adriano (Gladkiy). Téc.: Mircea Lucescu

Dynamo: Bogush; Betão, Sablic, Yussuf, El-Kaddouri; Vukojevic, Aliyev, Eremenko (Côrrea), Ninkovic; Bangoura e Milevskiy. Téc.: Yuriy Semin

Final da Copa da UEFA: Shakhtar 2x1 Werder Bremen

Estádio Sükrü Saracoglu, Istambul

Árbitro: Luis Medina Cantalejo

Público 40.000

Gols: ’26 Luiz Adriano e ’97 Jádson (Shakhtar Donetsk); ’35 Naldo (Werder Bremen)

Shakhtar: Pyatov; Srna, Kucher, Chygrynskiy, Rat; Lewandowski, Fernandinho; Ilsinho (Gay), Jádson (Duljaj), Willian; Luiz Adriano (Gladkiy). Téc.: Mircea Lucescu

Werder: Wiese; Fritz (Pasanen), Naldo, Prödl, Boesnich; Baumann, Frings, Niemeyer (Tziolis), Özil; Rosenberg (Hunt), Pizarro. Téc.: Thomas Schaaf 

Um comentário :

  1. Cara, muito bom todo seu texto...parabéns!!!
    Tenho uma opinião muito clara sobre o Jadson e gostaria de compartilhá-la: ele surgiu muito bem no Atlético Paranaense e teve uma passagem muito marcante no futebol ucraniano (não foi em vão que atuou 7 anos no Shakhtar), mas sempre achei que tinha potencial para ter despotado num mercado de mais ponta. Você concorda ou não?
    Outra questão que gostaria de comentar: depois do título da Copa da UEFA 2008/2009, o Shakhtar até que acumulou campanha dignas na UEFA Champions League, Na temporada 2010/2011, teve êxito ao chegar às quartas-de-final eliminando a Roma. Em 2012/2013, deixou na primeira fase ninguém menos do que o até então atual campeão: Chelsea. Porém, sinto que o time atual não é tão bom em relação ao dos anos anteriores. Os brasileiros,por exemplo, são mais fracos tecnicamente do que os que passaram em outros tempos. O que acha?

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